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SÃO PAULO – O Índice de Preços ao Consumidor da FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgado no ano passado mostra que o brasileiro gasta mais com maços de cigarro do que com arroz e feijão. A fatia do orçamento correspondente ao cigarro era de 1,25%, e a de arroz e feijão, de 0,85%. Agora, esse percentual de gastos com cigarros pode aumentar, já que o governo pretende inibir o consumo.
“O cigarro brasileiro é um dos mais baratos do mundo. Você consegue comprar um maço por R$ 2. Há uma discussão dentro do governo para aumentar o preço desse produto. Não só para reduzir o consumo, mas também para garantir uma receita adicional devida para ações de prevenção e tratamento das doenças relacionadas”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
Ele admitiu que a interlocução para o aumento das taxas incidentes sobre os produtos do tabaco já começou. Uma conversa inicial sobre o tema foi realizada com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Danos à saúde
O diretor geral do Inca (Instituto Nacional do Câncer), Luiz Antônio Santini, alega que o custo para a saúde pública do tratamento dos problemas causados pelos cigarros é duas vezes maior do que se arrecada em tributos desses produtos. “Temos que aumentar os recursos da saúde para cuidar desse problema. Muito mais que isso, precisamos evitar que as pessoas fumem.”
A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera o tabaco uma das principais causas de mortes que poderiam ter sido evitadas. Em todo o mundo, cerca de 1 bilhão de pessoas são fumantes. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas morram por ano, por conta de complicações causadas pelo cigarro.
Parar de fumar é solução
Além dos problemas de saúde, o cigarro causa problemas financeiros às famílias, de acordo com o consultor Reinaldo Domingos. Com o passar dos anos, o prejuízo pode atingir o valor de um imóvel.
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“Se pegarmos um maço de cigarro a R$ 2,75 e capitalizarmos a juros de 1% por 30 anos, teremos, aproximadamente, R$ 288 mil de provável economia, não apenas para o bolso, mas para a saúde”, revelou o consultor à Agência Brasil.
Apesar de o Banco Mundial calcular em cerca de US$ 200 milhões por ano os prejuízos com cigarro para as economias dos países, Domingos ressalta que não são feitas abordagens para demonstrar os prejuízos financeiros individuais e que poupar pequenas quantias ajuda a realizar as metas no longo prazo.
O problema é que grande parte dos problemas financeiros dos brasileiros é provocada pela cultura do consumo imediato, sem a preocupação de guardar dinheiro. Não é à toa, portanto, que 70% dos brasileiros economicamente ativos têm dívidas com cheque especial, cartão de crédito ou empréstimos, com um valor médio de R$ 1,5 mil.
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Fim dos fumódromos
O ministro da Saúde avisou, na TV Senado, que o projeto de lei que irá acabar com os fumódromos chegará ao Congresso Nacional até o final deste mês. A medida faz parte do programa Mais Saúde.
“Um projeto de lei que a Casa Civil encaminhará ao Congresso, neste mês, muda um artigo da legislação, passando a proibir o fumo em ambientes fechados”, disse. A fumaça que sai da ponta do cigarro contém, em média, o triplo de nicotina e monóxido de carbono, e até cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante, após passar pelo filtro do cigarro.
Pesquisas nacionais e internacionais indicam que os fumantes passivos têm um risco 23% maior de desenvolver doença cardiovascular e 30% mais chances de ter câncer de pulmão. Além disso, eles têm mais propensão à asma, redução da capacidade respiratória, 24% a mais de chances de infarto do miocárdio e maior risco de aterosclerose.