HSBC avalia cenário e traça suas recomendações de investimento em fundos

Embora preveja mais altas à Selic, equipe pede cautela com fundos cambiais e renda fixa; já ações compensam no longo prazo

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SÃO PAULO – Outubro foi um mês de extrema volatilidade, como há muito não se via. As turbulências da crise contagiaram o lado real da economia internacional, agravando ainda mais o cenário para as mais variadas bolsas e mercados ao redor do globo. “Evidentemente, o Brasil está e continuará sendo afetado”, afirmam os analistas do HSBC em relatório.

Mas na visão da equipe, a situação para a economia brasileira é ainda mais complexa do que para as demais. De um lado, a deterioração nas condições de crédito e do quadro macroeconômico em si lá fora põem o País sobre forte risco de uma abrupta desaceleração, maior que a esperada. De outro, a desvalorização do real volta a afetar o cenário inflacionário doméstico.

“É importante lembrar que isso ocorre em um momento em que a inflação já se encontra próxima do teto da meta estabelecida”, observa o HSBC, para quem, diante de tal dilema, o Copom (Comitê de Política Monetária) deve continuar dando maior peso em suas próximas reuniões à deterioração dos riscos para um cenário de inflação benigno no País.

“Nossa interpretação é essa: a manutenção dos juros não significou o final do ciclo e sim uma pausa para o Copom entender melhor o que está acontecendo”, afirma a equipe. Com base em tais considerações e expectativas, o HSBC traça suas recomendações ao investidor de olho no mercado de fundos de investimentos.

De acordo com perfil

“Com a instabilidade atual do cenário econômico e com as incertezas no mercado financeiro, a busca por alternativas mais conservadoras torna-se uma tendência natural”. Com tal prerrogativa em mente, a equipe do HSBC sugere diferentes estratégias de alocações de recursos, de acordo com o perfil de cada investidor. Confira:

Sugestões do HSBC de alocação em fundos de investimento de acordo com o perfil do investidor
Perfil do Investidor Ações Multim. Renda Fixa DI Cambial IGP-M
Conservador 3% 20% 0% 77% 0% 0%
Moderado 10% 55% 0% 35% 0% 0%
Agressivo 19% 71% 0% 10% 0% 0%

Para os mais conservadores, isto é, aqueles que “não se sentem confortáveis com as oscilações do mercado de renda variável, possuem um horizonte de investimento de curto prazo e buscam liquidez nas suas aplicações”, o HSBC recomenda aplicar nos fundos curto prazo ou nos fundos referenciado DI, que buscam acompanhar as variações do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro).

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Renda fixa e câmbio

Mas os analistas também compartilham de suas perspectivas para outros perfis de aplicação. Os fundos voltados à renda fixa, por exemplo, seguem vistos com cautela pela equipe, mesmo com a forte alta das taxas pré-fixadas. “Acreditamos que o cenário atual é delicado para a inflação e que os efeitos do câmbio nos preços ainda devem ser sentidos, gerando efeito negativo na curva de juros”, explica o HSBC.

No entanto, para os que já possuem recursos investidos em fundos de renda fixa, o ideal é manter a aplicação, uma vez que uma migração para fundos DI incorreria em perda do benefício fiscal. Cautela também dá o tom predominante das expectativas do HSBC para os fundos cambiais, apesar da inflexão na trajetória da moeda norte-americana.

“Apesar do Banco Central ter mostrado força tanto na oferta de swaps quanto na venda de reservas cambiais, ainda é incerto o volume total da exposição de empresas brasileiras ao preço do dólar. Esperamos que o câmbio se mantenha com alta volatilidade no curto prazo”, prevêem os analistas do HSBC.

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Mercado de ações

Por sua vez, o mercado de ações recebe perspectivas um pouco mais amenas, embora também permeadas por forte cautela. Isto porque, na visão do HSBC, a bolsa brasileira ainda deve sofrer com uma revisão nas expectativas de crescimento dos lucros corporativos em função da maior fragilidade no cenário econômico, tanto brasileiro como global.

No entanto, no longo prazo, o potencial de retorno é expressivo. “Assim, mantemos a recomendação de exposição à bolsa, dados os preços extremamente atrativos”, afirmam os analistas do banco.