Gafisa: recuperação das margens é destaque do segundo trimestre

Analistas não alteram recomendações e elogiam números; participação da Tenda nos lançamentos deve aumentar

Publicidade

SÃO PAULO – Recuperação das margens e 38% do ponto médio do guidance do ano já atingidos são os principais comentários a respeito do resultado da Gafisa (GFSA3). No geral, os números foram vistos como positivos pelos analistas, que não realizaram mudanças em suas recomendações. 

Um dos consensos entre as equipes do Barclays, Ativa e Coinvalores, foi a melhora nas margens da incorporadora. “O incremento na rentabilidade (…) evidenciada nas margens registradas no segundo trimestre foi causado principalmente por uma melhora na margem bruta aliada ao melhor resultado financeiro e menor taxa efetiva de IR no segundo trimestre”, explica Armando Halfeld, da Ativa.

Guilherme Vilazante, analista do Barclays, classificou os volumes como “saudáveis” e considerou os números operacionais sólidos, confirmando a tendência de recuperação das margens. “A Gafisa claramente se tornou um player absoluto em termos de margem Ebitda (relação percentual entre geração operacional de caixa e receita líquida)”, afirma.

Primeiro a boa ou a ruim?
Já Sandra Peres e Felipe Martins Silveira, analistas da Coinvalores, destacaram um aspecto positivo e um negativo: “Apesar das vendas apresentarem desempenho abaixo da média do setor, na comparação ao mesmo período de 2009, a melhoria na gestão da companhia é um fato novo a se destacar, como pode ser visto com o Ebitda e o lucro líquido, por exemplo”.

A equipe destaca que esses dois itens cresceram mais que a receita líquida, o que levou a margens maiores e mais condizentes com os pares do setor. “Isso foi fruto do bom trabalho, visando controle de custos que levou a uma retração de 7% nas despesas gerais e administrativas”, comentaram.  

Tenda
Halfeld sustenta que a empresa vai continuar a demonstrar ganhos em função da incorporação da Tenda, que deve mostrar resultados melhores com a recente implementação do SAP e ampliação da utilização do método construtivo com formas de alumínio – que devem reduzir em 30% o ciclo de construção – permitindo mais sinergias.

Continua depois da publicidade

Com relação ao resultado da Tenda, o analista do Barclays ponderou que “apesar do setor de baixa renda não nos empolgar muito”, os investidores devem focar no processo de subida da companhia, que já está a caminho. Atualmente, a Tenda representa 29% dos lançamentos da Gafisa, e essa participação deve continuar a subir para cerca de um terço do volume total da empresa. 

Desconto
Para Vilazante, a Gafisa mantém-se como uma das top picks, sobretudo em função do desconto de 26% ante a média das blue chips do setor, com base no P/BV (relação entre o atual preço da ação e o valor patrimonial da empresa, na sigla em inglês) ajustado.

Na visão do analista, o desconto não pode ser justificado por diferenças no risco, estimativas de crescimento ou rentabilidade. O preço-alvo é de R$ 19,00, que representa um “atrativo upside” de 46,8% frente o último fechamento, o maior dentre as grandes empresas do setor.

Continua depois da publicidade

Armando Halfeld, da Ativa, também destacou o desconto frente às quatro grandes incorporadoras com base no mesmo múltiplo. 

Atraso em bolsa
Por fim, a equipe da Coinvalores, que está com o preço-alvo da empresa em revisão, acredita que o papel apresenta bom potencial de valorização, mas não é um top pick. “O tão comentado atraso da empresa em bolsa em relação aos seus pares se justifica, a medida que esses têm apresentado melhor desempenho operacional”, afirma a equipe.

Eles lembram ainda que a saída de um importante grupo do capital da empresa levou a sobreoferta de papéis no curto prazo. Do ponto de vista operacional, entretanto, a expectativa é que a empresa continue a crescer mais no segundo semestre, reportando bons resultados, de modo que os analistas da Coinvalores reiteraram recomendação de compra.