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SÃO PAULO – A grande maioria das pessoas, na hora de escolher um fundo de investimento, considera inicialmente uma variável de decisão: a rentabilidade. Embora um entendimento maior da relação entre risco e retorno seja necessário, não há como negar que uma boa rentabilidade é fundamental.
No entanto, na hora de comparar a rentabilidade entre vários fundos, o investidor precisa tomar diversos cuidados, de forma a não “comparar laranjas com maçãs”. A primeira, e mais óbvia, é evitar a comparação entre fundos de classes diferentes – ou seja – pouco adianta comparar o desempenho de um fundo DI com um fundo de ações ou cambial.
Valor inicial e taxa de administração
O valor inicial de aplicação é um ponto importante de partida. Em geral, fundos que possibilitam o investimento de valores mais baixos tendem a mostrar taxas de administração mais elevadas do que fundos da mesma categoria que tem valores mínimos mais elevados.
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Isso pode influenciar bastante na rentabilidade, principalmente em fundos onde o peso da taxa de administração no retorno final é maior, como os fundos DI ou indexados ao Ibovespa, por exemplo. Deste modo, na hora de comparar entre a rentabilidade de dois ou mais fundos, fique atento ao valor mínimo de aplicação.
A taxa de administração, porém, não varia simplesmente em função do aporte mínimo. Cada instituição adota uma política diferente, de forma que a taxa de administração deve ser levada em conta na hora de contabilizar a rentabilidade. Vale lembrar que o valor das cotas já inclui esta taxa.
Tamanho e política de investimentos
Embora seja expressamente proibido pelos órgãos reguladores, fundos de patrimônio menor estão mais sujeitos ao risco de manipulação de rentabilidade. A prática, além de proibida, é condenável, e não deve ocorrer em um mercado relativamente sofisticado como o brasileiro. Porém, vale à pena sempre analisar também o patrimônio do fundo antes de investir.
Mesmo comparando fundos dentro de uma mesma categoria, vale a pena gastar algum tempo analisando a política de investimentos de cada fundo. Afinal de contas, a comparação faz muito mais sentido entre fundos que assumam riscos semelhantes.
Em categorias mais específicas, como fundos DI, por exemplo, o risco de diferenças significativas entre as políticas de investimento é menor. Mas isso, em geral, não ocorre em fundos como multimercados e ações. Portanto, é fundamental analisar estes elementos com atenção antes de comparar a rentabilidade.
Marcação a mercado e risco de crédito
Embora seja obrigatória para fundos abertos, a marcação a mercado, ou a forma na qual é realizada, também pode contribuir para diferenças em termos de rentabilidade. Existem gestores de recursos que acreditam que, no caso de fundos fechados a novas captações, alguns concorrentes não realizam a precificação dos ativos de forma correta, visando “sair bem na foto” de rankings de rentabilidade.
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Muito da rentabilidade de um fundo tem a ver com a qualidade dos ativos que compõem a carteira. Portanto, fundos que apresentem uma proporção maior de ativos mais arriscados tendem a apresentar maior rentabilidade. Nessa hora, vale a pena analisar a composição da carteira de investimentos do fundo, identificando se a melhor rentabilidade não é resultado, somente, de um maior nível de risco.
Isso não vale somente para fundos de ações, mas também para fundos que investem em papéis de renda fixa. Analisando do ponto de vista de risco, existe uma grande diferença entre papéis emitidos pelo Banco Central, pelo Tesouro Nacional ou por empresas que receberam grau de investimento de agências de ratings, em relação a papéis de outros emissores.
Por fim, vale sempre a pena lembrar que o Banco Central não permite a garantia de rentabilidade. Cuidado com os fundos em que este tipo de publicidade é realizado, já que do ponto de vista jurídico isso não é permitido, ou seja, não há qualquer garantia efetiva ao aplicador.