IA chinesa Moonshot negocia rodada pré-IPO com valuation de até US$ 50 bilhões

Embalada pela repercussão do modelo Kimi K3, startup chinesa de inteligência artificial prepara nova rodada de captação antes do IPO em Hong Kong

Bloomberg

O logo da Moonshot AI Inc. em um smartphone. Fotógrafo: Lam Yik/Bloomberg
O logo da Moonshot AI Inc. em um smartphone. Fotógrafo: Lam Yik/Bloomberg

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A Moonshot AI se prepara para abrir, em agosto, conversas sobre uma rodada final de captação antes de estrear na Bolsa de Hong Kong, aproveitando o entusiasmo em torno de seu modelo mais recente para buscar recursos a uma avaliação que pode chegar a US$ 50 bilhões.

Segundo pessoas a par do assunto, o laboratório chinês de inteligência artificial deve concluir nos próximos dias uma rodada de financiamento iniciada neste verão, com valuation de US$ 31,5 bilhões. Assim que essa operação for fechada, a Moonshot pretende iniciar imediatamente negociações com potenciais investidores para uma nova captação. Essa deve ser a última injeção de capital antes de um IPO, que pode acontecer já neste ano.

A rapidez com que a Moonshot tem recorrido ao mercado mostra o forte apetite dos investidores por uma startup que vem mudando a percepção de que a inteligência artificial chinesa estaria muito atrás da americana. O Kimi K3, com 2,8 trilhões de parâmetros e apresentado como o maior modelo de IA de pesos abertos do mundo, surpreendeu desenvolvedores e investidores ao entregar desempenho próximo ao dos modelos mais avançados da OpenAI e da Anthropic. Procurada, a empresa não respondeu ao pedido de comentário enviado por e-mail.

Agora, a companhia quer transformar esse momento em caixa. A meta é concluir até o fim deste mês o desmonte de sua estrutura offshore do tipo red-chip, abrindo caminho para uma captação local e avançando nos preparativos para a abertura de capital, disseram as fontes.

Empresas chinesas costumam levantar recursos em um ritmo difícil de ver nos Estados Unidos, especialmente quando estão no centro das atenções ou quando o setor vive um momento favorável. No caso da Moonshot, essa velocidade também reflete as perspectivas do negócio.

A empresa alcançou US$ 300 milhões em receita recorrente anual (ARR) em junho — indicador usado pelo mercado para medir o potencial de vendas futuras —, ante US$ 200 milhões em abril, informou anteriormente a Bloomberg News. Desde o lançamento do K3, as vendas diárias dispararam pelo menos seis vezes, segundo uma pessoa familiarizada com o tema.

A estreia de grande impacto de seu novo modelo de IA, na semana passada, representou uma espécie de consagração para o fundador Yang Zhilin, um discreto executivo de 33 anos com passagens pela Universidade Carnegie Mellon, pela Meta e pelo Google.

Yang fundou a empresa, hoje com cerca de 300 funcionários, ao lado de outros profissionais de tecnologia da prestigiada Universidade Tsinghua, entre eles o guitarrista principal de uma banda que ele criou. O nome da operação chinesa da empresa é uma referência a “The Dark Side of the Moon”, disco favorito do Pink Floyd de Yang.

De acordo com a Artificial Analysis, o Kimi K3 superou todos os concorrentes em capacidade geral, ficando atrás apenas do Claude Fable 5, da Anthropic, e do GPT-5.6, da OpenAI.

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Elon Musk classificou o modelo como “impressionante”, enquanto Dean Ball, chefe de estratégia da OpenAI, afirmou que o lançamento em pesos abertos aproxima o setor de tecnologia de um cenário de “comunismo total da IA”. Já o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse na terça-feira que o governo americano vai analisar com atenção modelos de IA de código aberto desenvolvidos no exterior, incluindo os da China, e tomar providências caso encontre indícios de roubo de propriedade intelectual de empresas dos EUA.

Entre os investidores da Moonshot estão gigantes chinesas de tecnologia como Meituan e Tencent; gestoras de venture capital como IDG Capital, HSG e ZhenFund; além de grupos com apoio estatal, como a China Mobile e o Beijing AI Industry Investment Fund.

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