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Ibovespa cai mais de 15% após topo histórico; só 6 ações escapam da correção

Após renovar máxima histórica em abril, o Ibovespa acumula queda superior a 15%, registra a pior sequência semanal de perdas de sua história e vê apenas seis ações permanecerem no campo positivo.

Rodrigo Paz

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O Ibovespa atravessa uma das correções mais intensas de sua história recente desde que registrou a máxima histórica de 199.354 pontos em 14 de abril. De lá para cá, o principal índice da Bolsa brasileira passou a acumular perdas expressivas, perdeu a marca dos 170 mil pontos e completou oito semanas consecutivas de queda — a pior sequência semanal negativa já registrada pelo mercado brasileiro.

A realização de lucros após o forte rali de alta observado no primeiro trimestre de 2026 provocou uma mudança significativa no comportamento dos investidores. O fluxo comprador perdeu força, enquanto a pressão vendedora passou a dominar o mercado, levando o índice a devolver parte relevante dos ganhos acumulados ao longo do ano.

O movimento de correção atingiu praticamente todo o Ibovespa. Desde o topo histórico, apenas seis ações conseguiram permanecer no campo positivo. O destaque absoluto ficou para a Usiminas (USIM5), que avançou 59,03% no período. Na sequência aparecem Gerdau (GGBR4), com alta de 9,63%, Metalúrgica Gerdau (GOAU4), com ganho de 7,97%, Ambev (ABEV3), com valorização de 1,20%, Brava Energia (BRAV3), que subiu0,52%, e BB Seguridade (BBSE3), com avanço de 0,39%.

Por outro lado, a maior parte das ações do índice acumulou perdas relevantes. Entre as maiores baixas desde a máxima histórica do Ibovespa estão Magazine Luiza (MGLU3), com recuo de 42,27%; CSN Mineração (CMIN3), que caiu 37,64%; MRV (MRVE3), com baixa de32,49%; Vamos (VAMO3), com perda de 30,64%; Marfrig (MRFG3), que recuou 28,99%; Cogna (COGN3), com queda de28,05%; e Cyrela (CYRE3), que acumulou desvalorização de28,04%.

A intensidade da correção também chama atenção pelo número de empresas fortemente afetadas. Ao todo, 25 ações do Ibovespa registram perdas superiores a 20% desde o topo histórico de abril, evidenciando que o movimento vendedor foi disseminado por diversos setores da economia e não ficou restrito a casos isolados.

Confira a lista completa no final deste post.

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O que esperar do Ibovespa?

O desafio do mercado agora é recuperar o fluxo comprador e recolocar o Ibovespa na direção dos 200 mil pontos. Uma retomada consistente dessa região poderia abrir espaço para novas máximas históricas.

Enquanto isso não acontece, o cenário segue mais cauteloso, com maior volatilidade e oscilações intensas no curto prazo. Em uma leitura mais negativa, a continuidade da pressão vendedora pode levar o índice a testar as regiões de 160 mil e até 150 mil pontos ao longo das próximas semanas.

No gráfico semanal, o Índice de Força Relativa – IFR (14) está em 43,61 pontos, em faixa neutra, refletindo a perda de força compradora após o forte rali de alta registrado nos primeiros meses do ano.

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Do topo à correção: o que aconteceu após o recorde

Entre a máxima histórica registrada em 14 de abril e o fechamento de 8 de junho, o Ibovespa passou por uma forte correção e já acumula queda superior a 15% em relação ao topo de 199.354 pontos. O movimento devolveu parte relevante dos ganhos conquistados durante o forte rali do primeiro trimestre, embora o índice ainda sustente valorização de 4,68% em 2026.

A realização de lucros foi ampla e atingiu a maior parte dos setores da Bolsa. Segmentos mais ligados à economia doméstica, como varejo, construção civil e educação, estiveram entre os mais penalizados no período, refletindo a redução do apetite por risco e a migração dos investidores para ativos considerados mais defensivos.

Por outro lado, empresas dos setores de siderurgia, mineração e energia mostraram maior resistência durante a correção. O destaque ficou para a Usiminas (USIM5), que avançou mais de 59% desde a formação do topo histórico do índice, enquanto Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) também figuram entre os poucos papéis que conseguiram acumular ganhos no período.

