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O Ibovespa fechou em queda de 0,18% nesta terça-feira (14), aos 102.932 pontos, descolado do que foi visto no exterior. De acordo com especialistas, a palavra dominante no cenário interno, por enquanto, é “cautela”, enquanto lá fora as notícias recentes despertaram algum otimismo.
Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram, respectivamente, 1,06%, 1,68% e 2,14%.
“Hoje as bolsas no exterior amanheceram mais positivas. O mercado está achando que o Federal Reserve fez o correto em estancar o risco bancário, ajudando o SVB [Silicon Valley Bank, que quebrou no fim da última semana]. Além disso, o CPI [índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês], veio praticamente em linha com o consenso“, comenta Fernando Bresciani, analista de investimento do Andbank.
O índice de inflação dos Estados Unidos de fevereiro subiu 0,4%, igual àquilo que o consenso Refinitiv previa.
“Após a quebra do Silicon Valley Bank, o mundo está dividido entre uma de alta de 25 pontos-base e uma queda de 25 pontos na próxima semana, sendo que antes o consenso era de uma alta de 50 pontos”, explica Bresciani.
Os treasuries yields, após as fortes quedas registradas nos últimos dias, com o mercado acreditando que o Fed irá interromper a alta de juros para evitar maiores impactos nos bancos americanos, subiram, na esteira da inflação. O título para dez anos ganhou 16,3 pontos-base, a 3,678%. e o para dois anos avançou 22 pontos, a 4,25%.
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“A divulgação do CPI próximo das previsões de mercado acabou tendo uma influência menor. A demonstração do Fed de estar atento ao perigo de contágio e de instruir o FDIC a pagar 100% dos depósitos nos bancos que quebraram , SVB e Signature , conseguiram tranquilizar os investidores e puxar o S&P 500 e Nasdaq para cima”, diz Fernando Bento, CEO da FMB Investimentos.
No Brasil, porém, o sentimento continuou de aversão ao risco – assim como em outros mercados emergentes, que sofrem mais em épocas de incertezas quanto à economia global. O MSCI Emerging Markets ETF fechou estável, com apenas 0,05% de alta, apesar do otimismo visto nos índices americanos.
“Existem algumas narrativas. A de que a quebra do banco americano pode fazer o Federal Reserve abrandar a política de juros, o que seria positivo na margem e resvalaria no nosso ciclo monetário, possivelmente. O mercado, como um todo, está observando isso de perto. Temos reprecificações importantes na curva, até mais do que o Ibovespa, uma vez que é ela que está massacrando os valuations“, comenta Felipe Moura, sócio e analista da Finacap Investimentos. “Nos últimos dias, a nossa curva de juros fechou, também em cima da esperança de que o Banco Central irá começar o corte de juros e de olho na nova regra fiscal que está no forno”.
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Hoje a curva de juros brasileira se recuperou das quedas recentes. Os DIs para 204 ganharam sete pontos-base, com a taxa indo para 13,07%, bem como os para 2025, que foram a 12,23%. Os contratos para 2027 foram a 12,60% e os para 2029, a 13,04%, com mais 12,5 e 16 pontos, respectivamente. Os DIs para 2031 ganharam 19 pontos, a 13,24%.
Entre as maiores quedas do Ibovespa, com isso, ficaram algumas companhias muito ligadas ao mercado interno. As ações ordinárias da CVC (CVCB3) perderam 7,89%, as da Qualicorp (QUAL3), 4,84% e as da Rede D’Or (RDOR3), 5,07%. Os papéis da Natura (NTCO3) recuaram 17,49%, após a companhia divulgar um resultado que não agradou o mercado.
O dólar, contudo, perdeu força frente ao real, com queda de 0,22%, a R$ 5,256 na compra e a R$ 5,257 na venda.