Temporada de balanços

Gol (GOLL4) vê momento de “incertezas” quanto ao dólar, enquanto mercado internacional “patina”

O mercado doméstico nos últimos meses operou entre 70 e 95% da demanda pré-pandemia, e o internacional ficou na faixa dos 30% a 50%

Por  Augusto Diniz

Com o querosene de aviação, mais conhecido pela sigla QAV, representando cerca de 1/3 dos custos operacionais das companhias aéreas, não por acaso que a Gol (GOLL4) chamou o cenário como de “enormes incertezas”, ao se referir à trajetória da moeda norte-americana.

Durante teleconferência com analistas, Richard Lark, CFO da empresa, disse que “muito (do momento) vai depender se o patamar continua (do real em relação ao dólar). Ainda é pouco cedo para comparar isso de forma permanente. Há enormes incertezas no mercado hoje, sem falar na volatilidade. A palavra é incerteza”.

A Gol (GOLL4) divulgou hoje que reverteu lucro e em prejuízo de R$ 2,809 bi no 4º trimestre e alterou suas projeções por conta da alta do combustível. Ao final da sessão, as ações da empresa fecharam hoje com queda de 2,54%, cotadas a R$ 13,04.

Guidances da Gol

A Gol alterou as projeções (guidances) de 2022 com aumento do petróleo, por conta de “os aumentos esperados de aproximadamente 30% nos preços brasileiros de querosene de aviação desde o início do ano”.

No comunicado divulgado no mesmo dia do balanço do 4T21, as novas projeções para 2022 da companhia aérea indicam o seguinte: variação de assentos-quilômetro oferecidos (ASK) passou da faixa de 70-80% para 65-75%; e as estimativas de variação de assentos e de decolagens mudaram de 80-90% para 65-75%.

Voos internacionais sem grandes expectativas

Paulo Kakinoff, CEO da Gol Linhas Aérea, na mesma apresentação, disse que a “demanda do mercado internacional está muito distante de retomar os patamares pré-pandemia”.

De acordo com o executivo, “o mercado doméstico nos últimos meses operou de 70 a 95% da demanda pré-pandemia, e o internacional patina, na casa de 30% a 50% (da demanda) de 2019”.

Kakinoff enfatizou que a empresa avalia que levará “algum tempo para essa retomada (do mercado internacional)”, mas que no segundo semestre a oferta será maior nos destinos de mais longa distância, notadamente os internacionais.

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O CEO da Gol comentou ainda que a empresa tem tido “muita disciplina” em um momento de volatilidade, conflito Rússia-Ucrânia, últimos momentos da pandemia, instabilidade econômica e inflação.

Segmento corporativo

O CEO Paulo Kakinoff afirmou que nesse momento, a venda de passagens corporativas está 55% do que era negociado antes da pandemia.

“Olhando pra frente, ou seja, o que estamos vendendo para esses clientes, projetamos (vender esse ano) de 75% a 80% do que era a demanda do segmento corporativo (no período pré-pandemia)”, disse.

Na Gol, em 2019, a venda das chamadas passagens aéreas de viagens de negócios representavam aproximadamente 50% de seus negócios.

Ele complementou que a empresa “está vendo sinais encorajadores de melhoria no segmento corporativo”.

Movimento no mercado pós-pandemia

Em análise sobre o futuro da indústria aérea, Paulo Kakinoff explicou que a estratégia do mercado de companhias aéreas durante a pandemia estava muito focado em algum tipo de colaboração, como interlines e codeshares. Para ele, a estratégia “continua fazendo muito sentido”, nesse momento.

“Mas esse nível de colaboração, talvez não seja mais suficiente para endereçar os desafios da indústria pós-pandemia, e que existe tendência de novos movimentos de cooperação, por exemplo, como a M&A”, afirmou.

Ele afirmou que a Gol, na questão M&A (mergers and acquisitions, ou fusões e aquisições, em português) trabalha na posição de protagonista, caso haja oportunidades.

Em 8 de junho do ano passado, a Gol anunciou a aquisição da MAP Transportes Aéreos, então quinta maior empresa aérea doméstica do país, com voos na região Norte. Em 30 de dezembro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a operação.

Gol (GOLL4) vê com otimismo 1º semestre

Paulo Kakinoff comentou ainda na apresentação dos resultados do 4T21 e 2021, que “espera uma recuperação mais relevante no primeiro semestre de 2022”.

Segundo o executivo, em dezembro, o número de viagens domésticas foi 77% maior em comparação ao mesmo período de 2019.

A Gol destacou ainda os planos de reduzir a frota Boeing 737-700, para 138 passageiros, de 18 aeronaves em 2022 para 12 aeronaves em 2025.

Também tem planos de reduzir a frota Boeing 737-800, para 177 a 186 passageiros, de 74 aeronaves em 2022 para 63 aeronaves em 2025.

Já o Boeing 737 Max, de 186 passageiros, a empresa aérea pretende aumentar a frota de 44 aeronaves desse tipo em 2022, para 75 aeronaves em 2025.

“Para 2022, manteremos foco na transformação da frota para o 737-MAX. Prevemos que até o final do ano estarão em operação 44 aeronaves desse modelo, representando cerca de 30% da frota total.

Como consequência deste processo de modernização, esperamos redução de aproximadamente 8% no custo unitário (em CASK – custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos)”, explicou Kakinoff.

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