Fundos: investidor “público” ajuda a manter BB-Nossa Caixa como líder do mercado

Segundo Anbima, subcategorias "EFPC Emp. Públicas" e "Poder Público" responderam por 49,7% das aplicações da gestora em maio

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SÃO PAULO – Embora não seja nenhuma novidade para quem acompanha o mercado brasileiro de fundos de investimentos, a BB-Nossa Caixa permanece como a maior gestora de ativos do País, tendo fechado o mês de maio com R$ 342,3 bilhões em ativos, informa a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em seu Ranking Global administração de recursos de terceiros – que incluem, além dos fundos, os recursos administrados via clubes de investimento e as carteiras administradas.

Esse patrimônio – que corresponde a 22,2% do total global de ativos de todas as gestoras listadas, de R$ 1,54 trilhão – coloca a instituição em uma posição privilegiada diante de seus principais concorrentes, como Itaú Unibanco (R$ 274 bilhões), Bradesco (R$ 175,7 bilhões), Santander Brasil (R$ 112,7 bilhões) e Caixa (R$ 111,7 bilhões).

Supremacia nas estatais
Se olharmos afundo para a alocação desses ativos da primeira colocada, perceberemos que esse resultado é diretamente influenciado pela maciça participação do BB-Nossa Caixa em duas categorias de investidor: a “EFPC (Entidade Fechada de Previdência Complementar) patrocinado por Empresas Públicas”, cujo intuito é de administrar planos de benefícios de natureza previdenciária dos empregados ou associados de uma empresa pública, e a “Poder Público”, que incluem os recursos do governo (federal, estadual e municipal) e regime próprio.

Na primeira subcategoria, a gestora possui um montante de R$ 81,9 bilhões, o que corresponde a 54% do total aplicado em maio, que foi de R$ 151,7 bilhões. Já no “Poder Público”, a participação é maior: dos R$ 118,6 bilhões alocados nesta subcategoria, o BB-Nossa Caixa responde por R$ 88,1 bilhões, o equivalente a 74,3%. Juntas, as duas subcategorias representam 49,7% das aplicações do BB.

Por se tratar de uma empresa estatal, pertencente ao Banco do Brasil (BBAS3), a gestora acaba ganhando preferência em relação às suas concorrentes na hora de administrar recursos pertencentes a funcionários de companhias controladas pelo Estado – fundos de pensão, principalmente – ou então em gerir os recursos federais, estaduais ou municipais.

E se essas categorias não existissem?
Agora, vamos imaginar a seguinte situação: suponhamos que essas duas subcategorias de investidores focadas no âmbito público deixassem de existir e todo o capital alocado nelas desaparecesse. O BB-Nossa Caixa continuaria sendo a gestora com maior recursos de terceiros administrados?

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Retirando essas duas subcategorias, o PL do BB-Nossa Caixa diminuiria de R$ 342,3 bilhões para R$ 172,3 bilhões, uma retração de 49,7%. Enquanto isso, a atual 2ª colocada Itaú Unibanco teria seu total de ativos reduzido para R$ 267,5 bilhões, já que ela possui apenas R$ 6,44 bilhões alocados em EPFC Empresas Públicas e Poder Público. Assim, dentro desse cenário hipoteticamente traçado, a Itaú Unibanco terminaria maio como a maior em ativos administrados.

Aprofundando ainda mais dentro desse cenário hipotético, o BB-Nossa Caixa poderia descer mais um degrau, caso a categoria de investidor “estrangeiro”, na qual a gestora é líder em participação, com R$ 16,2 bilhões, fosse removida. Dessa forma, seu PL reduziria para R$ 156,1 bilhões, sendo ultrapassada pelo Bradesco, que, por possuir uma participação pouco significativa nesse segmento, terminaria maio com um total de R$ 171,1 bilhões em ativos.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers