Cautela continua

Gol (GOLL4): analistas apontam recuperação pela frente, mas seguem cautelosos com alertas de concorrência; ação cai 3,4%

Bradesco BBI reduziu o preço-alvo de R$ 27 para R$ 20 por ação, de forma a incorporar os resultados e também a revisão das projeções

Por  Lara Rizério -

SÃO PAULO – A aérea Gol (GOLL4) divulgou seus números do terceiro trimestre de 2021 nesta terça-feira (9) mostrando impacto da desvalorização cambial em seu resultado, mas também trazendo sinais do que pode ser uma competição mais acirrada no mercado, o que levou analistas, como os do Bradesco BBI, a revisarem suas projeções para a ação para baixo.

Assim, analistas seguem cautelosos com os ativos, mesmo com sinais de recuperação na demanda e uma situação confortável de liquidez da companhia. Os ativos GOLL4 fecharam a sessão desta terça pós-resultado com queda de 3,41%, a R$ 17,57.

O Itaú BBA destacou que os resultados do terceiro trimestre de 2021 foram neutros, apontando que os números preliminares já divulgados anteriormente definiram o tom para os resultados, que refletiram a recuperação da capacidade da Gol (o ASK – ou assento-quilômetro oferecido – doméstico do trimestre foi 64% do terceiro trimestre de 2019) . Também houve melhora da receita unitária por passageiro transportado (PRASK).

“Consideramos notáveis ​​as quedas no CASK [custo por assento-quilômetro oferecido]e no CASK ex-combustível; no entanto, como a alavancagem operacional ainda estava crescendo, o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] permaneceu em território negativo. A perda líquida foi agravada pelo efeito negativo do câmbio no resultado financeiro”, apontam os analistas do BBA.

O cenário cambial desfavorável prejudicou os resultados financeiros líquidos e levou a um prejuízo líquido de R$ 2,5 bilhões e também contribuiu para um aumento da dívida denominada em dólares.

Para o quarto trimestre, a projeção é mais positiva, levando a uma recuperação no segmento corporativo. O BBA tem recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado), com preço-alvo de R$ 24,50, ou potencial de alta de 35%.

O Bradesco BBI destacou o Ebitda do terceiro trimestre, negativo em R$ 371 milhões (versus o dado negativo de R$ 204 milhões no mesmo período do ano passado), em linha com as estimativas dos analistas da casa, mas abaixo do consenso de mercado de dado negativo de R$ 224 milhões.

Os principais destaques ficaram por conta: 1) da elevação pela Gol dos preços das passagens aéreas em 15% na comparação trimestral para expandir as margens; 2) a incorporação da Smiles melhorando a estrutura tributária com R$ 192 milhões de créditos tributários no período; 3) alongamento de R$ 1,2 bilhão em empréstimos e entradas de ações de U$ 200 milhões devendo se refletir nos resultados do quarto trimestre, e 4) a redução do guidance de receita em 28% para os últimos três meses do ano.

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Sobre o guidance para o quarto trimestre, a projeção foi reduzida para receita de R$ 2,6 bilhões, ante a estimativa do BBI de R$ 3 bilhões.

“Em nossa opinião, o novo guidance confirma que o crescimento agressivo da capacidade doméstica da Latam Airlines e a operação inicial da ITA Transportes Aéreos podem prejudicar temporariamente a capacidade da GOL de aumentar significativamente os preços das passagens aéreas, a fim de compensar as pressões de custo. Para o quarto trimestre de 2021, a receita por unidade de capacidade deve cair 6% na comparação com igual período de 2019”, destacam.

Desta forma, os analistas do banco reiteraram a recomendação neutra, mas reduziram o preço-alvo dos ativos para 2022 de R$ 27 para R$ 20, ou potencial de alta de 10% em relação ao fechamento da véspera.

“Atualizamos nosso modelo de avaliação para incorporar os resultados do trimestre, o novo guidance do quarto trimestre, preços mais altos do petróleo e real mais fraco”, apontam.

Assim, a recomendação é baseada na avaliação de que o: 1) Grupo Latam Airlines está acelerando sua recuperação de capacidade doméstica no Brasil para se defender de proposta de aquisição da Azul; 2) O ITA também está aumentando a capacidade, o que dificultará o aumento das tarifas aéreas; e 3) o aumento dos preços do petróleo, a volatilidade do câmbio e o aumento da inflação, que podem pressionar as margens operacionais das companhias aéreas.

Por outro lado, os analistas destacaram que a companhia está numa posição favorável de liquidez para emergir da pandemia e se beneficiar da recuperação do tráfego doméstico em 2022, com um perfil de dívida confortável, assim como sua posição de caixa.

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