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Greve na Petrobras, 8 balanços e recompra do Santander agitam o radar desta 4ª

Confira os principais destaques corporativos desta quarta-feira

SÃO PAULO – A temporada de balanços do 3° trimestre, greve na Petrobras, proposta de apoio às elétricas e recompra de ações agitam o radar corporativo desta quarta-feira (4), depois de dia de forte otimismo na Bovespa. Ontem, o principal índice da Bolsa marcou seu melhor pregão desde 21 de novembro, em meio à forte entrada de estrangeiros após transação da Hypermarcas. A ação da companhia encerrou a sessão com alta de 21,14%, fechando no maior patamar desde julho deste ano. A Standard & Poor’s elevou o rating da companhia de “BB/estável” para “BB/Watch Positive”. 

Hoje, um dos principais destaques fica com a Petrobras (PETR3; PETR4). A estatal estimou que a greve de trabalhadores da estatal reduzirá em 8,5% a produção de petróleo do país na terça-feira e que 13% de gás deixará de ser disponibilizado na comparação aos níveis de produção diária anteriores à paralisação.

O movimento coordenado pelas entidades sindicais interrompeu ou reduziu a produção de petróleo em diversas plataformas desde domingo, segundo informações de sindicatos, mas a Petrobras garantiu que não há previsão de desabastecimento de combustíveis no mercado.

Anteriormente, o SindipetroNF havia estimado que a greve reduziu a extração em 500 mil barris de petróleo entre domingo e segunda-feira, o equivalente a cerca de 25% da produção diária da estatal. Em relação ao impacto na segunda-feira, a Petrobras disse que houve queda de produção de 273 mil barris de petróleo, o que corresponde a 13% da produção diária no país. Adicionalmente, afirmou a estatal, 7,3 milhões de metros cúbicos de gás natural deixaram de ser disponibilizados, o que equivale a 14% do gás ofertado diariamente ao mercado brasileiro.

Além da greve, a companhia anunciou ontem a renúncia de Clóvis Torres ao cargo de conselheiro suplente de Murilo Ferreira, presidente do conselho da estatal que pediu licença do cargo em setembro. Clóvis também renunciou à presidência do conselho da BR Distribuidora. 

Cetip
A Cetip (CTIP3) informou no final da terça-feira que são “inverídicas” informações publicadas pela imprensa de que a companhia está em negociações avançadas com a BM&FBovespa (BVMF3) e que uma fusão das duas empresas deverá ser anunciada em breve.  

O comunicado veio depois da Cetip ter divulgado no início da terça-feira uma mensagem curta ao mercado afirmando apenas que foi contatada pela BM&FBovespa para “iniciar tratativas visando a alguma negociação entre as companhias”, mas que não existia até então “qualquer proposta sobre os termos e condições de uma eventual associação”. Ontem, as ações da Cetip e BM&FBovespa dispararam 8,36% e 8,77%, respectivamente, em meio à possibilidade de fusão. 

Veja mais: União de 2 monopólios: quem ganha mais na fusão entre Cetip e Bovespa?

Fibria
A Fibria (FIBR3), maior fabricante de celulose de fibra curta do mundo, conseguiu o grau de investimento pela agência de classificação de risco Moody’s. A nota acima do grau especulativo da agência era a única que faltava para a companhia, que já tinha sido elevada em fevereiro de 2014 pela Fitch e abril de 2015 pela Standard & Poor’s.

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A Moody’s atribuiu rating em escala global “Baa3” e escala nacional “Aaa.br”, com perspectiva estável, à companhia. Antes, a Fibria era classificada com notas “Ba1” e “Aa2.br” nas mesmas escalas.

Além disso, a Fibria revisou investimentos no Projeto Horizonte 2 para US$ 2,2 bilhões, ante previsão de US$ 2,5 bilhões. 

Vale 
Há duas notícias no radar da mineradora. O processo na Justiça da Rio Tinto contra a Vale (VALE3; VALE5), BSG Resources e outras empresas sobre direitos minerários de Simandou, na Guiné, pode ser definido até o final deste ano, com pedido acatado para a extinção do processo feito pela Vale.

Além disso, o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, concedeu entrevista à mídia chinesa e disse que a companhia planeja vender 180 milhões de toneladas de minério de ferro para a China em 2016 e chegar a 300 milhões de toneladas até 2019. O volume se justifica com o aumento da produção de Carajás, mas o volume só irá se confirmar com o grau de crescimento daquela economia.

Ambev
A SABMiller ampliou em mais uma semana o prazo para que a rival AnheuserBusch InBev, controladora da Ambev (ABEV3), faça uma oferta formal de mais de US$ 100 bilhões pela aquisição da companhia, de modo a conseguir o apoio final de acionistas para o negócio. 

