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Ibovespa cai 0,88%, em mais um dia marcado por cautela sobre economia global e bancos dos EUA; dólar recua 0,15%

Nos Estados Unidos, ações do First Republic Bank continuam recuando e ofuscaram resultados de Big Techs

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O Ibovespa fechou em queda de 0,88% nesta quarta-feira (26), aos 102.312 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira acompanhou, em grande parte com o mercado externo, mas também repercutiu algumas notícias locais.

Em Nova York, Dow Jones e S&P 500 recuaram, respectivamente, 0,68% e 0,38%. O Nasdaq, porém, avançou 0,47%, com os bons resultados de techs.

Por lá, o temor com a saúde do sistema financeiro segue aumentando após o resultado do First Republic Bank. As ações do banco tiveram mais um dia de forte queda, fechando com baixa de quase 30%. O VIX, considerado o índice do medo, voltou a subir, com alta de 1,65%, aos 19,07 pontos.

O recuo das instituições financeiras americana acabou ofuscando a alta de companhias de tecnologia, que vêm trazendo resultados melhores do que o esperado – caso da Microsoft, na véspera.

“Mercado não está otimista. A Vale (VALE3) até tenta segurar a alta, após o minério avançar mais de 2%, mas o setor financeiro brasileiro cai, bem como o de petróleo, com o temor de uma recessão e também com incertezas quanto à saúde do setor financeiro dos Estados Unidos”, diz Leonardo Santana, analista da Top Gain Research.

O minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian subiu 2,33%, a US$ 104,81 a tonelada, após fecharem as negociações diurnas em leve queda. As ações ordinárias da Vale (VALE3) acompanharam parte da movimentação e ganharam 0,39%, com investidores também aguardando a publicação do resultado do primeiro trimestre da companhia, que acontece após o fechamento. A CSN Mineração (CMIN3) subiu 3,28%.

Do outro lado, acompanhando a queda do petróleo – com o barril Brent recuando 3,86% -, as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR4) perderam 1,26%. Também entre as maiores quedas do Ibovespa por peso, ficaram as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4), com menos 1,46%, as do Itaú (ITUB4), com menos 1,02%, e as unitárias do Santander (SANB11), com menos 1,39%.

“Dado a queda do contrato DI nos prazos mais longos nas últimas semanas, que impacta a taxa de desconto, era de se esperar uma performance mais favorável para as ações em geral, movimento esse que não se concretizou nem hoje nem nos últimos pregões”, explica Matheus Sanches, sócio e analista da Ticker Research. “Em geral, as commodities têm puxado o Ibovespa para baixo, com os setores de siderurgia e mineração performando mal nos últimos dias apesar de hoje”.

A curva de juros brasileira fechou mista, com investidores repercutindo a divulgação do IPCA-15, que veio abaixo do consenso, mas com núcleos fortes.

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Além disso, durante a tarde, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, suspendeu o julgamento dos processos no Superior Tribunal de Justiça que dizem respeito à possibilidade de exclusão dos benefícios fiscais de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Mendonça avocou o tema para ser julgado no plenário do STF por entender que se trata de questão constitucional, a pedido da Associação Brasileira do Agronegócio.

O julgamento conjunto de ações envolvendo benefícios tributários, pelas contas da equipe econômica do ministro Fernando Haddad, têm impacto potencial de R$ 88 bilhões por ano para os cofres federais. Ou seja, a suspensão pode pesar nas contas da União.

Os DIs para 2024 e 2025 ganharam, ambos, cinco pontos-base, a 13,23% e 11,85%. Os contratos para 2027 ficaram estáveis. Os para 2029 e 2031 perderam, respectivamente, quatro e cinco pontos, a 11,71% e 12,08%.

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O dólar, por fim, ficou próximo da estabilidade, com queda de 0,15%, a R$ 5,057 na compra e na venda. No exterior, o DXY, que mede a força da moeda americana frente a outras divisas de países desenvolvidos, também perdeu força, com baixa de 0,38%, aos 101,48 pontos.