Cautela, mas há lado positivo

Gerdau (GGBR4): Em encontro com stakeholders, analistas veem mensagens mais otimistas de diretores da companhia

Companhia endereçou plano de investimentos, falou em crescimento de Ebitda e demonstrou certo otimismo com alguns negócios

Por  Vitor Azevedo -

Após uma bateria de notícias negativas nos últimos dias, a Gerdau (GGBR4) realizou nessa quinta-feira (29) seu encontro com stakeholders e passou algumas visões mais positivas – ao menos na visão de analistas.

Greve de montadoras e incertezas econômicas nos Estados Unidos, onde a companhia tem quase metade do seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), “invasão” do aço chinês no Brasil e falas do atual presidente do seu conselho foram algumas das manchetes que minguaram os ânimos de investidores com a empresa.

De favorita do setor no último trimestre, a Gerdau passou a ser, para alguns, uma incógnita. No entanto, também há motivos para ânimo.

O Itaú BBA, por exemplo, diminuiu sua expectativa de Ebitda de 2023 em 6%, para R$ 13,9 bilhões, mas ao mesmo tempo manteve sua recomendação de compra, reduziu o preço-alvo de R$ 31 para R$ 30, mas ainda com potencial de alta de 23% frente ao fechamento da véspera.

“A mudança [nas estimativas] se dá principalmente devido a resultados mais fracos do que o esperado no Brasil e na divisão de Aço Especial. Dito isso, nossa previsão de Ebitda consolidado para 2024, contudo, permanece praticamente inalterada, pois resultados mais fracos do que o esperado no Brasil são compensados por uma normalização mais suave dos resultados na América do Norte”, fala o time do banco brasileiro, liderado por Daniel Sasson.

Para 2024, eles projetam um Ebitda de R$ 5,1 bilhões na América do Norte e de R$ 4 bilhões no Brasil.

“Apreciamos também a divulgação da administração do plano estratégico de despesas de capital de R$ 11,9 bilhões para 2021-2026, dos quais R$ 3,3 bilhões já foram desembolsados, pois a alocação de capital tem sido um tema-chave de discussão entre os investidores”, diz a equipe. “A média anual de R$ 2,5 bilhões está dentro da nossa estimativa de total de despesas de capital”.

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O time de analistas do banco destaca que a Gerdau defendeu que os investimentos tendem a gerar Ebitda adicional nos próximos anos, o que poderia ser um upside frente às estimativas do mercado. Do total, R$ 2,5 bilhões serão destinados às operações nos Estados Unidos e R$ 7,4 bilhões, para o Brasil.

Dentro dos investimentos mencionados, parcela significativa inclui expansão em mineração (R$ 3,20 bilhões), expansão de laminadores de perfis no Brasil (R$ 1,75 bilhão) e roadmap em Midlothian (R$ 1,5 bilhão), onde os investimentos ainda estão em fase inicial. Em relação à reforma em Ouro Branco, a expectativa é de um investimento de R$ 1 bilhão em 2025 para estender a vida útil por mais 20 anos.

“Segundo a Gerdau, esses projetos resultarão em uma capacidade adicional de 700 mil toneladas por ano de aço bruto e 1,4 milhão de toneladas por ano de produtos laminados, contribuindo com até R$ 4 bilhões em Ebitda incremental em 2021-31 (R$ 600 milhões dos quais já foram capturados). Se bem-sucedidos, a eficiência aumentada gerada por esses projetos poderia ser uma fonte importante de upside para as estimativas de mercado atuais.

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Fora isso, o banco endereçou que a siderúrgica continua defendendo que tarifas de importações maiores são necessárias no Brasil. Hoje a carga tributária padrão para importação de produtos siderúrgicos fica entre 9% até 14,4% sendo que, para os diretores, seria mais justo algo próximo a 25% para coibir a venda de aço chinês, que seria subsidiado pelo governo asiático, no país.

“Ainda esperamos um ambiente doméstico desafiador. Com o Brasil representando aproximadamente 25% das receitas da Gerdau, as incertezas em relação a uma desaceleração econômica permanecem um risco. Com a demanda de setores baseados em investimentos ainda prejudicada neste ano e o desempenho do setor imobiliário em níveis fracos, acreditamos que a redução das taxas de juros é fundamental para uma retomada econômica e uma melhora nas operações domésticas”, explica a equipe da XP, encabeçada por Lucas Laghi.

Já nos Estados Unidos, apesar da paralisação das montadores e do cenário macroeconômico mais fraco nos EUA, a Gerdau observou que a demanda por aço no país permanece resiliente, com sólidos backlogs de pedidos.

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“A gestão está otimista com os ventos favoráveis provenientes do Infrastructure Investment and Jobs Act (IIJA), Inflation Reduction Act (IRA) e Reshoring”, fala o BBA, em relação a projetos dos EUA.

“Em relação à greve nas montadoras, a empresa não viu impactos significativos nos volumes de setembro. Além disso, mencionaram que se a greve continuar, poderá haver um impacto nas vendas futuras, embora a normalização dos estoques de veículos (os estoques de veículos nos EUA permanecem baixos) possa gerar volume adicional de aço para 2024”, comenta a XP.

A equipe do JPMorgan, liderada por Rodolfo Angele, contextualiza que a demanda por produtos da Gerdau na América do Norte distribui-se da seguinte maneira: aproximadamente 25% é destinada à construção, 50% à distribuição e 25% à indústria.

“Apesar de a gestão antecipar um ambiente econômico mais desafiador nos EUA para o segundo semestre de 2023 e o ano de 2024, a demanda por aço deve se manter robusta. Os investimentos em infraestrutura devem gerar uma demanda adicional de 250 a 500 mil toneladas por ano em perfis estruturais e barras comerciais”, afirma.

“Adicionalmente, projeta-se um crescimento na demanda por vergalhões de 500 mil toneladas por ano ao longo dos próximos cinco anos. No setor de energia limpa, a empresa antecipa um aumento na demanda de 500 mil toneladas por ano, impulsionado principalmente por iniciativas solares até 2032. Além disso, a Gerdau espera um impacto positivo proveniente dos programas de reshoring no país”, acrescenta.

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O Bank of America, por fim, aponta que a gestão da companhia, apesar das dificuldades, vê a empresa bem posicionada para navegar em mercados desafiadores por conta da sua diversificação geográfica, seu portfólio de alto valor agregado e sua disciplina de alocação de capital.

“Mantemos nossa recomendação de compra para a Gerdau, particularmente devido à sua alavancagem para maiores gastos em infraestrutura nos EUA no futuro e devido ao valuation atrativo”, diz o BofA, que tem preço-alvo de R$ 30, mesmo do BBA.

A XP, atualmente, tem uma recomendação de compra para as ações preferenciais da Gerdau, com preço-alvo em R$ 32,80, upside de 35,8%. O JPMorgan está neutro com o papel, com preço-alvo em R$ 28,50, potencial de alta de 17,2%.

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