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O contraste entre os setores evidencia uma mudança importante na dinâmica do mercado. Enquanto ações cíclicas e mais dependentes da atividade doméstica lideraram as perdas, companhias ligadas a commodities e à indústria pesada conseguiram atravessar o período de turbulência com desempenho significativamente superior ao restante da Bolsa.

Análise técnica Ibovespa

Pelo gráfico semanal, o Ibovespa segue em movimento corretivo desde a máxima histórica de 199.354 pontos registrada em abril. O índice acumula mais de 15% de queda desde o topo, perdeu a região dos 170 mil pontos e completou oito semanas consecutivas de baixa, sequência inédita em sua história.

A pressão vendedora permanece predominante, com o índice negociando abaixo das médias móveis de 9 e 21 semanas, atualmente em 176.760 e 182.480 pontos, respectivamente. Para que o mercado volte a mostrar sinais mais consistentes de recuperação, será importante retomar essas regiões e, posteriormente, buscar a resistência em 190.726 pontos.

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Do lado da baixa, o primeiro suporte relevante está em 164.780 pontos. A perda dessa faixa pode abrir espaço para movimentos em direção aos 153.570 pontos e, em um cenário mais negativo, à região dos 140.230 pontos. A média móvel de 200 semanas, em b, segue como importante suporte de longo prazo.

O IFR (14) está em 43,61 pontos, em território neutro, indicando perda de força compradora, mas ainda sem sinalizar condição de sobrevenda no gráfico semanal.

Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz

Maior baixa após rali: Magazine Luiza (MGLU3)

Pelo gráfico semanal, as ações da Magazine Luiza (MGLU3) seguem em tendência de baixa e renovaram as mínimas da ampla faixa de consolidação que predominava desde o segundo semestre de 2025. O papel acumula forte desvalorização desde o topo histórico do Ibovespa e continua negociando abaixo das médias móveis de 9 e 21 semanas, reforçando o controle dos vendedores.

No curto e médio prazo, a perda da região dos R$ 5,35 aumentou a pressão baixista e mantém o ativo próximo de um suporte importante em R$ 5,23. Caso essa faixa seja rompida, o movimento pode ganhar continuidade em direção aos R$ 4,81, R$ 4,00 e R$ 3,67.

Para interromper o fluxo negativo, será necessário retomar inicialmente a região de R$ 6,71. Acima desse nível, as próximas resistências estão em R$ 7,85, R$ 9,66 e R$ 11,44.

O IFR (14) está em 28,42 pontos, já em região de sobrevenda, indicando que o papel pode até apresentar repiques técnicos no curto prazo, mas ainda sem sinais consistentes de reversão da tendência principal.

Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz

Maior alta após rali: Usiminas (USIM5)

Pelo gráfico semanal, as ações da Usiminas (USIM5) seguem como um dos principais destaques de alta do Ibovespa desde a máxima histórica do índice. O papel rompeu importantes resistências ao longo das últimas semanas, acelerou o movimento comprador e renovou máximas que não eram vistas desde 2023.

A tendência permanece positiva, com o ativo negociando acima das médias móveis de 9, 21 e 200 semanas, configuração que reforça a força do movimento atual. No curto prazo, a região de R$ 12,18 é a primeira resistência relevante. Acima dela, os próximos objetivos ficam em R$ 12,86, R$ 14,15 e R$ 15,42.

Por outro lado, após a forte valorização recente, não estão descartados movimentos de realização. Os principais suportes estão em R$ 10,72 e R$ 9,75. A perda dessas faixas pode abrir espaço para correções mais amplas em direção aos R$ 8,64, R$ 7,15 e R$ 6,08.

O IFR (14) está em 86,29 pontos, em região de sobrecompra, sinalizando um movimento bastante esticado no curto prazo e que pode favorecer ajustes ou consolidações antes de novas tentativas de alta.

Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz

Fonte: Economática; período de 14/4 e 8/6

(Rodrigo Paz é analista técnico)

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