Governo sinaliza que mesmo com aumento do álcool à gasolina, preços não subirão

Segundo o Ministério da Agricultura, existe uma folga na relação oferta x demanda, o que garante abastecimento

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Caso seja aprovado o aumento da proporção de álcool anidro à gasolina (como sinaliza o governo) dos atuais 23% para 25%, não haverá um problema na oferta do combustível de cana-de-açúcar e, por consequência, um aumento acentuado nos preços cobrados ao consumidor. De acordo com o Departamento de Cana e de Agroenergia do Ministério da Agricultura, há uma folga na produção e no consumo em potencial.

“Este ano devemos produzir 2,5 bilhões a mais de litros. No mesmo tempo, o consumo motivado pela nova proporção deve ser de 600 milhões de litros”, explicou José Nilton de Souza Vieira, um dos diretores do órgão. Segundo o especialista, atualmente consomem-se de seis bilhões a sete bilhões de litros de álcool anidro por ano.

Produção

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de álcool deste ano terá o maior volume da história, com 20,01 bilhões de litros, resultado 14,54% superior ao da última safra. Destes, 10,6 bilhões de litros serão de álcool hidratado (usado como combustível), 9,35 bilhões de litros de anidro (misturado à gasolina) e o restante do tipo neutro.

“O resultado se deve à forte demanda do produto nos mercados interno e externo, motivado principalmente pela fabricação de carros flex”, explicaram técnicos do instituto por meio de nota.

No bolso

Quando se fala em aumento da mistura do derivado de cana à gasolina, o temor que fica é que ocorra o mesmo fenômeno da penúltima entressafra. Entre o final de 2005 e meados de 2006, o litro do álcool chegou a quase dobrar de preço, motivado por dois fatores: a entressafra de sua matéria-prima e exatamente sua proporção ao combustível de petróleo. Sobrou menos combustível no mercado, o que fez com que os valores cobrados aumentassem.

Àquela época, em meio a falta de álcool, a proporção da mistura oscilou entre 20% e 25%. Entre dezembro do ano passado e maio deste ano, a relação foi parecida, entre 20% e 23%. No entanto, nesse intervalo de tempo, o valor do combustível vendido na bomba não subiu tanto, ficando cerca de 10% maior.

Conforme o levantamento de maio da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), o litro do álcool saía por R$ 1,668, na média nacional.

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