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Ibovespa despenca 3,3% com coronavírus: hora de vender ou comprar?

Índice teve sua maior queda em 10 meses pressionado por proliferação da doença e revisão da OMS

Painel de cotações indicando forte queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda de 3,3% nesta segunda-feira (27) e anulou os ganhos no ano. Novamente, o grande vilão da Bolsa foi o coronavírus, que já fez mais de 80 vítimas e infectou quase 3 mil pessoas no mundo. À tarde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reclassificou o risco internacional da doença como elevado, após qualificá-lo na semana passada como moderado. Foram enviados US$ 9 bilhões para combater a doença.

Economistas dizem que economia do Japão pode sofrer mais com vírus atual do que com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês) de 2003. Um dos motivos é a decisão de Pequim de proibir viagens ao exterior dos turistas chineses, que são os que gastam mais.

“Qualquer choque econômico nos colossais motores industriais e de consumo da China se espalhará rapidamente para outros países através do aumento das ligações comerciais e financeiras associadas à globalização”, destacou Stephen Innes, estrategista-chefe de mercado asiático na Axitrader, para a Bloomberg.

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O Ibovespa despencou 3,29% a 114.481 pontos com volume financeiro negociado de R$ 23,747 bilhões. Foi a maior baixa do índice desde o dia 27 de março de 2019, quando a Bolsa fechou em queda de 3,57%. Com a desvalorização das ações que compõem o benchmark, foi atingido o menor patamar desde 18 de dezembro, ocasião em que o Ibovespa terminou o pregão em 114.314 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial teve alta de 0,59%, a R$ 4,2088 na compra e R$ 4,2101 na venda. O dólar futuro com vencimento em fevereiro tinha ganhos de 0,63% a R$ 4,2105.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu seis pontos-base a 4,92%, o DI para janeiro de 2023 recuou cinco pontos-base a 5,50% e o DI para janeiro de 2025 perdeu um pontos, a 6,28%.

É hora de comprar ou vender ações?

Júlio Fernandes, gestor da XP, afirma que ainda está cauteloso, tentando mapear e entender a extensão do impacto econômico do coronavírus antes de dar um veredicto. “Nós acompanhamos o desenvolvimento da doença e aguardamos uma estabilização, que deve demorar um ou dois meses. Por enquanto estamos protegendo a nossa carteira”, revela.

Por outro lado, Fernandes entende que o longo prazo segue positivo, com boas perspectivas de crescimento para a economia brasileira diante da agenda reformista implementada pelo governo. “Estamos otimistas porque não vemos a recuperação como algo de um ano. No curto prazo há diversos ruídos e as ações ligadas a commodities sofrem porque são expostas à China, porém o cenário para o futuro não mudou”.

Na mesma linha, a equipe de análise do Morgan Stanley, liderada pelo estrategista James Lord, considera que não é uma boa ideia ajustar a visão geral que o banco possui para ativos de risco de mercados emergentes por causa do vírus. “Embora o coronavírus represente um risco a curto prazo, este deve ser temporário em meio a políticas estimulativas em andamento”, entenderam os analistas.

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Adotando um tom mais positivo, a equipe de análise do JPMorgan defendeu que a turbulência global é um ótimo momento para comprar ativos com desconto. Os estrategistas do banco contam que por mais que a onda vendedora possa continuar antes que os temores se dissipem, no passado, os grandes surtos levaram a uma desvalorização de 4,7%, em média nas bolsas.

“Temores sobre saúde, semelhantes às campanhas de guerra localizadas, bem como incidentes terroristas, foram historicamente oportunidades de compra, e não razões para vendas sustentadas”, escreveram os estrategistas do JPMorgan, Mislav Matejka, Prabhav Bhadani e Nitya Saldanha.

Já o analista Gustavo Medeiros, da Ashmore, afirma que apesar da rapidez do contágio ser preocupante, a reação das autoridades chinesas e internacionais foi rápida e decisiva, reduzindo o risco de proliferação global da doença. “Isso torna o selloff atual uma oportunidade para compras”, destaca.

Medeiros explica vírus é da mesma natureza da SARS, que também surgiu na China e matou 800 pessoas em 2003. Embora o número de pessoas seja menor do que naquela época, o analista lembra que o novo vírus possui um período de incubação de duas semanas antes dos sintomas serem desenvolvidos, de modo que milhares de pessoas podem ser portadoras da doença sem saberem.

