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SÃO PAULO – Quando o assunto é finanças pessoais, a maior parte das discussões se concentra na gestão do orçamento, e o que é preciso fazer para garantir o equilíbrio ao final do mês. Em parte, isso reflete o fato de que no Brasil ainda são muito poucos aqueles que conseguem poupar o suficiente ao final do mês para investir, e, assim, juntar um patrimônio.
Ainda que a gestão orçamentária deva ser prioritária em um país onde a poupança nacional ainda representa uma parcela pequena do PIB (Produto Interno Bruto), para aqueles que possuem bens e investimentos também é importante dedicar algum tempo à gestão patrimonial. E, para tanto, o primeiro passo é efetivamente elaborar um balanço patrimonial detalhado de forma que você possa estimar o seu patrimônio.
Análise de balanço ajuda a priorizar metas
A análise do orçamento permite que você verifique para onde está indo seu dinheiro, em termos de despesas, e, assim, facilita uma revisão de seus gastos, adotando, quando preciso, uma mudança nos hábitos de consumo.
O balanço patrimonial nada mais é do que uma fotografia da sua situação financeira em um determinado momento. Exatamente por isso, a análise de balanço permite definir e priorizar as suas metas financeiras. Considerando que o seu patrimônio cresce sempre que você reduz as suas dívidas, ou aumenta os seus ativos, é importante avaliar a sua situação de endividamento, para definir se a sua prioridade é a quitação de dívidas, ou melhoria da gestão dos seus ativos.
Endividado demais?
Mas, como saber se você está endividado demais, e, portanto, deve priorizar o pagamento das dívidas? Uma vez que tenha elaborado o seu balanço patrimonial fica fácil calcular o seu grau de endividamento: é a relação entre o total dos seus passivos e o total de seus ativos. Sempre que essa relação superar os 50%, é importante avaliar a real necessidade de suas dívidas e estabelecer uma estratégia de quitação .
| Ativos | Passivos | ||
| Casa | R$ 200 mil | Fcto da Casa | R$ 150 mil |
| Carro | R$ 20 mil | Outros empréstimos | R$ 30 mil |
| Fundo DI | R$ 20 mil | ||
| Total | R$ 240 mil | Patrimônio | R$ 60 mil |
No exemplo acima, como o total de passivos é de R$ 180 mil e o de ativos de R$ 240 mil, fica fácil ver que estamos falando de uma pessoa altamente endividada, afinal, a relação já é de 75%. Diante disso, a prioridade dessa pessoa, em termos de planejamento financeiro, é bastante clara: quitar suas dívidas!
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Se essa pessoa se concentrasse em quitar as suas dívidas de curto prazo, o seu endividamento cairia para 62,5% e o seu patrimônio automaticamente aumentaria para R$ 90 mil. Porém, se não houvesse elaborado o seu balanço patrimonial, é possível que essa meta não ficasse tão evidente, e que essa mesma pessoa optasse por trocar de carro, o que no longo prazo não seria a melhor decisão em termos de crescimento patrimonial.
Check up de investimentos
Mas, e para quem tem um baixo endividamento? Nesse caso a sua meta deixa de ser a quitação de dívidas e passa ser a gestão dos seus ativos. Uma análise do balanço permite, por exemplo, que você avalie se já possui uma reserva de emergência adequada.
Como? Simples. A sua reserva de emergência deve ser calculada como sendo a diferença entre os ativos líquidos e as dívidas de curto prazo. Em geral, recomenda-se que seja suficiente para arcar com algo entre seis a doze meses de despesas correntes. Portanto, se você gasta R$ 500 por mês, seria importante guardar pelo menos R$ 3 mil para o caso de alguma emergência.
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Um erro comum entre os investidores, mesmo aqueles que têm uma boa quantia investida, é concentrar demais suas aplicações. Para piorar, muitas vezes a concentração acontece em aplicações de baixa liquidez, como é o caso do investimento em imóveis, o que pode colocar o investidor em dificuldades se precisar arcar com despesas inesperadas.
Através da análise de balanço é possível identificar esse tipo de situação e adotar procedimentos necessários com o intuito de aumentar a diversificação e liquidez dos seus investimentos. Afinal, uma gestão eficiente dos ativos permite um crescimento maior do seu patrimônio, o que certamente facilita o alcance de suas metas, sejam elas quais forem.
Quanto antes melhor
Em geral, recomenda-se que o cálculo do balanço patrimonial seja revisto anualmente, afinal é preciso avaliar se você está efetivamente se aproximando das metas que definiu através da análise de balanço. Em caso negativo, é possível que você tenha cometido erros na definição das metas, ou que precise rever o seu planejamento orçamentário.
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Afinal, se o balanço ajuda na definição e priorização de metas, é a combinação de uma gestão do orçamento que garante os recursos necessários para que essas metas sejam alcançadas. Se a revisão anual do balanço indicar que houve pouco progresso no alcance das metas, isso pode indicar a necessidade de uma revisão no planejamento orçamentário.
Para quem se desanima com o exercício, vale lembrar que, mais importante do que o resultado obtido, ou seja, o cálculo do seu patrimônio, é o processo em si. Por mais que o esforço envolvido, pelo menos na primeira vez, seja grande, ele permite que você analise e, se preciso, reveja freqüentemente a sua estratégia de investimento, o que é extremamente positivo para as suas finanças pessoais.