Fundos de ações: investidor está migrando de perfil conservador para moderado

De acordo com especialista do BB, cenário econômico do país é favorável e propiciou mudanças no perfil do investidor brasileiro

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SÃO PAULO – À primeira vista, os fundos de investimento em ações parecem não acompanhar o momento favorável do mercado brasileiro de renda variável. Mesmo com o Ibovespa
– principal benchmark do mercado acionário do país – rompendo sua pontuação máxima histórica por diversas vezes ao longo de 2007, a participação do patrimônio líquido dos fundos de ações no total dos fundos do país, que encerrou 2006 em 8,78%, ainda se mostra relativamente pequena, em torno de 10,0%.

Em contrapartida, fundos de menor exposição ao risco, como renda fixa e referenciado DI, embora estejam perdendo espaço, ainda respondem pela maior fatia da indústria brasileira de fundos. Para uma melhor análise da dimensão destes números, dados do Investment Company Institute mostram que ao final do último ano os fundos de ações respondiam por 41% do patrimônio líquido total dos fundos de investimento de todo o mundo.

Contudo, apesar da participação percentual ainda pouco expressiva no total da indústria brasileira de fundos de investimento, em 2007 o patrimônio líquido dos fundos de ações acumula crescimento de 28,1%, bem superior ao avanço de 12,4% do patrimônio líquido total dos fundos de investimento do país em igual período. Sendo assim, a quais conclusões chegamos?

Cenário econômico traz mudança no perfil do investidor

De acordo com Maria Izabel Gribel de Castro, gerente executiva da Diretoria de Varejo do Banco do Brasil, na comparação com a parcela de mercado (em termos de patrimônio líquido) dos fundos de renda fixa, os fundos de ações parecem não ter expressividade, impressão esta um tanto equivocada.

Na opinião da especialista, a mudança que se percebe no cenário econômico do país acarretou em mudanças no perfil do investidor brasileiro.

Embora o mercado de fundos de investimento do país ainda não apresente uma maior concentração no segmento de fundos de ações, o que se observa é que o investidor começa a buscar por investimentos mais “ousados” – ou seja, de maior risco – dentro do segmento de renda fixa, como, por exemplo, em aplicações pós-fixadas.

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Multimercado também se destaca

Maria Izabel também chama a atenção para o crescimento da indústria de fundos multimercado, que atualmente respondem por 23,88% de participação no mercado brasileiro de fundos de investimento em termos de patrimônio líquido, segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).

No atual contexto de perspectiva de continuidade de queda nas taxas de juros e busca por investimentos com melhor remuneração, a analista do Banco do Brasil acredita que o investidor está migrando do perfil conservador para o moderado. Maria Izabel explica que, optando por um fundo multimercado, o investidor transfere para o gestor do fundo a decisão de diversificação das aplicações.

A aposta é que o investidor brasileiro buscará proveito no crescimento do mercado de capitais do país, que, na opinião da analista do Banco do Brasil, mostra crescimento com consistência.