O lado bom, ele aponta, é que dessa vez a China foi muito mais responsável e célere em admitir a existência da doença e combater a transmissão dela do que em 2003. “Dada a ampla atenção e o cuidado dedicado a combater o coronavírus, o impacto no crescimento do [Produto Interno Bruto] PIB provavelmente será efêmero e a volatilidade criará uma oportunidade de compra de ativos”, avalia o analista da Ashmore.

Mas como em renda variável nunca é tão fácil prever as consequências de um evento, o analista Lucas Collazo, da Rico Investimentos, ressalta a importância da cautela, pois esperar por notícias vindas da China, um país fechado e com histórico de manipulação de dados, é, na opinião dele, imprudente.

“Caso o coronavírus estenda seus efeitos, os indicadores econômicos do primeiro trimestre podem ser duramente impactados. E com os juros tão baixos mundo afora, os Bancos Centrais podem ter menos ferramentas para estimular as economias”.

O que mais movimentou a Bolsa?

Aos temores relacionados ao coronavírus somaram-se o movimento esticado das ações desde o fim de 2019 e o novo bombardeio na embaixada americana em Bagdá e ao indicador de confiança pior que o esperado na Alemanha (o IFO Business Climate recuou de 96 3 para 95 9 enquanto esperava se alta para 97 e temos uma manhã bastante negativa nos mercados.

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Entre os indicadores, o Relatório Focus do Banco Central mostrou que ficaram estáveis as expectativas do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,31% para 2020 e em 2,5% em 2021.

Já para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) as perspectivas foram revisadas de 3,56% para 3,47% para 2020 e mantiveram-se em 3,75% para 2021.

A projeção da taxa de câmbio subiu de R$ 4,05 para R$ 4,10 em 2020 e ficou em R$ 4,00 para 2021. Já para a Selic a perspectiva foi reduzida de 4,5% para 4,25% em 2020 e manteve-se em 6,25% para 2021.

Os mercados estão de olho na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) nos Estados Unidos, que terá decisão na quarta-feira; também observam os resultados das empresas de tecnologia como Apple, Facebook e Google.

No Brasil, o mercado fica de olho na temporada de balanços, que terá início hoje com os resultados da Cielo. No noticiário corporativo, destaque para a notícia de que a Invepar prepara a venda da sua participação no Aeroporto de Guarulhos (SP).

Noticiário corporativo 

A Invepar, grupo de infraestrutura que administra empresas de transportes, prepara a venda da sua participação no Aeroporto de Guarulhos (SP). A empresa carioca não comentou a notícia, publicada ontem no jornal O Globo. Já a Copasa – Companhia de Saneamento de Minas Gerais – (CSMG3) teve o seu rating elevado pela agência de classificação de risco Moody’s.

Ainda no radar, a Vale (VALE3) acionou o nível 2 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração da Barragem Sul Inferior, da Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG). “Em razão das fortes chuvas na região, ocorreu uma erosão na parte interna do reservatório da estrutura, que se mantém estável”, disse a Vale.

O Credit Suisse manteve as ações do Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3;BBDC4) como top pick, também mantendo recomendação outperform para o Itaú Unibanco (ITUB4). Os analistas ainda elevaram a recomendação para o Santander Brasil de neutro para outperform.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
VIVT40.834260.44
RADL30.8065125
TIMP30.671116.5
ECOR30.634919.02
RENT30.058451.44

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
GGBR4-7.937219.95
CSNA3-7.7813.75
GOAU4-7.51459.6
VVAR3-7.333313.9
MRFG3-7.272711.22

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O banco Credit Suisse informou que iniciou a cobertura da Eletrobras, com uma projeção melhor para as ações preferenciais que para as ordinárias. O banco projeta um preço-alvo de R$ 50,30 para a ação preferencial (ELET6) da estatal elétrica, uma alta de 22,4% sobre o valor atual do papel.

Já para a ação ordinária (ELET3), o Credit Suisse prevê um preço-alvo de R$ 45,90, uma alta de 12,1% sobre o preço atual. A classificação do papel ELET3 é neutra, enquanto a classificação da ação preferencial ELET6 é de desempenho acima da média. “Para enxergarmos um upside melhor nas ações ordinárias, é preciso que a privatização aconteça”, comenta o banco.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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