Ibovespa chega a subir mais de 2% e bate os 181 mil pontos com petroleiras

Após apresentar alguma instabilidade na primeira hora de negociação, o índice encontrou suporte em blue chips de grande peso na carteira teórica

Publicidade

O Ibovespa ampliou os ganhos ao longo da manhã desta terça-feira e voltou a superar os 181 mil pontos, impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras e dos grandes bancos, em um pregão marcado pela repercussão dos dados do PIB brasileiro do segundo trimestre.

Após apresentar alguma instabilidade na primeira hora de negociação, o índice encontrou suporte em blue chips de grande peso na carteira teórica. Por volta do início da tarde, o Ibovespa avançava cerca de 1,80%, acima dos 181 mil pontos, renovando as máximas desde maio e caminhando para a décima sessão consecutiva de alta.

O mercado reagiu ao resultado do PIB do segundo trimestre, que cresceu 0,5% na comparação com os três meses anteriores. Embora o dado tenha vindo ligeiramente acima das expectativas, analistas avaliam que a expansão foi concentrada no agronegócio, enquanto segmentos importantes da economia mostraram desaceleração. Na visão de Matheus Spiess, da Empiricus, uma análise mais detalhada do indicador reforçou a percepção de que ainda há espaço para novos cortes da taxa Selic.

A leitura também é compartilhada por economistas. Segundo Vitor Kayo, da Nomad, o resultado confirma um processo de desaceleração gradual da atividade econômica, refletindo os efeitos dos juros elevados e da redução dos estímulos fiscais. Para ele, o dado tende a ser recebido com alívio pelo Banco Central, por indicar que a política monetária restritiva continua produzindo efeitos sobre a economia.

No cenário doméstico, investidores também seguem acompanhando os desdobramentos políticos. A redução da distância entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais é vista por parte do mercado como um fator que pode aumentar as chances de um ajuste fiscal mais rigoroso a partir de 2027, favorecendo a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.

Juros no exterior

No exterior, o ambiente era menos favorável para ativos de risco. As bolsas norte-americanas operavam em queda diante das preocupações com a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Ainda assim, o mercado brasileiro encontrou sustentação na valorização das commodities, especialmente do petróleo.

Os contratos da commodity avançavam mais de 2% após a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, movimento que beneficiava diretamente as ações da Petrobras. Os papéis preferenciais da estatal subiam mais de 3%, enquanto os ordinários avançavam cerca de 2,5%. Além da alta do petróleo, investidores repercutiam o aumento de 13,9% no preço médio do querosene de aviação (QAV) e dados da ANP mostrando produção recorde de petróleo no Brasil em julho.

Outro destaque positivo veio do setor financeiro. Banco do Brasil liderava os ganhos entre os grandes bancos, com valorização superior a 3%, enquanto Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual também operavam no azul, contribuindo para o desempenho do índice.

Entre as demais blue chips, a Vale subia mais de 1%, descolando-se do comportamento mais fraco observado entre mineradoras no exterior. Já a Natura avançava mais de 4%, dando continuidade à reação positiva às recentes mudanças em sua estrutura de comando.

Continua depois da publicidade

Apesar da forte recuperação recente da Bolsa, o fluxo estrangeiro continua no radar dos investidores. Dados da B3 mostraram saída líquida de R$ 130 milhões no pregão de 28 de agosto, encerrando uma sequência de cinco sessões de entradas. Com isso, o saldo dos investidores estrangeiros em agosto permanecia negativo em aproximadamente R$ 18,6 bilhões.

A combinação entre expectativas de novos cortes da Selic, valorização das commodities e desempenho positivo das principais ações do índice ajudava o Ibovespa a sustentar os ganhos, mesmo diante do cenário externo mais cauteloso, levando o benchmark brasileiro novamente ao patamar dos 181 mil pontos.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Continua depois da publicidade

Autor avatar
Camille Bocanegra
Mercados | Mundo | Onde Investir

Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.