Helicópteros não são baratos, mas cresce número de aeronaves no Brasil

Atualmente são 1.100 aeronaves sobrevoando o País, sendo 467 apenas em São Paulo. A mais barata custa R$ 360 mil

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Ter um helicóptero não é barato. A opinião é do presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero, Cléber Mansur. Segundo ele, a aeronave mais barata disponível atualmente no mercado, com capacidade para transportar duas pessoas, custa R$ 360 mil. “Pode até não parecer um valor tão alto, mas o mais caro é a manutenção, que fica entre US$ 500 e US$ 2 mil por hora de vôo”, explica.

Apesar do preço, o número de helicópteros voando pelo Brasil é cada vez maior. Mansur conta que, atualmente, são 1.100 aeronaves sobrevoando o País, sendo 467 apenas em São Paulo. Dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), revelam que, em uma década, o número de equipamentos praticamente dobrou. A quantidade de registros por ano, que girava em torno de 50, está crescendo. Só em 2007, 62 novas naves foram registradas.

Mansur explica que, apesar do alto custo, cada vez mais os empresários procuram o meio de transporte para fugir do trânsito e pelo status de possuir o equipamento. “Isso acabou gerando uma fila de espera. Atualmente não tem helicóptero para pronta entrega. Quem comprar agora recebe apenas em 2009. Com isso, o preço de um usado está maior que o de um novo. A pressa de ter o aparelho imediatamente está mexendo com os valores do mercado”, conta Mansur.

Crise aérea

Com a crise aérea, a procura por helicópteros também aumentou. “São os chamados táxis aéreos. As pessoas procuram mais porque não querem ficar tanto tempo paradas esperando um avião no aeroporto”, conta.

O aumento do número dessas máquinas, mesmo em tempos de crise no espaço aéreo, levou a Prefeitura de São Paulo a pensar em um projeto de lei para regulamentar o tráfego dos aparelhos na cidades. De acordo com a coordenadora do grupo de trabalho da Secretaria Municipal de Planejamento, Nádia Mazzola – que elaborou a minuta do projeto – um dos pontos mais problemáticos é o crescimento desordenado.

“Uma foto aérea tirada em 2004 mostrou a existência de 280 helipontos e apenas 80 são autorizados pela Prefeitura. Nosso objetivo é criar uma regulamentação específica para esse tipo de aeronave”, conta a coordenadora.

Projeto de lei

Em entrevista a InfoMoney, Nadia falou sobre os principais pontos do projeto. “Reduzir o número excessivo de helicópteros, exigir uma distância mínima entre um heliponto e outro, limitar o horário de pousos e decolagens, que só poderão acontecer entre 7h e 22h, restringir a existência de helipontos a menos de 500 metros de áreas residenciais e 300 metros de escolas e hospitais são os objetivos desse projeto”.

A coordenadora disse ainda que, sem a legislação específica, não é possível punir os infratores. “Sem a lei não podemos multar quem desrespeita os horários e os limites geográficos”.

Para Mansur, as medidas são exageradas. “Não acho que a situação exija medidas tão drásticas. Se os helicópteros fossem mais parados e mais pessoas pudessem tê-los, eu apoiaria as restrições, mas no atual panorama tudo é muito tranqüilo. Para se ter uma idéia, o Campo de Marte registra 85 mil decolagens por ano e nunca foi registrado um acidente que tenha matado um cidadão em sua casa, ou em seu bairro, por exemplo”.

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Nadia, por sua vez, conta que as situações mais críticas são encontradas nas avenidas Brigadeiro Faria Lima e Luiz Carlos Berrini. “São centros comerciais infestados de helipontos. Para se ter uma idéia, tem um trecho na Faria Lima que fica bem no caminho dos aviões que pousam em Congonhas. O aeroporto precisou instalar radares para detectar os helicópteros da região. A própria Anac já proibiu a construção de novos pontos em uma área de mais de 2 km da avenida”, conclui.

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