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SÃO PAULO – “O Governo brasileiro tem sido específico quanto a mudanças no cenário regulatório de diferentes setores. Isso é diferente do passado, quando a retórica era mais geral e enfatizada na posição contra privatizações”, afirmaram os analistas do JPMorgan.
Assim, quanto mais consolidado o setor, maiores os riscos a serem enfrentados, enquanto os segmentos mais competitivos sofrem maiores tributações. Neste sentido, os segmentos mais expostos à regulação são os de telecomunicações, aéreo e civil.
Outros setores, como siderurgia, agricultura, varejo, tabaco e alimentação e bebidas, estão mais expostos a mudanças nos tributos e tarifas, em detrimento de alterações na legislação. “O setor de construção civil está nesta categoria, sendo que o maior risco é a possibilidade do Governo parar de fornecer subsídios após 2010”, avaliam os especialistas.
Construção civil e siderurgia
As eleições presidenciais de 2010 podem gerar incertezas para a construção civil, considerando o nível de influência política em companhias estatais. “Potenciais mudanças no governo federal ou estadual podem impulsionar mudanças nas estratégias corporativas de médio prazo”, avalia o JPMorgan.
Os analistas apontam como top picks do setor as ações de PDG Realty (PDGR3), Gafisa (GFSA3) e MRV (MRVE3).
Em relação ao setor elétrico, na visão do banco, a Celesc (CLSC6) pode continuar a sofrer maiores influências através do controle acionário por parte do estado de Santa Catarina entre 2011 e 2014.
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Por sua vez, os segmentos de mineração e siderurgia podem sofrer intervenções. Vale (VALE3, VALE5), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) devem ser as mais afetadas por possíveis intervenções governamentais, mas as demais empresas podem não sentir tanto. “Esta não é uma boa notícia, dada a tipicamente alta margem nos negócios de minério de ferro”.
Bancos
Os analistas questionam se haverá a redução dos spreads (diferença entre quanto os bancos captam e quanto repassam). Na visão deles, com a queda da aversão ao risco, em função da melhora na economia, os spreads de empréstimos devem cair de qualquer forma.
No geral, o JPMorgan acredita que o crédito deve retomar o fôlego e aumentar rapidamente nas instituições privadas, apresentando melhor desempenho que o Banco do Brasil nos próximos anos. A perspectiva, portanto, indica que as condições de crédito devem se normalizar.
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Varejo
Para o banco, as ações mais beneficiadas do setor são de B2W (BTOW3), Lojas Americanas (LAME4) e Lojas Renner (LREN3). Os analistas acreditam que o governo promoverá medidas de estímulo para o segmento de varejo, especialmente antecedendo as eleições do próximo ano. Além disso, ressaltam que programas já foram implementados para estimular o consumo, como a manutenção de baixas taxas de juros, incentivos e reformas fiscais.
Telecomunicações e setor aéreo
O mercado de telefonia móvel brasileiro tem menores margens na comparação com outros mercados, essencialmente em função dos altos impostos do setor e da forte competição. Ademais, o JPMorgan pondera que a consolidação da tecnologia móvel ajudaria na melhora da lucratividade sem necessariamente reduzir as taxas.
No setor aéreo, GOL (GOLL4) e TAM (TAMM4) são as mais afetadas pelas regulações governamentais, principalmente por parte da Anac (Agência Nacional de Aviação). Com isso, os especialistas afirmam que “o poder para restringir e aprovar a criação de novas rotas e frequências de voos pode impactar adversamente nas correntes operações e nas estratégias de operações aéreas”.