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SÃO PAULO – O ano de 2002 foi marcado pela forte desvalorização do real frente ao dólar, que superou 50%. A alta do dólar acabou beneficiando o desempenho dos fundos cambiais, que investem seus recursos em títulos públicos e swaps atrelados à variação do dólar.
Por isso, estes fundos registraram a maior rentabilidade dentre todas as categorias de fundos de investimento acompanhadas pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).
Fundos renderam mais do que a moeda
Enquanto o dólar registrou uma valorização de 52,27% durante o ano passado, os dados da Anbid sugerem que os fundos cambiais tiveram um rendimento ainda mais atrativo, de 59,40%.
Como este rendimento já é líquido da cobrança de taxa de administração, de cerca de 2% a 4% ao ano, o rendimento bruto, antes de qualquer taxa e impostos, ficou entre 62,5% e 66%. A diferença se justifica pelo fato de que os títulos cambiais, além de serem denominados em dólar, também rendem juros.
No final de dezembro, o patrimônio líquido dos fundos cambiais era de R$ 6,466 bilhões, o que equivale a apenas 1,88% do patrimônio total da indústria de fundos. Apesar da forte valorização dos fundos cambiais, a captação líquida da categoria ficou negativa em aproximadamente R$ 4,937 bilhões. Esta foi a terceira pior captação entre todas as categorias de fundos de investimento, atrás somente dos fundos DI e dos fundos de renda fixa, que juntos respondem por quase 60% do patrimônio total dos fundos.
Dólar também favoreceu FIEX e Fundos Vale
Não foram somente os fundos cambiais que se beneficiaram da forte valorização do dólar, já que os FIEX (Fundo de Investimento no Exterior) também ganharam com a alta do dólar, e registraram valorização média no ano de 55,24%.
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Estes fundos aplicam preferencialmente em títulos de dívida externa brasileira – principalmente em títulos de dívida pública, mas há alguns que também apostam em instrumentos de dívida de empresas brasileiras, ou até mesmo em dívida de outros países.
Apesar de ser beneficiarem da alta do dólar, pois aplicam seus recursos em títulos denominados nesta moeda, os FIEX sofreram com o aumento do risco Brasil durante o período de incerteza eleitoral, o que justifica a menor rentabilidade em relação aos fundos cambiais.
Outra categoria de fundos que se beneficiou com a alta do dólar foi a dos fundos de privatização, cujo rendimento médio no ano passado foi de cerca de 50%. Contudo, neste caso deve-se fazer uma ressalva, visto que o rendimento somente foi possível graças à valorização dos fundos da Vale do Rio Doce, que registraram ganhos médios entre 82% e 95,65% dependendo da forma de investimento.
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Este desempenho, por sua vez, só foi possível devido ao fato de que as ações da Vale do Rio Doce se beneficiam com a alta do dólar, pois boa parte de suas receitas é composta por receitas de exportação.
Renda fixa rendeu cerca de 17% no ano
A alta da taxa básica de juros, que subiu de 19% ao ano em janeiro do ano passado para 25% ao ano em dezembro, também contribuiu para o desempenho dos fundos que aplicam em títulos de renda fixa, seja pós-fixados ou pré-fixados.
Assim sendo, o rendimento médio dos fundos DI, que aplicam em títulos pós-fixados de renda fixa, ficou em 17,70%, enquanto a rentabilidade média da categoria de fundos de renda fixa ficou ligeiramente abaixo, em 17,15%. Dentre os fundos de renda fixa, os melhores desempenhos ficaram com os fundos alavancados, que usam derivativos para melhorar sua rentabilidade, e que obtiveram ganhos de 19,70%, e com os fundos renda fixa crédito, que aplicam em títulos de dívida privada e renderam 18,09%.
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Com exceção dos fundos de ações, que acumularam perdas de 3,41% e dos fundos de previdência, cujo ganho médio no ano passado foi de 14,89%, os fundos DI e de renda fixa tiveram um dos piores desempenhos da indústria no ano passado. Em parte isto se justifica pela introdução da marcação a mercado para os fundos DI e de renda fixa introduzida no final de maio de 2002, e que levou muitos destes fundos a registrarem perdas na época.
A tabela abaixo compara a rentabilidade média, patrimônio e captação das principais categorias de fundos de investimento acompanhadas pela Anbid:
Categoria
Rent. em 2002
Patrimônio
(R$ bilhões)
Captação
(R$ bilhões)
Câmbio
59,40%
R$ 6,466
(R$ 4,937)
FIEX
55,24%
R$ 0,321
(R$ 0,129)
Multimercados
27,12%
R$ 8,938
(R$ 5,650)
DI
17,70%
R$ 87,376
(R$ 28,915)
Renda Fixa
17,15%
R$ 117,5
(R$ 28,947)
Ações
-3,41%
R$ 26,9
(R$ 0,605)
Total
–
R$ 344,1
(R$ 63,9)