Itaú (ITUB4): por que UBS BB segue neutro com ação, apesar do forte resultado do 2T

Bancão registrou rentabilidade de 23,3% no 2T25, o maior desde 2015, com alta eficiência e alavancagem, mas analistas do UBS BB mantêm recomendação neutra

Murilo Melo

Agência do Itaú no Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Pilar Olivares/Arquivo)
Agência do Itaú no Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Pilar Olivares/Arquivo)

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Apesar do Itaú Unibanco registrar o melhor desempenho entre os bancões brasileiros no segundo trimestre deste ano (2T25), com retorno sobre o Retorno sobre o Patrimônio Médio (ROAE) de 23,3%, o maior nível desde o quarto trimestre de 2015 (4T15) e 280 pontos-base acima da média de dez anos, analistas do UBS BB seguem com recomendação neutra para ITUB4.

É que, para os estrategistas, o mercado já precificou grande parte desses resultados positivos, ou seja, a ação pode não oferecer fortes ganhos adicionais no curto ou médio prazo quando comparado a outros bancos latino-americanos. Por isso, a recomendação segue neutra: não é uma indicação de venda, mas também não indica compra forte. O preço-alvo, no entanto, subiu de R$ 40 para R$ 41 por ação.

Os analistas apontam que a rentabilidade se expandiu principalmente por dois fatores: aumento da alavancagem e redução da relação custo/receita, indicador que mede eficiência operacional. A alavancagem cresceu devido à mudança no mix de crédito no varejo e a ajustes regulatórios, enquanto a relação custo/receita caiu de forma relevante nos últimos anos, embora o banco ainda apresente desempenho inferior a alguns pares latino-americanos.

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O varejo do Itaú, que atende clientes de baixa, média (Uniclass) e alta renda (Personnalité) e pequenas empresas, registrou Roae de 28% no 2T25, o maior desde 2019. O retorno médio dos empréstimos (yield) médio caiu para 9,8%, abaixo da média histórica de 12,9%, por maior participação de linhas de menor risco, como hipotecas, e tetos regulatórios em cartões e empréstimos consignados. O custo de risco recuou para 4,3% (média histórica 5,2%) e a alavancagem chegou a 10 vezes, acima da média de 8,2 vezes. Se estivesse na média histórica, a rentabilidade do varejo seria 500 a 600 pontos-base menor.

No atacado, formado por Itaú BBA, private banking, empresas de médio porte e unidades internacionais, a rentabilidade se manteve acima de 25% desde meados de 2022, atingindo 27% no 2T25, em linha com o BTG Pactual. O segmento apresentou yield elevado, custo de risco de 0,8% (média histórica 1,1%) e relação entre custo operacional e receita entre 38% e 39%, enquanto no varejo ficou 6 pontos percentuais abaixo da média histórica e no atacado 7 pontos abaixo.

Entre 2015 e 2019, o varejo representava 48% do lucro do banco, caiu para 36% a 37% e voltou a 41% no primeiro semestre de 2025 (1S25). O segmento de gestão de ativos e passivos e outros (ALM) perdeu participação, à medida que o banco reduziu capital excedente.

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No crédito, o varejo respondeu por 52% da carteira de empréstimos, com pequenas e médias empresas (PMEs) representando 38%, cartões de crédito 19% e hipotecas 18%. Antes, o atacado liderava a carteira de crédito, mas a maior atividade do mercado de capitais reduziu a necessidade do banco de manter papéis corporativos em carteira.

As receitas de tarifas e seguros caíram ao menor nível em dez anos, pressionadas pela concorrência no varejo, como Nubank, e no atacado, como BTG e XP, mesmo sendo historicamente mais rentáveis que crédito e trading, segundo os analistas.

O UBS BB revisou levemente suas projeções de lucro para, segundo o banco, refletir o desempenho do 2T25, com expectativa de lucro de R$ 47 bilhões neste ano e R$ 52 bilhões em 2026, cerca de 2% a 3% acima do consenso. A estimativa de Roae para este ano é de 23,4% e 24,3% em 2026, com relação custo/receita projetada de 40% para 2027. O payout está mantido em 65%, resultando em dividend yield estimado de 8% para 2026.