Fechamento

Ibovespa fecha estável com risco fiscal limitando ânimo com anúncio do Fed; dólar cai a R$ 5,57

Mercado encerra o dia sem nenhuma variação na Bolsa, mas o câmbio recuou diante das sinalizações do Fed

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Home brokers com gráficos de ações (Crédito: Shutterstock)
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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou estável nesta quinta-feira (27) com as altas de ações de bancos como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) compensando o desempenho negativo de papéis ligados a commodities. Juntas, essas três empresas do setor financeiro respondem por 14,84% do índice.

Já Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) encerraram a sessão com perdas em meio às desvalorizações registradas pelo petróleo e pelo minério de ferro no mercado internacional. Para ler mais destaques de ações clique aqui.

Lá fora, as bolsas americanas subiram com o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em Jackson Hole. Os índices Dow Jones e S&P 500 tiveram altas de 0,57% e 0,17% respectivamente, com o Dow zerando as perdas acumuladas de 2020. Já o Nasdaq caiu 0,34%.

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Powell disse que o Fed buscará uma abordagem mais tolerante à inflação, cuja meta seria chegar a uma média de 2% ao ano ao longo do tempo. “O máximo nível de emprego é um objetivo amplo e inclusivo. Podemos ter um mercado de trabalho robusto sem uma disparada na inflação”, destacou.

Com isso, o Ibovespa não variou em relação ao fechamento de ontem e se manteve nos 100.623 pontos. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 22,76 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 0,6% a R$ 5,577 na compra e a R$ 5,5789 na venda. O dólar futuro para setembro tinha baixa de 0,71%, a R$ 5,571 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 encerrou a sessão com alta de um ponto-base a 2,86%, o DI para janeiro de 2023 caiu três pontos, a 4,08%, o DI para janeiro de 2025 variou negativamente três pontos-base a 5,95% e o DI para janeiro de 2027 recuou cinco pontos-base a 6,93%.

Também no radar, hoje saiu a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre, com uma contração de 31,7%, menor que a esperada pelos economistas. A mediana das projeções compilada pelo consenso Bloomberg apontava para queda de 32,5%.

Já os pedidos de seguro-desemprego totalizaram 1.006.000 na semana passada nos EUA, número em linha com a mediana das expectativas.

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No Brasil, a grande preocupação diz respeito à relação entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro. Em meio a divergências sobre o Renda Brasil, ganharam força rumores de que o ministro deixaria o governo.

Entretanto, ontem o ministério divulgou uma nota reforçando que Guedes não pretende deixar o cargo. Uma nova proposta sobre o Renda Brasil deve ser formulada pela equipe de Guedes até amanhã.

Entre as commodities, o preço do petróleo cai mesmo com a chegada do furacão Laura à região do Golfo do México. Já o minério de ferro caiu – o negociado em Qingdao com pureza de 62% teve queda de 1,7% – após a BHP, maior mineradora do mundo, alertar que oferta deve aumentar, moderando os preços.

Na Ásia, o lucro do setor industrial chinês aumentou 19,6% ante o ano passado. A alta foi de 11,5% em junho.

Fritura de Guedes

O grande assunto do dia no noticiário político e econômico continuou a ser as divergências em Brasília. Após o adiamento do “Big Bang Day”, que ocorreria nesta terça-feira, começaram rumores de que o ministro da economia, Paulo Guedes, estaria passando por um processo de “fritura” por parte do presidente Jair Bolsonaro.

Depois de o presidente criticar publicamente a proposta do programa Renda Brasil, elaborada pela equipe de Guedes, a expectativa de que o ministro pedisse demissão ganhou força. Ao mesmo tempo, voltou a circular o nome do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, como possível sucessor de Guedes.

No entanto, o Ministério da Economia negou que o ministro pretenda deixar o cargo. “Não procede marcação de coletiva para pedido de demissão. Ministro continua despachando normalmente. Estava em reunião com secretários de Fazenda, conforme agenda”, diz a assessoria da pasta em nota.

