Números de fechamento

Ibovespa fecha em queda de 2,7% com a pior pontuação do ano; dólar renova máxima em seis meses

Investidores repercutiram possível rompimento de teto dos gastos; queda foi amenizada após apresentação da PEC dos precatórios

Por  Mitchel Diniz -

SÃO PAULO – O Ibovespa se livrou das mínimas do dia, mas terminou a sessão de hoje com perdas expressivas. O principal índice do mercado acionário brasileiro encerrou o pregão abaixo dos 108 mil pontos pela primeira vez no ano. Ainda que a comissão especial da PEC dos precatórios tenha trazido novos esclarecimentos sobre como o governo pretende financiar o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, permanece a visão de que a situação fiscal do país pode piorar e isso se refletiu nos principais indicadores do mercado hoje.

A sessão desta quinta-feira ganhou até apelido: “waiver day”, um trocadilho com a fala de Paulo Guedes, ministro da Economia, ao afirmar que o teto de gastos poderia ser ampliado com um waiver, uma licença fiscal para poder financiar o Auxílio Brasil – que não sairá por menos de R$ 400 por família. Mas se ontem o ministro falava em uma “camada temporária de proteção” estimada em R$ 30 bilhões, a cifra confirmada hoje na comissão especial da PEC dos precatórios é bem maior.

Além de limitar recursos para o pagamento de precatórios, as dívidas judiciais da União, a PEC também modifica a regra do teto de gastos, liberando recursos no Orçamento do ano que vem e facilitando a execução de políticas públicas de interesse do governo federal.

“Nós estamos com esse movimento, tendo para o ano de 2022, o surgimento de um espaço fiscal de mais de R$ 39 bilhões. Quando isso se soma com os precatórios, nós estamos falando de algo na casa dos R$ 83 bilhões de espaço fiscal, que serão abertos no ano que vem”, afirmou o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), relator do texto.

Segundo o relator, os recursos serão utilizados para financiar o reajuste de programas sociais dentro do teto dos gastos. O teto também seria calculado por uma nova metodologia, levando em consideração o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de janeiro a dezembro (e não mais de junho a junho).

“A solução da PEC dos precatórios parece ser viável à primeira vista, mas está longe de ser concreta. Teria que abrir de fato esse espaço de R$ 83 bilhões pra encaixar o Auxílio Brasil. A grande questão é que o mercado já está vacinado em relação ao governo de tomar medidas populistas independentemente de como isso possa atrapalhar ou gerar uma insegurança no mercado ou na cadeia produtiva”, afirma Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo.

O Ibovespa fechou em queda de 2,75% aos 107.735 pontos. O volume de negócios foi de R$ 43,1 bilhões, acima da média.  A última vez que o Ibovespa tinha ficado abaixo dos 108 mil pontos foi em novembro do ano passado. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro de 2021 segue em baixa de 1,23%, aos 108.720 pontos, nos negócios do after market.

“O mercado vê o teto de gasto como o último e talvez principal guardião das contas públicas. Esses movimentos que foram revelados têm sido vistos com maus olhos”, explica Fernando Martin, analista da Levante.

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Para deixar a trama fiscal ainda mais intricada, o presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje que pagará um auxílio-diesel para 750 mil caminhoneiros, respondendo aos protestos da categoria e ameaças de paralisação. Resta saber como esses recursos vão ser administrados dentro das contas públicas.

Juros DI indicam postura mais rígida do Banco Central

Como um descontrole das contas públicas implica em inflação mais alta e  juros maiores, os contratos DI vêm apresentando altas expressivas nos últimos dias e hoje não foi diferente. Nas máximas do dia, alguns vencimentos chegaram a avançar 90 pontos-base. Amenizaram os ganhos, após discursos na apresentação da PEC dos precatórios, mas ainda assim tiveram alta de dois dígitos nos principais contratos.

O DI para janeiro de 2023 sobe 32 pontos-base, a 10,48%; DI para janeiro de 2025 subiu 35 pontos-base a 11,49%; e o DI para janeiro de 2027 registrou alta de 32 pontos-base, a 11,80%.

“O maior impacto mesmo é nos contratos de DI Futuro que projetam Taxa Selic ainda mais alta nos próximos meses. A bomba vai cair no colo do Banco Central que precisará subir ainda mais os juros pra remunerar e segurar o capital dentro do país”, afirma João Beck, economista e sócio da BRA.

Dólar renovou máxima em seis meses

Com todo o stress no mercado de ações, o dólar voltou a ganhar força hoje. A moeda americana também teve valorização frente às principais divisas no exterior e aqui renovou a cotação máxima em seis meses depois de ficar bem próxima dos R$ 5,70.

O dólar comercial fechou a quinta-feira em alta de 1,92%, a R$ 5,667 na compra e R$ 5,668 na venda. O dólar futuro com vencimento em novembro de 2021 sobe 1,18% a R$ 5,673.

A valorização do dólar contribui com a queda dos preços nas commodities no mercado internacional, como o petróleo. O barril do Brent para dezembro de 2021 fechou em queda 1,24%, a US$ 84,76. O do WTI para novembro de 2021 cai 0,92% a US$ 82,65.

Mercado externo não ajudou

No exterior, as notícias também não são das melhores. A gigante imobiliária chinesa Evergrande, que agitou os mercados no mês passado, anunciou que não chegou a um acordo para vender 50,1% de sua participação no negócio de serviços para propriedades. A empresa, que já não vem pagando determinadas dívidas, anunciou que não há garantia de que será capaz de arcar com suas obrigações financeiras.

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Ainda não se sabe qual seria o impacto de um possível default (calote) para os mercados e no crescimento econômico da China. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês tem sido revisado para baixo, fato que tem repercutido de forma negativa entre os investidores.

Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 subiui 0,3% e bateu um novo recorde impulsionado por balanços corporativos positivos. O Dow Jones fechou em ligeira queda de 0,02%; e a Nasdaq encerrou a sessão com ganhos de 0,62%.

Os últimos resultados trimestrais das empresas vieram mistos. Enquanto a Tesla apresentou números recordes, a IBM apresentou queda de receitas. Agora de manhã, a American Airlines também apresentou números considerados positivos.

Na agenda americana de indicadores, o número semanal de pedidos de auxílio-desemprego que atingiu 290 mil na semana encerrada em 16 de outubro. O número veio abaixo da previsão dos economistas, de 300 mil pedidos.

Na Europa, as bolsas fecharam em queda. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países europeus em setores-chave, termino a sessão em leve baixa de 0,02%. A Bolsa de Paris (CAC-40) recuou 0,2%, Londres (FTSE 100) teve baixa de 0,39%; e Frankfurt (DAX) terminou o dia em queda de 0,21%.

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