Franklin Templeton quer ampliar oferta de produtos externos a brasileiros

Com R$ 1,5 bilhão de ativos geridos no País, gestora de assets falou sobre os produtos oferecidos e novos projetos

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SÃO PAULO – Há 12 anos operando no Brasil, a Franklin Templeton gerencia R$ 1,5 bilhão no País, oferecendo fundos de ações, renda fixa e multimercados, compostos por ativos locais e internacionais. 

Em nível global, o número de ativos administrados pela gestora de assets salta para US$ 587 bilhões, com escritórios em diversas partes do mundo, como Canadá, México, China, Coréia e Vietnã, além da sede norte-americana e a unidade brasileira. 

Em entrevista à InfoMoney, Heitor Lima, diretor de operações da Franklin Templeton no Brasil ressaltou a importância para a instituição dos escritórios fora dos Estados Unidos, falou sobre os produtos oferecidos no Brasil e sobre o projeto de ampliar a oferta de produtos externos a investidores brasileiros. 

Portal InfoMoney: Qual o perfil de clientes da Franklin Templeton?

Heitor Lima: A empresa ganhou um perfil mais internacional: hoje mais da metade dos novos ativos, das vendas, vem de suas operações internacionais. Três quartos dos ativos ainda são provenientes de investidores norte-americanos; as operações internacionais têm respondido por mais da metade das captações.

Temos operações domésticas em países como Canadá, Brasil, México, China, Coréia, Índia, Malásia, Vietnã, Dubai. Nessas operações, fazemos vendas de ativos e temos gestores em todos esses lugares. Essas operações locais têm crescido muito em importância.

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Como funcionam as operações aqui no Brasil?

Na operação brasileira, temos R$ 1,5 bilhão sob gestão, sendo 67% em renda variável brasileira e o restante em multimercados. Desses ativos, 60% provêm de investidores internacionais e 40% de investidores domésticos, brasileiros.

Nossos gestores locais também fazem parte da gestão internacional, participando da administração de fundos distribuídos globalmente pela companhia. O que fazemos é tentar maximizar a estrutura que temos, com nossos gestores também fazendo a gestão de carteiras internacionais.

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Acreditamos muito nessa gestão de ativos internacional, achamos que isso é uma tendência, apesar de o brasileiro ainda ser muito focado na parte local. Durante um bom tempo, os ganhos que vieram da renda fixa foram suficientes para todo mundo. Mas é inevitável que se comece a buscar mais riscos.

Que produtos a gestora oferece no País?

Na parte de ações, temos o Franklin Templetom IBX e o Franklin Templeton MAXI-Ações, ambos com benchmark. Temos também os fundos exclusivos, vendidos para institucionais.

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Na renda fixa, temos dois multimercados: o Franklin Templeton Global Access que, como o próprio nome diz, dá acesso a oportunidades internacionais. É um fundo juros e moedas, cujo objetivo é ter uma volatilidade em torno de 1% ao ano. Temos um outro mais recente, que é um clone dele, e se chama Franklin Templeton Global Flex.

Em renda fixa, também temos o Franklin Templeton Valor e Liquidez, que é um fundo sem benchmark, cuja composição da carteira reflete muito mais a economia brasileira que os índices de bolsa. O IBX é concentrado em uma série de empresas que não refletem a economia como um todo, então alguns setores como mineração, siderurgia e petróleo têm muito peso nesses índices. O nosso fundo tem uma composição muito mais pulverizada e parecida com o que é a economia brasileira.

Quais desses produtos apresentam maior procura pelos clientes?

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A indústria brasileira ainda é bastante voltada para a renda fixa, então os multimercados são mais procurados. A renda variável é mais direcionada a investidores institucionais.

Quais as apostas da instituição no Brasil?

Não fazemos venda direta a investidores, a não ser institucionais. Já temos contratos com algumas instituições de distribuição e estamos assinando com outras. Hoje os bancos brasileiros têm um foco muito grande em vender seus produtos próprios, mas a gente vê no mundo todo como tendência os bancos oferecerem para seus clientes uma plataforma de supermercado com diversos produtos diferentes.

Também estamos agora trabalhando na concepção de um multimercado com renda variável, que já vai usar nossa expertise em long and short. Ainda não dá pra falar muito sobre ele, porque estamos na fase final de definir um perfil de risco.

Outro produto é um multimercado voltado para investidores institucionais. Vamos usar um módulo de long and short, que já existe dentro do Maxi Ações, para esse novo produto.

Vocês planejam buscar novos perfis de clientes?

Estamos crescendo via investidores institucionais, então buscamos outros clientes nesse perfil. Visamos firmar parcerias de distribuição com outros bancos.

Nossos planos passam ainda por lançar fundos internacionais de renda fixa geridos por nossos gestores locais. Hoje vemos que há uma oportunidade grande na parte de renda fixa brasileira para investidores internacionais. As taxas daqui ainda são muito altas em relação a outros mercados e apesar das taxações, o IOF por exemplo, elas ainda são consideradas atrativas.

Existe um diferencial da gestora por ela ser multinacional?

A gente vê como vantagem o fato de nós termos acesso a informações que nossos colegas locais dependem de terceiros para obter. Dependem de bancos e corretoras internacionais principalmente. Além disso, essas informações são públicas e valem pra todo mundo. Temos nossa capacidade própria de pesquisa muito grande. Hoje, dos 7.800 funcionários que temos, são quase 550 analistas e gestores no mundo inteiro. E nós refletimos isso (esse conhecimento) nas operações locais. Logicamente, usamos informações de terceiros, até para saber o que os outros estão fazendo, mas o nosso foco é a geração própria de ideias.

Qual a estratégia de investimento da gestora?

Nós talvez não sejamos, e certamente não somos, os mais agressivos. Nossa principal característica talvez não seja essa. Mas certamente somos os mais constantes. Acreditamos na corrida de longo prazo e não na de curto prazo. Às vezes pode parecer que poderíamos fazer as coisas mais rápido, mas já fazemos isso há quase 63 anos, acreditamos que o que vale são os relacionamentos de longo prazo. Estamos no Brasil desde 1997, inicialmente como consórcio local, e sozinhos há quase quatro anos. Investimos aqui desde 1987 e a empresa tem hoje cerca de US$ 13 bilhões em ativos brasileiros.

E para 2010, quais as expectativas?

Em 2010, o nosso foco é crescer com investidores institucionais, fundos de pensão principalmente. Nós acreditamos também que haja espaço para multimercados com renda variável, que tenham exposições fora e vamos lançar um produto nessa linha.

Talvez no médio prazo, mais para o fim do ano, pretendemos oferecer produtos internacionais para investidores brasileiros. Temos uma plataforma de fundos em Luxemburgo com mais de 60 fundos. É bem ampla, uma linha de produtos que não existe aqui.

Acreditamos que não só da parte dos fundos de pensão brasileiros, que já podem investir fora, mas também da parte de outros assets, pode haver interesse por esse tipo de produto. Mais à frente esse tipo de investimento fora será mais popular, como forma de diversificação à exposição que existe aqui no Brasil.

Acreditamos que isso seja uma tendência: oferecer também para outros assets brasileiros, que não têm essa capacidade de investir fora, a compra de produtos já existentes e já testados.