As duas empresas informaram em comunicado conjunto que a Comissão de Fusões e Aquisições de Londres aprovou pedido da SABMiller para que o prazo fosse adiado das 15h desta quarta-feira (horário de Brasília) para 11 de novembro. 

A comissão já concedeu uma série de prorrogações do prazo desde que AB InBev e SABMiller afirmaram que alcançaram um acordo preliminar sobre a operação em 13 de outubro. Desde então, a AB InBev completou a análise sobre as contas da rival, reconfirmou os termos da oferta de aquisição e negociou instrumentos de financiamento para bancar a compra.

Multiplus
Entre as empresas que divulgaram balanços, a Multiplus (MPLU3), empresa de programas de fidelidade controlada pela TAM, registrou no terceiro trimestre lucro líquido de R$ 144,75 milhões, uma alta de 66,9% se comparado com o mesmo período de 2014. Já a receita líquida subiu 20,5% para R$ 384,5 milhões, enquanto a receita bruta avançou 21,3% para R$ 649,145 milhões.

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Os pontos emitidos entre julho e setembro recuaram 9,6%, enquanto os resgates cresceram em 2%. Segundo a Multiplus, a emissão de pontos foi impactada pela desaceleração econômica e menor demanda de viagens corporativas. Enquanto isso, a receita financeira atingiu R$ 99,2 milhões, uma forte alta de 177,9% que um ano antes. De acordo com a companhia, essa performance aconteceu em razão de recente alocação de parte do caixa da companhia em fundos cambiais ligados a dólar.

TIM (TIMP3)
A companhia de telefonia TIM Participações reportou um lucro líquido de R$ 356,47 milhões no terceiro trimestre, ficando praticamente estável com os R$ 348,33 milhões de um ano antes. Apesar disso, a receita líquida da companhia recuou 15,2%, passando de R$ 4,85 bilhões para atuais R$ 4,12 bilhões. Já o Ebitda teve leve queda de 2,7%, atingindo os R$ 1,30 bilhão, contra R$ 1,33 bilhão no mesmo período de 2014.

“Com a pressão do cenário macroeconômico, o atingimento de um nível próximo à saturação no número de linhas de voz no país e a substituição acelerada de voz por dados e mensagens, confirmamos a nossa previsão quanto ao início de um processo significativo de consolidação no número de múltiplos SIM cards pré-pagos”, disse o CEO da companhia, Rodrigo Abreu.

Marcopolo (POMO4)
A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo quase zerou o lucro do terceiro trimestre, em um resultado impactado pela crise do mercado automotivo brasileiro e impacto da variação cambial sobre a dívida em dólar. A companhia teve lucro líquido de R$ 8 milhões no terceiro trimestre, queda de 86% sobre sobre o resultado positivo obtido um ano antes.

O resultado foi divulgado no mesmo dia em que a companhia informou que está mantendo tratativas para incorporar os 55% restantes da rival Neobus, em uma operação em ações avaliada em cerca de R$ 30 milhões segundo os preços de fechamento desta terça-feira. A empresa também cancelou mais uma etapa de pagamento de juros sobre capital próprio a acionistas.

A Marcopolo apurou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 50,6 milhões, queda de 41% sobre o terceiro trimestre do ano passado. A receita líquida da companhia recuou 26,7% no trimestre passado sobre o mesmo período de 2014, para R$ 658,6 milhões. A produção da Marcopolo, enquanto isso, despencou 49%, para 2.601 ônibus, entre julho e setembro.

Mais cedo, a associação de concessionários de veículos Fenabrave informou que as vendas de ônibus novos no Brasil em outubro despencaram 29% sobre setembro e cerca de 67% sobre o mesmo mês de 2014, para 1.091 unidades. No ano, o setor acumula queda de cerca de 34%, a 17.648 ônibus.

Porto Seguro 
A Porto Seguro (PSSA3) informou nesta manhã lucro líquido de R$ 209 milhões no terceiro trimestre, contra expectativa compilada pela Bloomberg de R$ 254,1 milhões. A receita líquida da empresa totalizou R$ 4,13 bilhões no período.  

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BR Properties (BRPR3)
A BR Properties encerrou o período entre julho e setembro com lucro líquido ajustado de R$ 32,14 milhões, uma queda de 49% ante os R$ 62,57 milhões de um ano antes. Segundo a companhia, a queda é explicada “pela perda de receita de aluguel resultante das vendas de ativos ocorridas nos últimos 12 meses, além da maior despesa financeira líquida em decorrência do aumento na taxa de juros no Brasil”.

