Conteúdo editorial apoiado por
IM Trader

Ibovespa cai 0,49% na sessão, com ajuste e falas de dirigente do Fed, mas sobe 2,44% na semana

Falas de dirigente do banco central americano, e dados econômicos mais fracos no mesmo país, desencadearam ajustes

Vitor Azevedo

Publicidade

O Ibovespa fechou em queda de 0,49% nesta sexta-feira (15), aos 130.197 pontos, mas acumulou uma alta de 2,44% na semana – que foi marcada ainda pelo índice alcançando novas máximas históricas. Hoje, o pregão, apesar do alcance de uma nova máxima intradiária no começo da sessão, foi de ajuste e de maior cautela, principalmente após algumas falas de autoridades monetárias dos Estados Unidos.

“O declínio é atribuído em parte às declarações de John Williams, dirigente do Federal Reserve dos Estados Unidos, que indicou que é prematuro discutir a diminuição das taxas de juros na maior economia do mundo”, fala Luiz Felipe Bazzo, CEO do transferbank Brasil.

As máximas alcançadas pelo Ibovespa nos últimos pregões foram atribuídas principalmente às recentes sinalizações do Federal Reserve que, apesar de ter mantido a taxa de juros inalterada, na quarta, trouxe em seu documento a possibilidade de até três cortes de juros no próximo ano, o que puxou as taxas para baixo.

Masterclass

As Ações mais Promissoras da Bolsa

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de valorização para os próximos meses e anos, e assista a uma aula gratuita

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Hoje, nos Estados Unidos, os treasuries yields, os rendimentos pagos pela dívida pública do país, tiveram uma leve alta na ponta curta, repercutindo as falas do diretor do Fed de Nova York. O para dois anos ganhou 4,6 pontos-base, indo a 4,445%. Os para dez anos, no entanto, perderam 1,7 ponto-base, a 3,913%.

Os principais índices acionários fecharam com tendência mista. Enquanto Dow Jones e Nasdaq avançaram 0,15% e 0,35%, o S&P 500 teve leve queda de 0,01%.

“Acredito que os investidores precisavam encontrar algum motivo para realizar uma parte dos lucros recentes, aproveitando as falas de presidentes de regionais do Fed, John Williams (Nova York) e Raphael Bostic (Atlanta), aparentemente tentando abaixar o ânimo com a expectativa de cortes de juros no início de 2024″, diz Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.

Alguns dados macroeconômicos, por lá, também repercutiram. O índice Empire State de Atividade industrial de dezembro teve leitura negativa de 14,50, contra projeção positiva de 2, e o PMI Industrial de dezembro ficou em 48,2 , aquém do consenso de 49,3. A produção industrial de novembro teve alta de 0,2% na base mensal, menos do que o consenso, que era de 0,3%.

“Hoje o mercado trabalhou dentro de uma certa lateralidade. Depois do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), a gente viu os investidores reagindo com bastante otimismo, mas agora os ânimos já estão mais acalmados. Apesar de tudo, ainda não existe uma convicção de que há espaço para novas altas”, fala Thiago Lourenço, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

O dólar ganhou força mundialmente, em parte por conta do temor de uma economia americana mais fraca, que aumenta a aversão ao risco, e também por conta do leve avanço dos treasuries. O DXY subiu 0,57%, aos 102,54 pontos. Frente ao real a alta foi de 0,45%, a R$ 4,936 na compra e a R$ 4,937 na venda.

A curva de juros brasileira fechou em leve queda, após, na véspera, ter subido – indo na contramão do exterior nos dois dias. Os contratos para 2025 perderam dois pontos-base, a 10,09%, e os para 2027, 1,5 ponto, a 9,80%. As taxas dos DIs para 2029 perderam três pontos, a 10,21%, e as dos para 2031, quatro pontos, a 10,48%.

“A volatilidade presente no mercado acionário brasileiro parece ser reflexo não apenas das influências externas, como as flutuações nas bolsas dos EUA após um período de altas consecutivas, mas também das dinâmicas internas do país, como as decisões políticas e legislativas em discussão no Congresso”, fala Bazzo, do transferbank.

Se ontem a curva subiu com a prorrogação da desoneração da folha de pagamento, que afasta o Governo Federal da sua meta de déficit zero em 2024, hoje o dia foi marcado pela aprovação do texto-base da MP das subvenções, que deve somar R$ 35,3 bilhões ao caixa da União apenas em 2024, diminuindo um pouco o risco fiscal. No fim do pregão a Câmara também aprovou o texto-base da reforma tributária em primeiro turno.