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Os últimos meses foram marcados por duas grandes influências para os mercados. Enquanto o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz reduziu a oferta de energia, o boom de investimentos em inteligência artificial estimulou uma forte demanda global por produtos de tecnologia.
Para o Goldman Sachs, esses grandes choques levaram a uma divergência significativa no desempenho econômico dos mercados emergentes.

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A produção global de petróleo e gás teve uma queda significativa, estando 12% abaixo dos níveis anteriores à guerra, atualmente. Como resultado, os preços da energia chegaram a atingir a faixa entre US$ 90 e US$ 120 por barril.
De modo geral, para o banco, o crescimento dos mercados emergentes tem se mostrado relativamente resiliente diante da magnitude deste impacto.
Em parte, essa resiliência dependeu da redução dos estoques de petróleo e derivados. Em alguns casos, precisou também de grandes subsídios fiscais. Em paralelo à isso, o boom contínuo dos investimentos em centros de dados relacionados à inteligência artificial tem dado um respiro às economias da região.
Investimentos relevantes tem sido direcionados a servidores de IA e outros equipamentos. De acordo com o banco, quase todos fabricados na Ásia emergente. Na América Latina, os investimentos se estenderam para o Brasil, México e Chile.
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Para os analistas, o crescimento global resiliente e a força dos lucros corporativos impulsionada pela IA devem continuar sustentando as ações dos mercados emergentes. O banco destacou como preferidos os mercados da China, Coreia do Sul, Brasil, Hungria e África do Sul.
Mercados em destaque
Para o banco, as economias emergentes da Ásia estão passando por condições bastante divergentes. De um lado, a Coreia do Sul e Taiwan têm se beneficiado de um forte crescimento das exportações de tecnologia, com superávits recordes.
Os mercados acionários têm passado por um momento de forte valorização, com ganhos de arrecadação tributária que devem ser sustentados até 2027.
Em contraste, a Índia e outras economias do sudeste asiático têm desempenho quase contrário. De maneira geral, os países têm apresentado déficits em conta corrente, enfraquecimento cambial e inflação em rápida aceleração.
Para a América Latina, o cenário macroeconômico deve se assemelhar ao de 2025, mesmo com o choque global nos preços do petróleo. O crescimento real do PIB está estimado em cerca de 2,0%, a níveis moderados.
De acordo com os analistas, a atividade econômica no Brasil deverá ser sustentada pelo aumento dos estímulos fiscais e do crédito antes das eleições. Ao mesmo tempo, o México deverá apresentar recuperação, embora ainda em um ritmo significativamente inferior à sua tendência de longo prazo.
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Conforme o banco, o crescimento no restante do grupo LA7 (que inclui Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru, e Uruguai) deverá ser sustentado pelo bom dinamismo observado no Peru e na Colômbia e, em menor medida, na Argentina e no Chile.
Oriente Médio
Dentro da região que engloba Europa Central e Oriental, Oriente Médio e África (CEEMEA, na sigla em inglês), o banco reforça que os acontecimentos no Oriente Médio continuam sendo a principal fonte de volatilidade econômica e de mercado.
Diante deste cenário, alguns bancos centrais da região estão revertendo o processo de flexibilização monetária, em andamento antes do conflito. Este é o caso da Turquia e, de acordo com as estimativas do Goldman Sachs, também deverá ser o caso do Egito e da África do Sul.
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Em outros casos, como da República Tcheca, Hungria, Romênia e Ucrânia, a resposta tem sido interromper o ciclo de afrouxamento monetário, ao invés de revertê-lo completamente. Por outro lado, Rússia, Polônia e Gana continuaram afrouxando a política monetária desde o início do conflito.
Moedas dos mercados emergentes
Embora as expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã tenham ajudado moedas emergentes a se estabilizarem no final de maio, a combinação de juros longos mais elevados e um enfraquecimento do sentimento de risco haviam sido importantes fatores contrário nas semanas anteriores.
Para o banco, moedas ligadas ao setor de tecnologia devem apresentar desempenho superior ao de moedas mais expostas ao choque energético. Neste caso, moedas como o won sul-coreano e o novo dólar taiwanês devem ganhar em relação ao peso filipino ou à rupia indonésia, por exemplo.
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Com os níveis de juros mais altos e com redução lenta, os analistas veem uma janela mais longa para estratégias de carry. Com a expectativa de bancos centrais mantendo os juros estáveis (ou até elevando para defender as moedas), a tese do banco ganha mais força.
As preferidas na cesta de carry do Goldman incluem o real (BRL), o peso mexicano (MXN), o rand sul-africano (ZAR) e o florim húngaro (HUF), entre os principais mercados emergentes. Já nas moedas de mercados de fronteiras, os analistas preferem a libra egípcia (EGP), a naira nigeriana (NGN) e o tenge cazaque (KZT).
Redução de energia
Atualmente, a expectativa do banco é de uma normalização lenta dos fluxos energéticos através do Estreito de Ormuz, com a oferta total de energia retornando à normalidade até o final de junho.
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Além disso, importantes infraestruturas energéticas foram danificadas em alguns países. O resultado foi uma forte alta dos preços da energia. Na Ásia, por exemplo, os preços de produtos refinados tiveram aumentos ainda maiores que o petróleo.
Como efeito dessa preocupação, os formuladores de políticas econômicas começaram a considerar a redução dos subsídios fiscais e o aperto da política monetária em alguns dos mercados emergentes mais afetados.
Em relação aos juros dos mercados emergentes, o Goldman manteve postura moderadamente cautelosa. De acordo com o banco, é esperada alguma pressão sobre os grandes importadores de petróleo, com preços do petróleo Brent projetados ainda na faixa dos US$ 90 por barril no quarto trimestre, mesmo em um cenário de reabertura de Ormuz.
Investimentos em IA
Cerca de dois terços dos investimentos em centros de dados são destinados a servidores de IA e outros equipamentos, de acordo com o banco. Quase todos são fabricados na Ásia emergente, o que levou a um impulso dramático nas exportações das principais economias da cadeia de suprimentos. Em especial, na região do Taiwan, mas também Coreia do Sul, Malásia e Vietnã.
Para além da Ásia, outros mercados emergentes receberam investimentos relevantes como o próprio Brasil, México e Chile na América Latina. Na Ásia, a Tailândia e a Indonésia também viraram alvo.
As estimativas de consenso agora indicam que os cinco maiores provedores de infraestrutura em nuvem dos Estados Unidos investirão US$ 750 bilhões em 2026. A maior parte será encaminhada para centros de dados. A estimativa do investimento global mira em um nível bem acima de US$ 1 trilhão, de acordo com o Goldman.