Guararapes (GUAR3), dona da Riachuelo, tem resultado fraco, com momento de vendas desafiador

Por outro lado, esforços da companhia para cortar gastos com despesas gerais, com vendas e administrativas foram destaque positivo do trimestre
(Divulgação)
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As ações ordinárias da Guararapes (GUAR3), dona da Riachuelo, recuavam 1,30% por  volta das 14h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (11), após a companhia ter divulgado, na véspera, um resultado do primeiro trimestre de 2023 que foi considerado fraco por analistas.

“A Guararapes teve um primeiro trimestre fraco como o esperado com efeitos negativos em suas operações de varejo de fatores de cima para baixo [macro afetando o micro] que pressionaram a receita e a margem bruta, uma vez que a atividade promocional aumentou devido a um ambiente de varejo desafiador e estoque realizado no último trimestre”, fala a equipe de analistas do Santander, chefiada por Ruben Couto.

O Santander destaca que as vendas no varejo frustraram por conta do cenário macroeconômico, que pressiona o consumo discricionário. Além disso, com as vendas do quarto trimestre aquém do esperado, a dona das Lojas Riachuelo também ofereceu mais ofertas, o que derruba o mix de vendas.

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A receita líquida da Guararapes foi de R$ 1,8 bilhão, ante R$ 1,73 bilhão um ano antes. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 87,4 milhões, alta de 41,5%. O prejuízo líquido de R$ 175,6 milhões, ante déficit de R$ 80,1 milhões entre janeiro e março de 2022.

Do outro lado, o time de analistas destaca que a companhia colheu frutos no varejo e no seu braço de financiamento pelas iniciativas de controlar gastos com vendas, gerais e administrativos (SG&A, na sigla em inglês) – o número recuou 9% no ano, ficando em R$ 729,9 milhões.

“Ambas as divisões registraram alavancagens operacionais melhores do que o esperado. O resultado foi pressionado, contudo, pelo alto nível de despesas financeiras e carga tributária acima do esperado”, fala o time de Couto.

O Itaú BBA fala que a receita do varejo, de R$ 1,3 bilhão, ainda reflete o fraco momento de vendas.

Momento fraco para vendas

“O aumento da atividade promocional e as temperaturas acima da média em março levaram a uma contração da margem bruta de 230 pontos-base na comparação anual, para 46,3% em mercadorias. A exposição a compensações fáceis, combinada com o foco da empresa em ganhos de eficiência e otimização de despesas operacionais, traduziu-se, contudo, em um ganho de margem Ebitda de 260 pontos”, aponta o time do BBA, chefiado por Maria Clara Infantozzi.

A Midway, braço financeiro da Guararapes, também trouxe um resultado cambaleante. A receita líquida cresceu 11%, para R$ 553,3 milhões,  impulsionada pelo crescimento de 15% ao ano da carteira de crédito. A deterioração da qualidade do crédito, porém, levou a um aumento de 42% das provisões, que chegaram a R$ 342,3 milhões, o que por sua vez contribuiu para uma queda de 22% ano no Ebitda do braço, que ficou em R$ 29 milhões.

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“Vale ressaltar que a inadimplência total apresentou uma deterioração trimestral de 1,2 ponto percentual, com ajuda tanto da inadimplência antecipada quanto da inadimplência tardia. Segundo a empresa, isso tem um efeito de sazonalidade, que é um ponto para monitorar à frente”, explica o BBA.

O Bradesco BBI, com o time liderado por Pedro Pinto, definiu o resultado como neutro.

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“Os principais indicadores ainda apontam para um cenário nebuloso à frente, com pontos positivos, como controle de SG&A, equilibrados por pontos negativos, como vendas no varejo estagnadas”, debatem. “A Guararapes continua a navegar por mares agitados protegendo seu caixa e otimizando despesas, o que vemos como a estratégia correta em meio ao atual ambiente de baixa demanda”.

Para o BBI, a postura conservadora no crédito e no investimento ainda reforça que pode demorar até que ocorra uma recuperação mais acentuada das vendas e, portanto, do resultado final. “Também achamos que o principal gatilho para uma reavaliação seria a normalização dos resultados atualmente deprimidos, o que esperamos apenas em 2024. Por enquanto, mantemos nossa recomendação neutra e preço-alvo de R$ 5,40 ao final de 2023”, avalia.

Novo CEO da Guararapes fala com analistas

Tendo assumido o cargo de diretor executivo (CEO) há menos de uma semana, André Farber falou hoje, pela primeira vez, com analistas ocupando o cargo.

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“ Ainda é muito cedo para eu falar de estratégias, tenho poucos dias de trabalho”, contextualizou. “Meu mandato, contudo, tem foco em fortalecer nosso core, composto pela fábrica, digital e financeira. Há muitas coisas por trás disso, mas temos foco em investir na moda, em produtos, e tornaremos nossa cadeia de abastecimento mais eficiente. Vamos explorar melhor nossos ativos e vamos também focar em diminuir dívida, de olho na geração de caixa, e melhorar nossa estrutura de capital”.

Quanto aos ganhos de eficiência, os executivos da companhia falaram que grande parte das mudanças já se refletiram no balanço.

“Podemos ter volatilidade de margens trimestre a trimestre, mas o número do ano passado é boa referência para o que vemos neste ano”, falou Frederico Oldani, diretor financeiro (CFO) da Guararapes. “Temos feito uma série de ajustes de custos e vamos ver benefícios, mas não mais na magnitude que vimos nos últimos dois anos. Oportunidades agora dependem muito de ‘cortar o mato alto’”.

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Quanto ao segundo trimestre, os diretores mencionaram que ainda é cedo para traçar expectativas, apesar de o período ter começado bem.