Fundos de investimento: DI e renda fixa tem superado os demais em 2005

Fundos de ações e cambiais têm registrado fraca rentabilidade; mas resultados poderão mudar até o final do ano

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SÃO PAULO – Você está com um dinheiro extra e quer saber qual a melhor alternativa para aplicar? Em reposta a essa pergunta, a recomendação é que você invista em opções adequadas ao seu perfil, em termos de prazo, rentabilidade esperada e aversão ao risco. Uma boa opção, para quem quer delegar a tarefa de alocar os recursos a terceiros, mais informados a respeito do mercado, se refere aos fundos de investimento.

Existem várias categorias de fundos, que diferem em sua composição. Uma análise do desempenho das categorias, através de dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), mostra que os fundos de renda fixa têm registrado melhor desempenho esse ano, na comparação com outras categorias.

Mas se existe uma dica importante para qualquer investimento é que projetar o futuro apenas com base no passado é o primeiro passo para perder dinheiro. Um desempenho bom em um dado período não é receita para o sucesso no período seguinte. Confira aqui as rentabilidades médias de alguns fundos de investimento até o dia 19 de maio, segundo a Anbid.

Fundo renda fixa: melhor retorno

Os fundos DI e de renda fixa sempre são citados como aqueles que apresentam os menores riscos, em comparação aos fundos cambias e de ações. Desde o início desse ano, vale citar, esses fundos foram também os que mais ganharam, com a taxa de juro em patamar elevado.

Desde o início do ano até o dia 19 deste mês, os fundos de renda fixa tradicional ganharam 6,72%. Também tiveram bom desempenho os fundos de renda fixa crédito (+7,05%), multi-índices (+6,45%), e com alavancagem (+5,93%). Os fundos DI ganharam 6,74% no período.

A forte performance desses fundos é explicada pelo patamar elevado do juro brasileiro. A taxa Selic, vale citar, foi elevada em nove reuniões seguidas, passando de 16% ao ano para 19,75% ao ano, no último encontro do Copom (Comitê de Política Monetária).

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O colegiado tem adotado essa política monetária restritiva, visando conter a inflação doméstica. Mas o mercado acredita que as altas do juro já chegaram ao fim, ou estão muito próximas disso. Para o final do ano, segundo projeções do relatório Focus do Banco Central, a Selic deverá cair, para uma taxa de 18% ao ano em dezembro.

Fundos de ações perderam

Nesse cenário, muita gente que aplicou no início do ano em fundos de ações perdeu dinheiro. No período analisado, todas as categorias registraram retorno negativo, com exceção dos fundos IBX ativo com alavancagem, que ganharam em média 0,93% desde o início do ano, rentabilidade ainda bastante fraca.

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A Bovespa foi pressionada pelas incertezas com relação à economia interna, externa e cenário político. Os fundos de ações outros, que possuem o maior patrimônio líquido dentre os fundos de ações, perderam em média 6,02% até o dia 19 de maio. Os fundos de ações Ibovespa ativo, com o segundo maior patrimônio, tiveram rentabilidade negativa de 5,17% no período.

A maior queda ficou por conta dos fundos de ações setoriais telecom (-8,73%), com o mercado temendo o acirramento da concorrência da telefonia móvel e o fraco crescimento da telefonia fixa.

Fundos cambiais foram prejudicados pela queda do dólar

Para os fundos cambiais, os resultados não foram muito diferentes. Não foram disponibilizados dados da categoria referenciado dólar, que foi extinta com a nova classificação da Anbid, nem da categoria cambiais, que ainda não existia no início do ano. Como referência, os fundos de previdência câmbio perderam 8,08% no período. Vale citar que esse tipo de fundo é diferente dos demais cambiais, dada sua visão voltada mais para o longo prazo.

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Nesse sentido, o dólar tem caído sistematicamente frente ao real, como resultado da balança comercial e da ausência do Banco Central no mercado cambial. Com isso, os fundos que investem na moeda norte-americana têm registrado uma péssima performance.

Esses dados da Anbid mostram a boa posição que os fundos de renda fixa e DI conseguiram no início do ano, tanto em termos de rentabilidade como de risco. Resta saber agora quais as tendências para o resto de 2005, lembrando sempre que os fundos não repetem necessariamente um mesmo desempenho em dois períodos seguintes.