Conteúdo editorial apoiado por

Ibovespa em baixa, S&P 500 e Nasdaq em alta: até onde os índices podem ir?

Gráficos semanais mostram pressão crescente sobre o índice brasileiro, enquanto S&P 500 e Nasdaq preservam tendências de alta

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

Os caminhos de Ibovespa, S&P 500 e Nasdaq ficaram ainda mais distintos nas últimas semanas — e a diferença já aparece com clareza nos gráficos de médio prazo.

Leia também: Por que o Ibovespa cai enquanto Wall Street bate recordes? 5 fatores explicam

Enquanto o índice brasileiro caminha para a segunda semana consecutiva de perdas e amplia a distância em relação às máximas alcançadas em abril, os principais índices americanos seguem em trajetória positiva. O S&P 500 renova recordes, enquanto o Nasdaq volta a se aproximar de sua máxima histórica.

Fonte: TradingView. Comparativo do desempenho porcentual do Ibovespa (linha verde), S&P 500 (vermelho) e Nasdaq (azul) no mês de agosto. Elaboração: Rodrigo Paz.

A análise técnica semanal reforça essa diferença. No Brasil, o maior potencial permanece baixista e uma perda dos níveis atuais pode abrir espaço para suportes mais distantes. Nos Estados Unidos, S&P 500 e Nasdaq permanecem acima de médias importantes e ainda possuem espaço para avançar caso consigam romper suas respectivas máximas.

Isso não significa, porém, movimentos em linha reta. Depois das altas recentes, os índices americanos começam a se aproximar de regiões que também podem favorecer realizações de lucro e correções pontuais.

Leia também: Brasil no urso, EUA no touro: o que pode mudar o jogo no 2º semestre

Continua depois da publicidade

Veja os principais suportes, resistências e alvos técnicos para Ibovespa, S&P 500 e Nasdaq.

Ibovespa amplia perdas e mantém maior potencial baixista

Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz

O cenário técnico do Ibovespa se deteriorou nas últimas semanas. No gráfico semanal, o índice recua mais de 3% nesta semana e caminha para a segunda semana consecutiva de queda, depois de já ter perdido 3,08% na semana anterior.

O movimento representa uma mudança importante em relação ao primeiro semestre. O Ibovespa chegou a acumular valorização superior a 23% em 2026, mas devolveu boa parte desse avanço e agora mantém ganho de aproximadamente 4% no ano.

Continua depois da publicidade

A sequência negativa aumenta o risco de uma correção mais profunda caso a pressão vendedora continue.

Pela análise técnica de médio prazo, o maior potencial permanece baixista. A perda da mínima desta semana pode abrir espaço para uma aceleração das vendas, levando inicialmente o índice para a região de 154.055 pontos.

Abaixo desse patamar, o próximo suporte relevante aparece nos 140.230 pontos.

Continua depois da publicidade

Se a deterioração ganhar força, os objetivos mais longos passam pelas faixas de 131.550/118.222 pontos e, posteriormente, pelos 111.598 pontos.

O quadro muda se os compradores conseguirem recuperar níveis importantes.

Para começar a melhorar a configuração, o Ibovespa precisa voltar a superar a região das médias móveis e, principalmente, a faixa dos 180.680 pontos.

Continua depois da publicidade

Uma recuperação acima desse nível diminuiria a pressão atual e poderia abrir novamente espaço para uma tentativa de retorno à máxima histórica de 199.354 pontos.

O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos está em 42,93 pontos, ainda em região neutra. Ou seja, apesar da queda recente, o indicador não aponta neste momento uma condição extrema de sobrevenda.

A leitura deixa o Ibovespa em uma situação delicada: o índice já perdeu força, mas ainda não chegou a uma região técnica que, pelo IFR, indique esgotamento claro dos vendedores.

S&P 500 renova recordes e mantém tendência de alta

Fonte: TradingView. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz

Se o Ibovespa precisa recuperar níveis perdidos, o S&P 500 enfrenta praticamente o desafio oposto: até onde uma tendência já bastante estendida pode continuar?

No gráfico semanal, o índice americano avança e caminha para a terceira semana consecutiva de valorização, renovando máximas históricas.

Nesta semana, o S&P 500 chegou aos 7.815 pontos, depois de avançar 3,70% na semana anterior. Em 2026, a valorização acumulada supera 13%.

