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Ibovespa cai 1,16% com peso de Petrobras, Vale e companhias ligadas ao mercado interno

Falas do presidente da estatal de petróleo e do presidente da república pesaram sobre os papéis da petroleira e da mineradora

Vitor Azevedo

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O Ibovespa fechou em queda de 1,16% nesta quarta-feira (28), aos 130.155 pontos, voltando ao patamar dos 130 mil pontos e apagando boa parte dos ganhos da véspera, quando subiu 1,61%. Hoje, o principal índice da Bolsa brasileira foi puxado para baixo, principalmente, pelas ações da Petrobras (PETR4) e da Vale (VALE3), mas também contou com ajuda do cenário macroeconômicos.

Os papéis ordinários e preferenciais da petroleira estatal, com peso relevante no Ibovespa, caíram, respectivamente, 5,39% e 5,16%, após o seu presidente, Jean Paul Prates, falar em “cautela quanto à distribuição de dividendos”, de olho no investimento para seguir o projeto de transição energética. 

Diego Faust, operador de renda variável da Manchester Investimentos, explica que boa parte da alta vista nos papéis da companhia no ano passado se deu pelo fato de ela ter distribuido dividendos extraordinários. “Sabendo da necessidade do Governo de receber esses dividendos, havia uma segurança grande de que a política se manteria. O volume de compra se deu por isso. Hoje, ´porém, houve uma possível frustração quanto a essa questão”, explica.

Outra dúvida levantada por analistas é como a Petrobras investirá da sua forte geração de caixa. “Historicamente, a Petrobras não possui um bom track record de aquisições de unidades ou empresas, bem como, a eventual mudança na política de dividendos apresenta um risco adicional ao case, que nos últimos anos foi um dos maiores pagadores de dividendos do mundo”, explica Leandro Petrokas, diretor de research da Quantzed.

A Petrobras, no fim da tarde, porém, defendeu que não há qualquer decisão tomada sobre a distribuição de dividendos e investimentos.

Fora a Petrobras, ainda em commodities, as ações ordinárias da Vale (VALE3), outra com peso relevante no Ibovespa, caíram 1,10% – mas não por conta do minério, que subiu 1,08% no porto chinês de Dalian. O que pesou na mineradora foram falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou “mais responsabilidade” da Vale, disse que a mineradora “não pode ter monopólio” e defendeu que ela deve “acompanhar políticas de governo”.

Por fim, empresas ligadas ao cenário interno também tiveram forte queda, repercutindo a alta da curva de juros. As ações ordinárias da EzTec (EZTC3) perderam 3,77%, as da MRV (MRVE3), 3,33% e as do Magazine Luiza (MGLU3), 1,36%. 

Quanto à curva de juros, os DIs para 2025 ganharam um ponto-base, a 9,95%, e os para 2027, três pontos, a 10,03%. As taxas dos contratos para 2029 subiram 1,5 ponto, a 10,46%. 

Entre os principais fatores para a alta, especialistas apontam um certo mal-estar do mercado com a decisão do governo de transferir a proposta de reoneração da folha de pagamentos de 17 setores de uma medida provisória para um projeto de lei. Fora isso, houve também o avanço de 6,8% das despesas públicas trazido nos gastos do governo central. Apesar do superávit em janeiro – em parte explicado por questões sazonais -, os gastos tiveram chegaram R$ 158,3 bilhões. Os dois pontos pesam do lado fiscal.

Os DIs foram na direção oposta dos treasuries yields, que geralmente têm forte influência sobre os juros brasileiros. Os títulos do tesouro americano para dez anos perderam 4,7 pontos-base, a 4,268%, após o PIB dos Estados Unidos no quarto trimestre de 2023 vir com alta de 3,2%, um pouco abaixo do consenso, que era de 4,3%.

Por lá, os principais índices também fecharam em queda. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram, respectivamente, 0,06%, 0,17% e 0,55%.

O dólar, por fim, subiu 0,74%, a R$ 4,969 na compra e na venda. Depois de ceder 1,20% nos últimos dois dias, o dólar à vista subiu ante o real com investidores recompondo posições compradas com o auxílio do exterior, onde a moeda norte-americana também avançava.