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Aos 95 anos, Warren Buffett, que deixou o cargo de CEO da Berkshire Hathaway no fim de 2025, continua a falar com a serenidade de quem atravessou quase um século vendo o mundo mudar — e mudando o mundo à sua maneira.
No especial “Warren Buffett: A Life and Legacy” (Warren Buffett: Uma Vida e um Legado), da CNBC, o Oráculo de Omaha tratou sobre diversos temas. Dentre eles, o novo CEO Greg Abel, o futuro e o passado de sua empresa, conselhos sobre negócios e sucessão, entre outros temas.
Confira abaixo alguns dos pontos da entrevista:
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1. Conselhos sobre negócios e sucessão
Buffett reforça que identificar bons negócios não é um exercício matemático complexo nem um dom reservado a gênios. Ele afirma que a avaliação de empresas é, na essência, uma questão de bom senso, entendimento de modelos de negócio e disciplina. Para ele, a capacidade de Greg Abel — seu sucessor escolhido — não vem de diplomas sofisticados, e sim de caráter, inteligência prática e capacidade de gestão, características que já observa em vários líderes da Berkshire.
O Oráculo de Omaha relembra ainda que, na reunião do conselho que discutiu Abel como sucessor, o consenso foi rápido e claro, reforçando que a escolha era “a decisão certa”. Esse trecho reforça a confiança interna e a cultura da Berkshire, onde sucessão é tratada com pragmatismo, não com política corporativa.
2. Futuro da Berkshire Hathaway
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Buffett descreve o futuro da Berkshire como uma trajetória de expansão contínua, ainda que marcada por mudanças naturais ao longo das décadas. Ele admite que algumas empresas do portfólio podem desaparecer em 50 ou 100 anos — não por má gestão, mas por mudanças profundas na economia, tecnologia e comportamento do consumidor.
No entanto, sua visão otimista prevalece: novas oportunidades surgirão, e a Berkshire continuará a crescer à medida que a economia dos EUA evolui. A empresa, com seu amplo capital e liberdade estratégica, pode acompanhar o país onde quer que ele vá. Essa visão revela o foco de Buffett em longevidade, resiliência e adaptação.
3. A visão de Buffett sobre conselhos corporativos
Buffett descreve ser membro de conselhos corporativos como “o melhor emprego do mundo”. Ele explica que diretores recebem remunerações de centenas de milhares de dólares ao ano para desempenhar funções que, segundo ele, são em geral leves e agradáveis.
Ele destaca aspectos como:
- ambiente sempre cordial,
- transporte executivo com carros à disposição,
- alto respeito e deferência oferecidos aos diretores.
O comentário de Buffett evidencia uma crítica implícita: muitas vezes, a função de diretor é supercompensada em relação ao risco ou esforço real, algo que sempre foi um ponto de debate no mundo corporativo. Ele fala do tema com um tom meio bem-humorado, meio crítico, como faz frequentemente ao comentar estruturas corporativas.
4. Por que abandonou as apostas em corridas de cavalo
Buffett relembra um episódio da adolescência, quando ia frequentemente ao hipódromo e achava que poderia desenvolver uma “estratégia vencedora”.
Ele logo aprendeu uma das lições mais marcantes de sua vida: “Você pode ganhar uma corrida, mas não pode ganhar as corridas.”
Após perder dinheiro logo no início, cometeu o erro clássico de tentar recuperar as perdas apostando mais — uma espiral psicológica comum a muitos investidores inexperientes.
Essa experiência se tornou uma metáfora poderosa que Buffett usou ao longo da carreira: evitar jogos em que as probabilidades são estruturalmente contra você. Ela explica muito de seu estilo conservador e disciplinado de investimento.
5. Por que Buffett parou de falar de política
A entrevista menciona que Buffett hoje evita discussões públicas sobre política — um contraste marcante para alguém que já se posicionou ativamente em várias eleições no passado.
Segundo ele, a sociedade ficou extremamente “tribal”, e opiniões políticas podem gerar reações negativas que acabam recaindo sobre pessoas que não têm qualquer relação com seu posicionamento. Buffett explicou que não é justo que um atendente da GEICO ou um vendedor da Nebraska Furniture Mart enfrente clientes hostis por algo que ele, Buffett, disse publicamente.
Além disso, ele destaca: “me identifiquei tanto com a Berkshire que — enquanto eu estiver falando na assembleia anual ou algo do tipo, as pessoas vão associar isso à voz da Berkshire até certo ponto. E os funcionários não merecem isso. As empresas não merecem isso. Então, eu me afastei disso”, afirmou.