Financiamento mais facilitado para imóveis usados aqueceria venda de casas

Unidades novas podem ter até 100% do seu valor financiado, enquanto que para os imóveis usados proporção é de 80%

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Se conseguir um financiamento de casas e apartamentos usados fosse tão fácil quanto é para unidades novas, o mercado imobiliário seria mais aquecido. O entendimento é de especialistas do setor, que apontam uma menor procura dos consumidores por imóveis com essa característica por causa da dificuldade de pagamento.

“Caso a pessoa que compra um apartamento novo tenha confiança de que conseguirá se desvencilhar dele assim que quiser procurar uma coisa melhor, haverá uma mola propulsora que vai se reverter em mais um ciclo virtuoso para o mercado”, explicou o diretor de Planejamento da Lopes, Marcello Leone.

Financiamento

Nesta terça-feira (23), o Banco Central divulgou nota apontando que até setembro deste ano o volume de crédito imobiliário já somava mais do que toda a movimentação do ano passado. Enquanto que nos nove primeiros meses deste ano foram R$ 14 bilhões, em todos os 12 meses de 2006 foram pouco menos de R$ 12 bilhões.

Ocorre que enquanto é possível financiar 100% do valor do imóvel novo, essa proporção atinge 80% do usado.

Em números

“Isso acaba prejudicando a comercialização de unidades já utilizadas. Porque muitas vezes a pessoa não tem esse dinheiro para dar de entrada, ou porque não tem FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ou porque não quer usá-lo, por medo de ficar desempregado”, afirmou o presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana.

Apenas para se ter uma idéia, as vendas de imóveis novos no Estado de São Paulo cresceram 15,7% em agosto, tomando como base julho. Segundo o Sindicato da Habitação (Secovi-SP), foram comercializadas 2.698 unidades no período. Desse total, 70% das unidades haviam sido lançadas nos seis meses anteriores.

Por outro lado, no mesmo mês, conforme o Creci-SP, foram vendidos 1.081 casas e apartamentos usados, mostrando avanço de 2,08% no mesmo período comparativo. Cerca de 60% dos negócios fechados foram pagos à vista e uma média de 30%, por meio de financiamento imobiliário.

Facilitador

O vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), Miguel José Ribeiro Oliveira, acredita que existem compradores para os dois tipos de construções. “Uma pessoa que opta por um usado também é aquela que procura um perfil de imóvel diferenciado que não seja tão caro quanto um recém-lançado”, explicou.

Por ter mais anos de uso, a unidade fica mais desvalorizada. “A pessoa cobra R$ 250 mil por um apartamento de três quartos que custaria R$ 450 mil se fosse novo”, resumiu.

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Apesar de não dispensar uma modificação no sistema de empréstimo, Viana confirma que a questão do preço é um fator de competitividade e que, portanto, é responsável pela procura desses imóveis. “Em alguns locais, o metro quadrado do usado custa metade”, finalizou.

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