Já a receita líquida da companhia ficou praticamente estável, a R$ 187,05 milhões, enquanto o Ebitda ajustado recuou 3%, para R$ 164,91 milhões. Considerando os efeitos não caixa da desvalorização cambial sobre o bônus perpétuo denominado em dólar, e do desconto aplicado nas vendas de propriedades anunciadas no trimestre, a BR Properties registrou um prejuízo líquido de R$ 412,5 milhões no acumulado de 2015.

Equatorial 
A companhia de eletricidade Equatorial Energia (EQTL3) teve lucro líquido de R$ 80 milhões no terceiro trimestre ante resultado positivo um ano antes de R$ 282 milhões.

A empresa teve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) societário consolidado de R$ 365 milhões no período, queda de anual de 18,9%.

Par Corretora
A Par Corretora (PARC3) registrou lucro líquido de R$ 33,7 milhões no 3° trimestre, acima da média das expectativas de R$ 32,9 milhões compiladas pela Bloomberg. Além do balanço, a companhia aprovou a recompra de 4,9 milhões de ações ordinárias no prazo de 18 meses.

Valid
A Valid (VLID3) fechou o terceiro trimestre do ano com crescimento de receitas e Ebitda, e um lucro relativamente estável. No período, a companhia viu sua receita crescer 31,7%, para R$ 451,3 milhões em relação ao igual período de 2014. Na mesma comparação, o lucro líquido ajustado teve queda de 1,8%, para R$ 43,5 milhões e o Ebitda ajustado cresceu 5%, para R$ 82,2 milhões. 

Segundo o Goldman Sachs, o balanço da companhia veio forte, guiado por melhores volumes fora do Brasil combinado com aumento do ticket médio no País e exterior. O banco reiterou recomendação de compra das ações, com preço-alvo de R$ 61,25 por ação. 

Embraer
A Embraer (EMBR3) anunciou hoje que a Emirates Flight Training Academy assinou um pedido firme para cinco jatos Phenom 100E, com opção para mais cinco aeronaves do modelo. O início das entregas está programado para 2017. 

Elétricas 
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na terça-feira uma proposta para compensar as hidrelétricas que tiveram perdas de faturamento neste ano devido à seca que poderá elevar o lucro líquido das empresas do setor em até R$ 1,5 bilhão em 2015.
 

A proposta, que é a terceira apresentada pelo regulador para solucionar o problema, que gerou uma guerra judicial no mercado, dá todos elementos para que as elétricas optem por aceitar ou não a compensação, segundo o diretor Tiago de Barros, responsável pelo processo na Aneel.

Caso aceitem, as companhias precisarão retirar ações judiciais com as quais obtiveram proteção contra perdas com o déficit de geração das usinas hídricas a partir do final do primeiro semestre. 

As ações das elétricas fecharam em forte alta após a aprovação da proposta pela Aneel, com Eletrobras (ELET3; ELET6) e Tractebel (TBLE3) subindo quase 8% e mais de 6%, respectivamente, enquanto EDP Energias do Brasil (ENBR3) e CPFL Energia (CPFE3) subiram 5% e 3,8%. O Ibovespa teve alta de 4,7 por cento.

O efeito no lucro estimado pela Aneel considera um cenário em que todas as empresas aceitem o pacto e optem pela transferência de todo o risco hidrológico ao consumidor, mediante o pagamento de um “prêmio de risco” pelos geradores. Nesse caso, haveria, ainda, “impacto aproximado de 2,5 bilhões de reais no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos geradores”, segundo nota técnica da Aneel.

Via Varejo
O HSBC elevou a recomendação das units da Via Varejo (VVAR11) de “reduz” para manutenção, com preço-alvo de R$ 5,00. 

Gol
A Moody’s disse, em nota, que a Gol (GOLL4) pode precisar de corte de capacidade mais profundo para mitigar o impacto da desvalorização do real frente o dólar. Mais da metade dos custos da companhia estão denominados em moeda estrangeira, enquanto cerca de 11% das receitas são geradas em dólar.   

Santander
O Santander (SANB11) aprovou programa de recompra de até 39 milhões de units até novembro de 2016. 

Eneva
A Eneva (ENEV3) fez aumento de capital parcial de R$ 2,3 bilhões. 

Eletropaulo 
A Eletropaulo (ELPL4) deve emitir R$ 320 milhões em debêntures.

Ser Educacional
A Ser Educacional (SEER3) informou que João Porto de Aguiar foi eleito diretor financeiro da companhia.  

(Com Reuters)

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