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SÃO PAULO – Um dos temas discutidos no 3º Congresso Anbid de Fundos de Investimento, que acontece nesta terça e quarta-feira, em São Paulo, incluiu a questão do mercado de fundos continuar dominado pelos grandes bancos de varejo, o que reforça a importância da distribuição para o mercado brasileiro.
Ainda que a participação de outros players no mercado esteja crescendo nos últimos anos, eles têm enfrentado dificuldade para conseguirem se diferenciar nesse mercado.
Em sua apresentação “A Indústria de Fundos Hoje e Desafios para o Futuro”, Paul Gruppo, sócio da Europraxis Consulting, destacou como um dos entraves à maior competitividade dos gestores independentes a natureza do próprio mercado, que carece de alternativas de investimento, o que limita a capacidade dos gestores de diferenciarem a forma como investem os recursos da carteira dos fundos.
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Alta concentração nos grandes bancos
Dados da Anbid sobre a estrutura da indústria demonstram que apesar de ter caído, a participação dos bancos de varejo de abrangência nacional ainda continua bastante elevada.
No ano de 2000, por exemplo, a indústria representava R$ 289 bilhões em ativos administrados, sendo que 77% desse total eram administrados pelos grandes bancos de varejo do país: ABN Amro, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Santander e Unibanco.
Em 2005, contudo, essa participação caiu para 73%, mas estava relacionada a um montante muito maior de recursos administrados: R$ 665 bilhões. Frente a isso pode se constatar que, mesmo perdendo participação de mercado, os grandes bancos de varejo nacional conseguiram aumentar o total de recursos que administram em 17% ao ano. No mesmo período o avanço dos gestores de menor porte foi de 22%, enquanto o setor como um todo cresceu 18%.
BB, Bradesco e Itáu gerem metade dos recursos
Uma análise de taxa de crescimento versus volume de recursos administrados mostra como as instituições têm se posicionado nesse mercado.
A liderança absoluta em termos de gestão de recursos fica com o Banco do Brasil, seguido do Bradesco e logo em seguida do Itaú. Enquanto o BB administra algo como R$ 140 bilhões em ativos, Bradesco e Itaú estão ao redor de R$ 100 bilhões. Juntos os três bancos detêm cerca de metade do total da indústria.
Enquanto os grandes bancos de varejo apresentam uma taxa média de crescimento anual em torno de 20%, a dos players de nicho pode ser três vezes maior. Esse é o caso, por exemplo, do BNP Paribas, cuja taxa média anual de crescimento é de cerca 60%. Também merecem destaque o Sul América, a Hedging Griffo, e o Banco Pactual, com taxas acima dos 40%.
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Ainda que com um volume maior de recursos administrados do que parte dos niche players, os demais bancos de rede, como ABN Amro, Caixa, Citibank, Nossa Caixa, Santander e Unibanco e Nossa Caixa, não conseguem registrar um crescimento tão expressivo no total de recursos administrados. Os dados são da Anbid e se baseiam no total de ativos administrados ao final de março e no crescimento entre o período de 2000 e 2005, ou desde a fundação do gestor.
Dificuldade na diferenciação
Apesar de estarem crescendo rapidamente, para serem bem sucedidos os novos players precisam antes vencer o desafio da viabilidade operacional. A queda na taxa média de administração cobrada pelas instituições, que caiu para metade no caso dos fundos DI e renda fixa exclusivos, baixando de 0,54% em 2001 para 0,27% em abril desse ano, pressiona as receitas e exige uma estrutura de custos enxuta por parte dessas instituições.
Com poucas opções de investimento, o mercado de capitais brasileiro não oferece muitas opções de diversificação de carteira para os gestores de fundos, o que acaba por alinhar a estratégia de investimento da maioria das instituições.
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Para se ter uma idéia, dados da Anbid ilustram que, em 2005, a composição média da carteira dos fundos é de 74% em títulos públicos, 11% em ações, 12% em CDB e debêntures e 4% em outros (como notas promissórias e outros ativos de renda fixa e renda variável). Frente a um cenário de queda na remuneração e poucas alternativas de investimento, os gestores independentes precisam mais do que nunca garantir uma massa mínima de recursos administrados se quiserem se manter viáveis. Ao que tudo indica um desafio para poucos.