(Bloomberg) — Alguns dos maiores gestores de títulos estão concentrando atenção em uma área específica do mercado como o melhor lugar para atravessar os primeiros dias da era Kevin Warsh.
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De Capital Group a Insight Investment, Natixis e Pacific Investment Management Co., a mensagem é a mesma: o ponto ideal está no chamado “miolo” da curva de Treasuries, ou seja, na faixa de cinco anos, e todos estão aumentando posição nesse trecho.
Os investidores estão migrando para esses vencimentos à medida que os rendimentos dos Treasuries se estabilizam, depois de terem disparado no início deste mês com os comentários mais duros de Warsh, presidente do Fed, sobre restaurar a estabilidade de preços. Recuperando-se dessas perdas, os títulos americanos registraram ganhos consistentes na semana passada, à medida que os preços do petróleo caíram e os traders reduziram parte de suas apostas mais agressivas em altas de juros para este ano e para 2027.
“O papel de cinco anos oferece um equilíbrio interessante” e é um “bom ponto de inflexão”, disse Brendan Murphy, chefe de renda fixa para a América do Norte da Insight Investment, gestora global com cerca de US$ 836 bilhões sob gestão.
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Com as autoridades do Fed divididas entre manter os juros inalterados ou elevar a taxa ao menos uma vez neste ano, o vencimento de cinco anos é atraente porque funciona como um proxy do quadro econômico mais amplo, ao capturar um período mais longo que pode incluir tanto ciclos de afrouxamento quanto de aperto monetário. Isso o diferencia da note de dois anos, que é guiada principalmente por apostas de curto prazo sobre juros. Além disso, carrega menos risco do que os títulos longos sensíveis à inflação, ao mesmo tempo em que ainda oferece rendimento generoso, de 4,13% na sexta-feira.
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Os compradores do “miolo” dizem estar atentos ao fato de que a narrativa do mercado de títulos é fluida e sujeita a mudanças. Cortes de juros podem facilmente voltar ao debate, embora as altas tenham dominado as discussões recentemente. A atividade da última semana já mostra traders moderando a postura mais agressiva, precificando de uma a duas elevações até meados do próximo ano como pico do aperto monetário do Fed, depois de anteriormente se posicionarem para uma sequência de altas já a partir do mês que vem.
Os vencimentos intermediários em torno da faixa de cinco anos também podem oferecer proteção contra reações voláteis a dados econômicos que serão divulgados em breve, como o relatório mensal de emprego de junho na quinta-feira, seguido por indicadores de inflação no mês que vem. O mercado de Treasuries ficará fechado na sexta-feira em razão do feriado do Dia da Independência.
“A ponta curta da curva será mais volátil, por isso prefiro os juros intermediários”, disse Chitrang Purani, gestor de portfólio da Capital Group, que tem mais de US$ 3 trilhões sob gestão. “A trajetória da inflação e a resiliência do crescimento que vimos neste ano justificam a alta dos juros, mas, olhando para frente, os motores do crescimento econômico continuam desiguais e a inflação ainda não foi puxada por fatores do lado da demanda.”
Outro atrativo do “miolo”? Trata-se de um barganha relativa, como mostra uma métrica segundo a qual os Treasuries de cinco anos tiveram desempenho inferior ao dos vencimentos mais curtos e mais longos. A chamada borboleta — indicador de onde o rendimento do Treasury de cinco anos está em relação aos papéis de dois e 30 anos — está perto do maior nível em mais de um ano.
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Notes de cinco anos têm desempenho inferior desde o início da guerra com o Irã

Mesmo com os traders reduzindo nas últimas sessões a precificação de altas de juros, continua havendo cautela de que, se os próximos dados mostrarem que a inflação não está moderando — ela já roda acima da meta do Fed há anos —, o banco central provavelmente promoverá elevações já a partir de setembro. A pressão sobre os Treasuries será liderada pelo papel de dois anos, mais sensível à política monetária, enquanto os rendimentos mais longos devem subir menos, já que a perspectiva de política mais restritiva tende a implicar crescimento mais fraco em 2027.
“Se o Fed subir os juros em 2026, depois desfaz isso em 2027”, disse John Briggs, chefe de estratégia de juros dos EUA da Natixis North America. Por isso, afirmou, prefere o “miolo, porque dá mais tempo para precificar possíveis cortes”.
É uma visão recentemente endossada pela PGIM, cuja expectativa é de três altas neste ano, seguidas por uma série de cortes em 2027 e 2028.
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O que dizem os estrategistas da Bloomberg …
“Os Treasuries de cinco anos estão na interseção entre a política do Federal Reserve e as expectativas de inflação. Assim, a ação recente dos preços reflete confiança em um choque de energia em dissipação, ao mesmo tempo em que ganha força a visão de que a inflação pode moderar sem uma deterioração significativa do crescimento.”
— Alyce Andres, estrategista macro, Markets Live. Para a análise completa, clique aqui.
Outras casas de investimento mantiveram em grande medida suas projeções, mesmo com a precificação do mercado ficando mais hawkish. Para a gigante de renda fixa Pimco, isso inclui posição no “miolo” da curva.
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“Nosso cenário-base diverge do mercado porque não acreditamos que o Fed vai elevar juros, já que a economia deve desacelerar no segundo semestre deste ano e dar tempo para que a autoridade monetária mantenha a taxa inalterada”, disse Michael Cudzil, gestor sênior de portfólio da Pimco.
A gestora, que administra US$ 2,3 trilhões, está overweight em exposição a juros e carrega tanto a ponta curta quanto o miolo da curva, ou seja, dos vencimentos de dois a cinco anos — uma faixa que, segundo Cudzil, ficou ainda mais atraente após a liquidação recente.
“É perfeitamente possível que os rendimentos da ponta curta e do miolo caiam abaixo de 4% no segundo semestre, se o mercado retirar do preço as altas e começar a falar em possível afrouxamento”, disse. “As narrativas de mercado podem mudar muito rapidamente, e bastam alguns dados para provocar alguma oscilação.”
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O que acompanhar
Dados econômicos:
- 29 de junho: atividade manufatureira do Fed de Dallas
- 30 de junho: índice de preços de imóveis da FHFA; S&P Cotality Case-Shiller 20 cidades e HPI dos EUA; PMI de Chicago da MNI; confiança e expectativas do consumidor do Conference Board; relatório JOLTS de vagas abertas e taxa de demissões voluntárias; atividade de serviços do Fed de Dallas
- 1º de julho: pedidos de hipoteca da MBA; variação de emprego da ADP em junho; cortes de vagas da Challenger; PMI industrial dos EUA da S&P Global; ISM manufatureiro; gastos com construção; vendas totais de veículos da Omida
- 2 de julho: payroll de junho, taxa de desemprego, ganho médio por hora; pedidos iniciais de auxílio-desemprego; encomendas à indústria; encomendas de bens duráveis; encomendas de bens de capital
Agenda do Fed:
- 1º de julho: presidente do Fed, Kevin Warsh, em painel em Sintra; Warsh em painel do BCE em Sintra
- 2 de julho: presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, participa de discussão moderada em conferência do Banco da Espanha, em Santander, Espanha
Calendário de leilões:
- 29 de junho: bills de 13 e 26 semanas
- 30 de junho: bills de 6 semanas
- 1º de julho: bills de 17 semanas
- 2 de julho: bills de 4 e 8 semanas
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