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Ibovespa fecha primeiro pregão do segundo semestre em alta de 0,42%; dólar avança 1,65%

Índice acompanhou performance de benchmarks americanos, com perspectiva de recessão diminuindo pressão da curva de juros

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa fechou em alta de 0,42% nesta sexta-feira (1), primeiro dia do segundo semestre de 2022, aos 98.953 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira passou parte do pregão em baixa mas, por volta das 14h (horário de Brasília), conseguiu virar para o campo positivo. No acumulado da semana a alta foi de 0,28%.

Em grande parte, a movimentação se deu de forma paralela ao que foi visto nos Estados Unidos. Os benchmarks americanos conseguiram fechar em alta, após abrirem em queda – Dow Jones subiu 1,05%, S&P 500, 1,06% e Nasdaq, 0,90%.

“As bolsas mundiais oscilaram entre perdas e ganhos ao longo da manhã. Na nossa opinião, os movimentos do mercado hoje são novamente explicados pelo temor de recessão. Tivemos dados de PMIs na Europa e nos EUA que ficaram abaixo do esperado, levando novamente a uma discussão mais intensa sobre a desaceleração do crescimento econômico”, diz Marcela Rocha, economista-chefe da Claritas.

Mais cedo, o IHS Markit divulgou PMIs de junho de países do Velho Continente e também dos EUA, com todos, sem exceção, trazendo uma desaceleração na base mensal.

“Uma recessão global pode levar a uma queda das commodities, o que pesa nas curva de juros e dá espaço para alguns ativos”, explica Rocha. “As bolsas tiveram um mês de junho muito negativo. Há o pensamento de que as bolsas já adiantaram os cenários mais preocupantes, bem como uma perspectiva de que se as taxas de juros caírem, com bancos centrais não apertando tanto, os patamares de bolsa podem ser sustentados”, complementa.

Desaceleração econômica reduz pressão sobre curva de juros

Nos EUA, os sinais de uma desaceleração econômica levou o treasury yield de dez anos a recuar 8,5 pontos-base, para 2,889%, patamar distante dos quase 3,50% vistos há cerca de 15 dias. Isso também ajudou a derrubar a curva de juros brasileira, a despeito dos riscos fiscais impostos pela PEC dos auxílios, aprovada no Senado ontem e que segue, agora, para a Câmara dos Deputados.

Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a curva de juros brasileira ainda é beneficiada pelo fato de o ICMS estar sendo cortado por governadores, o que deve trazer impactos na inflação.

Os DIs para 2023 tiveram seu yield recuando seis pontos, para 13,70%, e os para 2025, nove pontos, para 12,66%. O DI para 2027 viu sua taxa cair três pontos, para 12,62%. Os contratos para 2029 e 2031, por fim, registram quedas de três e quatro pontos em seus rendimentos, para 12,76% e 12,82%.

“Ao mesmo tempo, porém, a ameaça fiscal desvaloriza nosso real. Por mais que se diga que os auxílios ficarão até o final do ano, sabemos que isso é muito difícil”, diz Cruz. “O mais provável é que teremos uma pressão para renovar esses benefícios”.

O dólar comercial fechou em alta de 1,65%, a R$ 5,321 na compra e na venda. Além das pressões fiscais, a economista-chefe da Claritas aponta ainda que a perspectiva de recessão aumenta a aversão ao risco – o DXY, índice que mede a força do dólar frente a outras divisas do mundo, avançou 0,41%. Na semana, a alta foi de 1,66%.

Queda do ICMS puxa algumas ações do Ibovespa

Entre as maiores altas do Ibovespa, figuraram ações de companhias de setores essenciais, como as ordinárias da CPFL (CPFE3), com mais 3,92%, da Tim (TIMS3), com mais 3,37%, e da Vivo (VIVT3), com mais 2,29%.

“A queda do ICMS setor beneficia o setor de telefonia e outros considerados essenciais”, comenta o estrategista da RB Investimentos.

Nicolas Merola, analista de investimentos da Inv, destaca a queda das commodities. “Era um setor que estava conseguindo resistir aos problemas macroeconômicos, mas que agora está caindo forte, com exceção do petróleo”, explica. “O CRB Index voltou a cair, no mesmo patamar de consolidação que estava no começo do ano”.

Ainda entre as maiores altas do Ibovespa, ficaram papéis do setor de proteínas – as ações ordinárias da BRF (BRFS3) e da Marfrig (MRFG3) subiram, respectivamente, 4,93% e 3,72%. A queda do preço dos grãos, bem como o recuo do real, tende a aumentar a margem dessas companhias.

O destaque entre as altas, por fim, ficou para a MRV (MRVE3), cujos papéis ON avançaram 5,25% após a companhia anunciar a venda de uma carteira de crédito avaliada em R$ 349,4 milhões.

Do outro lado, entre as maiores quedas, destaque para os papéis da Light (LIGT3), com menos 6,57%, da Magazine Luiza (MGLU3), com menos 5,98%, e da Cogna (COGN3), com menos 3,74%.

“É até difícil explicar a queda dessas companhias por conta do recuo da curva de juros. Pode estar associado à publicação de dados da Boa Vista, que mostrou que a demanda por crédito diminuiu consideravelmente, o que pode impactar essas companhias”, diz Cruz.

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