Varejo

GPA vê dificuldades em crescer vendas acima da inflação alimentar, diz CEO

Segundo o balanço da empresa, no 1º trimestre, as vendas mesmas lojas recuaram 0,9% frente ao mesmo período de 2021

Por  André Cabette Fábio

O CEO do GPA (PCAR3), Marcelo Pimentel, disse nesta quinta-feira (5) que a empresa não espera um ritmo de aumento das vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) acima da inflação alimentar até o final de 2022. “É difícil afirmar que cresceremos acima da inflação alimentar, acho que não”, afirmou. 

Segundo ele, em especial na bandeira Pão de Açúcar, com clientes premium das classes A e B, a prioridade é a oferta de sortimento e experiência de compras. O CFO Guillaume Gras ponderou, no entanto que, em lojas que devem passar por reformas, a expectativa é crescer acima da inflação.

As declarações foram dadas durante teleconferência com analistas para comentar os resultados do primeiro trimestre, quando o GPA registrou lucro consolidado de R$ 1,4 bilhão e queda de 12% do Ebitda. No pregão desta quinta-feira, as ações da empresa recuam 2,24%, por volta das 14h15, cotadas a R$ 22,21.

GPA vê inflação contínua

Gras afirmou que a expectativa é de que a inflação continue alta até o final de 2022, sem efeitos imediatos do aumento dos juros e disse esperar que a inflação volte à meta no início de 2023.

Além disso, afirmou que a empresa vem conseguindo repassar a maior parte da inflação para os preços, mas não toda, em especial na categoria de alimentos perecíveis, que têm inflação mais alta. E que a companhia vem compensando os não repasses com promoções um pouco melhores. 

Segundo o balanço divulgado pela empresa, no primeiro trimestre de 2022, as SSS recuaram 0,9% frente ao mesmo período de 2021. Sem contabilizar postos, as SSS teriam alta de 1,0%.

No documento que acompanha o balanço, a empresa afirmou que nesse primeiro trimestre houve impacto negativo nas vendas dos postos, dado que “aproximadamente metade deles fica em áreas de lojas fechadas para conversão para atacarejo”. “Esse movimento deverá ser convertido com a inauguração dessas lojas”, acrescentou o GPA.

Compre Bem e Extra

Sobre a incorporação do Compre Bem e a conversão de lojas do Extra, o CEO Marcelo Pimentel afirmou que a finalização das conversões deve trazer produtividade para os modelos Extra e de supermercado, com união das equipes. Segundo o executivo, a empresa espera finalizar as conversões de lojas Extra no terceiro trimestre. 

O CFO Guillaume Gras disse que a incorporação da rede Compre Bem deve se encerrar no final de maio, sem mudança na bandeira, mas com sinergias em TI, logística, compras e custos administrativos da sede, o que resultar em ganho de 2,8 pontos percentuais de rentabilidade na bandeira. Ele avaliou a rede como pequena, de 28 lojas.

Margens de “duplo dígito” 

Pimentel afirmou que a operação caminha para atingir margens de duplo dígito nos próximos trimestres. Gras disse que a companhia tem a visão de uma margem de entre 9% e 10% por conta de conversões e expansão.

Segundo ele, a empresa entrou no segundo trimestre, em abril, com um ritmo distinto daquele do primeiro. Mercado Extra e Pão de Açúcar crescem próximo a dois dígitos, e o modelo de proximidade, em “mid single digits” (entre 4% e 6%). Em maio diz que espera continuidade da tendência, favorecida pelo Dia das Mães. 

Pimentel afirmou que a empresa criou uma força-tarefa para trabalhar com time comercial, de lojas e fornecedores, garantindo sortimentos para as prateleiras, sem negociações “erráticas”. Quanto ao modelo G7 –  que busca revitalização o fluxo – disse que há crescimento próximo a “mid single digits” em perecíveis e mercearia. A partir do segundo trimestre, a empresa deve começar a se beneficiar desses números, afirmou.

E-commerce

No e-commerce, o GMV (volume bruto de mercadorias, na sigla em inglês) foi de R$ 369 milhões no 1T22, 19% maior que no mesmo período de 2021. “Se desconsiderarmos as vendas provenientes dos hipermercados no 1T21, o crescimento foi de 44%”, ponderou a empresa no balanço.

O Grupo Êxito foi o grande destaque do relatório divulgado pelo GPA, com “sólido desempenho na Colômbia e expressivo crescimento na venda beneficiada pela ominicalidade e reabertura econômica”.

Questionado na teleconferência sobre as expectativas do setor digital, o CEO Marcelo Pimentel afirmou que a companhia tem uma estratégia multicanal, que vê o cliente como alguém com pontos de contato em diferentes formas. 

Ele disse que o formato “clique e retire” vem se mostrando um diferencial para impulsionar compras e retenção de clientes, e que a empresa está revisando seu programa de fidelidade, buscando um modelo que englobe compra física e digital e outros pontos de diferencial do GPA dentro de um aplicativo único, visando reduzir a proporção de desinstalações.

Análise do balanço do GPA

Para a XP, o GPA reportou Ebitda abaixo do esperado por conta de maior inadimplência no Grupo Éxito, com o indicador vindo 8% abaixo das expectativas da corretora.

Além disso, destacou que o desempenho foi afetado por desafios operacionais devido ao fechamento das lojas Extra e o redimensionamento da operação do GPA Brasil; e menores fees de desenvolvimento e comercialização de imóveis contra o 1T21 na operação do Grupo Éxito combinado, com resultados pressionados das parcerias com Bancolombia.

A XP reitera recomendação neutra para o papel e preço-alvo de R$ 32.

Análise semelhante teve o Morgan Stanley, que pontuou a contração de margem Ebitda tanto nas operação do Grupo Éxito quanto em GPA Brasil.

“Comentário [da administração] sugere melhora na alavancagem da empresa após o primeiro trimestre, mas esperamos por mais visibilidade com a conclusão da venda do Extra e permanecemos equal weight“, diz a análise do Morgan. O preço-alvo da ação é R$ 31.

Novo GPA

O Credit Suisse destacou que a receita de R$ 10,07 bilhões da empresa no primeiro trimestre veio em linha com as projeções da equipe de análise. O Grupo Éxito, subsidiária do GPA na Colômbia ajudou no faturamento, mas entregou Ebtida menor que o esperado – assim, o Ebitda consolidado de GPA recuou 12,12%, para R$ 655 milhões, com uma queda maior que a esperada pelo Credit.

O banco também destacou os números do “Novo GPA Brasil”, que inclui postos, que mesmo reportando R$ 4,2 bilhões em vendas no primeiro trimestre, teve uma queda de 12,8% no Ebitda, com o impacto das despesas com vendas, gerais e administrativas, que atingiu o equivalente a 19,5% das vendas no período.

Os analistas do Credit esperam reação neutra do mercado aos números da empresa no primeiro trimeste. A classificação do banco para PCAR3 é neutra, com preço-alvo de R$ 27.

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