A estrutura técnica continua predominantemente positiva.

O índice permanece acima das médias móveis e mantém uma sequência ascendente que favorece os compradores. Enquanto essa configuração for preservada, eventuais quedas tendem a ser tratadas inicialmente como correções dentro de uma tendência maior de alta.

O primeiro gatilho para a continuidade do movimento está justamente na máxima de 7.815 pontos.

A superação consistente desse patamar pode abrir espaço para uma nova pernada compradora, com objetivos inicialmente entre 7.940 e 8.095 pontos.

Acima dessa região, os próximos alvos aparecem entre 8.315 e 8.592 pontos. Em um movimento mais longo, o índice poderia buscar a faixa dos 8.745 pontos.

A tendência permanece positiva, mas a distância percorrida recentemente também exige atenção.

Para que uma correção comece a ganhar maior força, o S&P 500 precisaria perder inicialmente a região das médias móveis e dos suportes entre 7.618 e 7.289 pontos.

Abaixo dela, os próximos níveis relevantes aparecem entre 7.222 e 7.010 pontos. Uma deterioração mais intensa poderia levar o índice até a região dos 6.315 pontos.

O IFR (14) está em 67,68 pontos, já próximo da região tradicionalmente associada à sobrecompra.

Isso não representa, por si só, um sinal de reversão. Mas mostra que, depois da sequência de altas, o espaço para realizações pontuais aumentou, mesmo com a tendência principal ainda favorável.

Nasdaq se aproxima do recorde e pode buscar novos alvos

Fonte: TradingView. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz

O Nasdaq apresenta configuração semelhante à do S&P 500, mas ainda precisa superar uma barreira importante antes de renovar suas máximas.

No gráfico semanal, o índice também caminha para a terceira semana consecutiva de alta e voltou a se aproximar do recorde de 27.190 pontos.

Na semana anterior, o Nasdaq avançou 5,19%. Em 2026, a valorização acumulada supera 15%.

O cenário permanece predominantemente positivo, com o índice acima das médias móveis e preservando a estrutura compradora.

A máxima histórica de 27.190 pontos funciona agora como a principal resistência.

Se houver rompimento, o Nasdaq pode ganhar novo fôlego para buscar inicialmente a região entre 27.675 e 28.445 pontos.

Acima dela, os próximos objetivos técnicos ficam em 29.535/30.925 pontos e, em uma extensão mais longa do movimento, nos 31.695 pontos.

Assim como ocorre no S&P 500, porém, a sequência recente de valorização também abre espaço para correções.

Para que o cenário comece a perder força de maneira mais consistente, o Nasdaq precisaria romper para baixo a região das médias e dos suportes entre 24.425 e 20.290 pontos.

Abaixo dessa faixa, os objetivos passam para 18.472/18.000 pontos e, posteriormente, 14.780 pontos.

O IFR (14) está em 62,10 pontos. O indicador permanece tecnicamente em região neutra, embora também tenha se aproximado da zona de sobrecompra com as altas recentes.

Isso mantém aberta a possibilidade de realizações no curto prazo sem, necessariamente, comprometer a tendência principal.

O que precisa acontecer para os cenários mudarem?

Os três gráficos mostram hoje estruturas bastante diferentes.

No Ibovespa, os compradores precisam primeiro recuperar terreno. A região dos 180.680 pontos aparece como uma barreira importante para que o índice comece a reverter a deterioração recente e volte a mirar patamares mais altos.

No S&P 500, a tendência continua positiva enquanto o índice permanecer acima das médias e dos principais suportes. O rompimento dos 7.815 pontos pode liberar novos objetivos de alta, embora o IFR já recomende atenção para possíveis realizações.

No Nasdaq, a máxima histórica de 27.190 pontos é o nível mais importante no curto e médio prazo. A superação dessa região confirmaria a continuidade da tendência e abriria espaço para novos recordes.

A diferença técnica, portanto, permanece clara: o Ibovespa precisa recuperar resistências para neutralizar o risco de novas quedas; S&P 500 e Nasdaq precisam romper máximas para prolongar tendências que ainda favorecem os compradores.

Até que esses níveis sejam rompidos, os gráficos continuam contando histórias opostas dos dois lados do mercado.

(Rodrigo Paz é analista técnico)

Guias de análise técnica:

Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice

Autor avatar
Rodrigo Paz
Mercados | Economia | Investimentos