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O Ibovespa fechou em alta de 0,37% nesta quinta-feira (4), aos 102.174 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira foi auxiliado, principalmente, pelas ações da Petrobras (PETR3;PETR4) e conseguiu destoar das quedas registradas no exterior, em um pregão de forte volatilidade.
Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram, respectivamente, 0,86%, 0,72% e 0,49%.
Por lá, o dia foi marcado pelo o aumento da tensão em relação à saúde dos bancos regionais. As ações do PacWest, banco da California, recuaram mais de 50% após circular a notícia de que a instituição está avaliando possíveis vendas de bens estratégicos. O VIX, considerado o índice do medo, subiu 9,76%, chegando aos 20,13 pontos.
Não ajudou na melhora desse sentimento de temor o fato de o Federal Reserve ter, na véspera, aumentado a taxa básica de juros americana em 25 pontos-base, para o intervalo entre 5% e 5,25% – além do tom trazido pelas autoridades, que sinalizaram que os patamares podem ficar elevados por um tempo mais longo. Bancos regionais vêm sofrendo majoritariamente por conta das taxas mais altas, com o número de empréstimos caindo, menores investimentos e impacto direto em seus balanços patrimoniais.
Os treasuries yields americanos recuaram. Os títulos para dois anos perderam 17,1 pontos-base, a 3,768%, e os para dez anos, 3,6 pontos, a 3,367%.
“Mercados seguem repercutindo as decisões dos bancos centrais. Nos Estados Unidos, tivemos a alta de 25 pontos-base, com possível pausa do aperto. Por aqui, a taxa foi mantida, com o comunicado trazendo um pouco mais de cautela”, diz Leandro De Checchi, analista de Investimentos da XP. “Curva de juros cede bastante, refletindo a manutenção da Selic. Também um pouco com as commodities, que indicam uma possível desinflação global”.
“Ainda há muito incerteza no mundo. Na minha leitura, o Campos Neto deixou em aberto e praticamente descartou a possibilidade novos aumentos. Bateu, porém, muito na tecla de que há expectativas a serem ancoradas. Ficou dúvida de quando se iniciará o movimento de queda da Selic”, fala Marco Saravalle, analista CNPI-P e sócio-fundador da SaraInvest.
A curva de juros brasileira fechou em queda. Os DIs para 2024 perderam dois pontos-base, a 13,21%, e os para 2025, 6,5 pontos, a 11,79%. Os contratos para 2027 ficaram com uma taxa de 11,51%, com menos nove pontos, e os para 2029, 11,87%, com menos cinco pontos. Os DIs para 2031 perderam três pontos, a 12,11%.
“Quanto ao Copom, pode ter sido um ponto de inflexão, com mudança na curvatura do discurso fortemente hawkish e início muito discreto de um tom menos duro. Não foi uma comunicação compatível com quedas de juros no curto prazo, com reflexo na curva de médio e longo prazos, onde a queda dos DIs foi mais perceptível”, diz Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.
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Entre as maiores altas do Ibovespa, ficaram também algumas companhias ligadas ao mercado interno. As ações ordinárias da Magazine Luiza (MGLU3) subiram 6,59%, as da Via (VIIA3), 4,44% e as da MRV (MRVE3), 5,42%.
Os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras também ajudaram na alta, com mais 1,46% e 1,59%. A companhia trouxe ontem dados de produção que foram considerados positivos, além de que foi noticiado que a empresa está cobrando preços maiores pelo diesel e pela gasolina em suas refinarias do que o que é visto no mercado internacional.
Outros destaques também ficaram para companhias que divulgaram resultados e fizeram teleconferências – caso da Ultrapar (UGPA3), do GPA (PCAR3) e da Lojas Renner (LREN3).
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Por fim, o dólar fechou estável frente ao real, com alta de 0,02%, a R$ 4,992 na compra e a R$ 4,993 na venda. A moeda acompanhou o movimento visto no exterior, uma vez que o DXY, índice que mede a força da divisa americana frente outras de países desenvolvidos, ganhou 0,08%.
“A política contracionista adotada pelo Fed vem impactando os resultados dos bancos, o noticiário negativo no setor intensificou sentimento de cautela global ao risco e trouxe maior volatilidade ao câmbio hoje, as incertezas levaram o dólar a oscilar”, explica Diego Costa, Head de Câmbio para o Norte e Nordeste da B&T Câmbio.