Fras-le: por que o JPMorgan iniciou cobertura com compra e vendo alta de 30% da ação?

Banco iniciou cobertura da empresa com preço-alvo de R$ 29, citando força no mercado de reposição, aquisições e margens em expansão

Murilo Melo

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A Fras-le Mobility (FRAS3), subsidiária da Randoncorp (RAPT4), ganhou uma avaliação otimista de analistas do JPMorgan, que iniciaram a cobertura da empresa nesta sexta-feira (22) com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 29 por ação até dezembro de 2026, apontando um potencial de valorização próximo de 30% em relação ao valor de R$ 22,38 no fechamento de quinta-feira (21). Às 13h35 (horário de Brasília), os papéis subiam 2,73%, a R$ 22,99, nesta sexta (22).

O interesse do banco na companhia, dizem os analistas, está relacionado a três fatores principais: expectativa de crescimento, espaço para consolidação no setor e perspectiva de melhora nos múltiplos de negociação.

Segundo os estrategistas, a projeção para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) é de uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 23% no período de 2024 a 2027. A maior parte da receita da Fras-le, acima de 90%, está no mercado de reposição de autopeças, que oferece previsibilidade por envolver itens ligados à segurança e de alta frequência de troca. O banco calcula que a companhia apresentou crescimento orgânico de 11% ao ano entre 2014 e 2024.

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Outro ponto considerado pelos analistas é a posição da Fras-le em um setor fragmentado, onde existem mais de 600 empresas no Brasil, segundo dados da associação Sindipeças. A companhia já realizou mais de dez aquisições nos últimos 25 anos, investindo cerca de R$ 3 bilhões, e segue com capacidade de novas operações estimada em R$ 1,9 bilhão após seu recente follow-on. A lógica dessas aquisições envolve tanto a entrada em novos mercados como a ampliação do portfólio de produtos, hoje com mais de 36 mil itens.

A empresa também conta com forte participação no mercado brasileiro, com média de 38%, e liderança em diversas categorias, como discos de freio, pistões e lonas, com fatia superior a 50% em alguns segmentos. A diversificação internacional é outro elemento relevante, já que aproximadamente 55% da receita tem origem fora do Brasil.

Na avaliação de preço, os analistas projetam que a Fras-le negocie em 2026 a um múltiplo Ev/Ebitda (valor da empresa dividido pelo Ebitda) de 6,2 vezes, enquanto o alvo do banco é de 7,8 vezes. Esse potencial de valorização de 25% se apoia em margens superiores, ganhos de escala e sinergias com aquisições.

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Os analistas mencionam ainda que o baixo volume de negociação atual, inferior a US$ 2,5 milhões por dia, pesa sobre a precificação da ação. Com o follow-on (oferta subsequente de ações feita por uma empresa que já tem capital aberto na bolsa de valores) de R$ 400 milhões, sendo 38% secundário, a expectativa é que o volume médio diário supere US$5 milhões, tornando o papel o segundo mais líquido entre as autopeças brasileiras listadas em bolsa.

O preço-alvo de R$ 29 foi calculado por meio de modelo de fluxo de caixa descontado (DCF), baseado em estimativas de FCFF (fluxo de caixa livre para a firma) até 2036 e perpetuidade a partir desse ponto. O desconto considera um Wacc (custo médio ponderado de capital) de 11,1% em dólares e taxa de crescimento perpétuo de 4%.

Na ordem de preferência entre as empresas de autopeças listadas na América Latina, o JPMorgan colocou em primeiro lugar a Marcopolo (POMO4), seguida da própria Fras-le (FRAS3), depois a Randoncorp (RAPT4), a Metal Leve (LEVE3), a Tupy (TUPY3), a mexicana Nemak e a Iochpe-Maxion (MYPK3).