O ministro está preparando uma proposta alternativa ao Renda Brasil, que vai substituir o Bolsa Família. De acordo com a Folha de S.Paulo, sua equipe prepara um modelo no qual o novo benefício começaria a ser pago no ano que vem, podendo partir de R$ 220 ou R$ 230. O valor é próximo aos R$ 190 pagos hoje pelo Bolsa Famíla e inferior ao desejado por Bolsonaro, que pressiona por parcelas de ao menos R$ 300.

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Como não há consenso no governo sobre os programas que seriam extintos para custear o Renda Brasil, o novo desenho de Guedes prevê que o programa comece a rodar em valor menor e os pagamentos seriam ampliados com o tempo.

Na quarta-feira, o presidente Bolsonaro declarou ter suspendido a apresentação do novo programa social. “A proposta, como a equipe econômica apareceu para mim, não será enviada ao Parlamento, não posso tirar de pobres para dar para paupérrimos”, afirmou em discurso, durante cerimônia em Ipatinga (MG).

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), apoiou a decisão de Bolsonaro de recusar a proposta da equipe econômica para o Renda Brasil e disse que a equipe do ministro Paulo Guedes vazou a proposta antes de consultar o presidente.

Uma nova versão do programa Renda Brasil deve ser concluída até amanhã. Segundo o Estado de S. Paulo, este foi o prazo dado pelo presidente ao ministro da Economia para a apresentação de uma nova proposta.

Um novo encontro de Bolsonaro com ministros foi marcado para sexta-feira. Este é também o prazo em que o governo espera definir o valor da ampliação do auxílio emergencial, que será estendido até dezembro.

Também chamou atenção ontem a fala da assessora especial do Ministério da Economia, Vanessa Canado. Ela declarou que o tributo sobre pagamentos que está sendo analisado pelo governo, chamado de nova CPMF, não vai incidir só sobre a economia digital, mas sobre “todas as transações”. Inicialmente, existia um debate no governo de que o novo imposto poderia incidir só sobre comércio eletrônico.

Medidas aprovadas pela Câmara

Além disso, ontem a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória (MP) 960, que prorroga até 2021 incentivos tributários para empresas brasileiras que atuam na área de comércio exterior. Agora, o texto segue para o Senado.

A MP estende o regime chamado “drawback”, que permite a isenção de tributos às exportadoras sobre insumos importados usados na produção de mercadorias que, em seguida, serão vendidas a outros países.

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Outro destaque desta quinta-feira é a notícia de aprovação de um projeto que institui nova lei de Recuperação Judicial e Falências no Brasil. O projeto foi aprovado nesta terça-feira, 25, pela Câmara dos Deputados. O texto atualiza a legislação que está em vigor desde 2005, considerada defasada pelo setor empresarial. O texto agora segue para análise do Senado.

De acordo com o texto, se autorizado pelo juiz, o devedor em recuperação judicial poderá fazer contratos de financiamento, inclusive com seus bens pessoais em garantir, para tentar salvar a empresa da falência.

Radar corporativo

Em relação ao mundo empresarial, um dos destaques do dia é a aprovação da venda de participação remanescente de 37,5% detida pela Petrobras na BR Distribuidora (BRDT3). Além disso, a Helbor (HBOR3) anunciou a venda de ativos por R$ 132,14 milhões.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
GOLL43.9316218.24
AZUL43.6127822.37
BPAC112.6410482.78
CSNA32.3271714.95
MGLU32.0965192.04

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
YDUQ3-7.2454127.78
BRDT3-3.2673721.02
ECOR3-2.4577612.7
CCRO3-2.4060212.98
BRAP4-2.3899943.7

A Yduqs teve um prejuízo de R$ 79,5 milhões no segundo trimestre, revertendo lucro de R$ 194,8 milhões obtido no mesmo trimestre do ano passado. A receita avançou 3,5% para R$ 991,1 milhões. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) caiu 67,5%, para R$ 111,2 milhões.

Também chama atenção o pedido do Ministério Público Federal em Minas Gerais para que a Vale (VALE3) seja condenado a pagar R$ 54 bilhões em indenizações pela tragédia de Brumadinho.

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