Governo mira aumento de impostos para fechar as contas em 2016

O Planalto trabalharia, para 2016, com expectativas para crescimento modesto da economia, na contramão das projeções do mercado, que já não espera mais recuperação no próximo ano

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SÃO PAULO – A Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2016, que o governo ainda vai encaminhar ao Congresso até o fim do mês, deverá conter novos cortes de despesas para o governo e, principalmente, mais aumentos nos impostos para reequilíbrio das contas públicas, conforme antecipou o jornal Valor Econômico nesta segunda-feira. Na ponta da continuidade do ajuste fiscal, destacam-se as reduções nas despesas obrigatórias e a manutenção do gasto discricionário no mesmo nível do realizado neste ano.

Segundo a reportagem, o Planalto trabalha, para 2016, com expectativas para crescimento modesto da economia, na contramão das projeções do mercado, que já não espera mais recuperação no próximo ano. O ministério da Fazenda, comandado por Joaquim Levy, teria manifestado preferência em aumentar o foco sobre o controle de gastos. A equipe econômica compartilha de uma leitura comum no Congresso de que, levando em conta o clima político, seria muito difícil deputados e senadores aprovarem qualquer aumento de imposto. Mas a presidente Dilma Rousseff optaria por um ajuste mais moderado e uma recuperação das receitas via aumento de tributos, cujas linhas gerais deverão constar no Plano Plurianual, com vigor para os próximos quatro anos.

Na agenda geral, três grandes temas tendem a ganhar destaque. Do lado tributário, o primeiro seria o compromisso do governo de simplificar ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e PIS/Cofins, em uma batalha contra a permanente “guerra fiscal” entre estados e municípios, facilitando o clima para negócios em território nacional. Outro tema em pauta seria o próprio estímulo ao setor de infraestrutura. Um dos mecanismos para destravar os investimentos no segmento seria adotar uma espécie de “fast track” para a liberação de licenças ambientais, o que tende a gerar uma grande briga com ambientalistas. Na mesma linha, também está na pauta o oferecimento de maior segurança aos contratos de concessão.

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Por fim, outro ponto destacado como de suma importância é a aplicação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), que precisa ser prorrogado para que o governo evite novas dores de cabeça com a alocação dos recursos cada vez mais apertados do Orçamento. Com o cobertor curto, é importante para o Planalto conseguir a aprovação para o aumento de 20% para 30% no programa de desvinculação, além de outras medidas de redução de custos. A esta altura, ficam as incertezas com relação ao governo de conquistar qualquer vitória em um Congresso tão refratário às suas demandas.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.