Fiesp rebate FGV e diz que extinção da CPMF pode ser repassada ao consumidor

A federação lembrou, contudo, que é preciso avaliar outros fatores que compõem o preço dos produtos

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SÃO PAULO – A extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) deve ser repassada nos preços de produtos cobrados dos consumidores nos próximos meses. A declaração foi feita pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), ao rebater pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) sobre o tema.

Conforme divulgado na última sexta-feira (22) pela entidade de ensino, o tributo tinha peso médio de 1,61% nos valores de mercadorias comercializadas em mercado nacional. Apesar disso, em janeiro houve um encarecimento médio de 0,54%, no âmbito do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

“O fenômeno não se produz com essa rapidez. Os agentes econômicos demoram um tempo para inserir esse impacto. É absolutamente desproporcional querer fazer uma medição de causa e efeito nesse período de tempo”, justificou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini.

Variação

O impacto da CPMF no valor final dos produtos varia, exatamente porque a alíquota de 0,38% sobre transações financeiras era cobrada em cascata, acumulando o percentual em cada processo. Na avaliação de Francini, o reflexo nos valores deve vir no primeiro trimestre, ou até mesmo alguns meses depois. “Existem estoques que se estabeleceram no ano passado, portanto ainda existia a CPMF. É preciso acabar com eles para ver como serão as outras produções”, lembrou o diretor.

Para o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, André Ribeiro, é preciso avaliar outros aspectos econômicos antes de imaginar que o consumidor sentirá um barateamento generalizado. “Todo mundo pagava CPMF. Até no pãozinho estava inserido o tributo. Mas não adianta acabar a CPMF e imaginar que vai haver uma queda no preço se o trigo fica cada vez mais caro no mercado internacional”, disse.

Francini adicionou, ainda, que o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), praticado pelo Governo em janeiro último, possui efeito na composição dos preços. “Houve um ganho de um lado, mas muitas empresas precisam recolher, agora, o imposto em exportações, em seus contratos de câmbio e em financiamentos do BNDES [Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico], que antes não eram cobrados.”

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Em entrevista concedida na última sexta à InfoMoney, Marcos Cintra, professor da FGV responsável pela elaboração do estudo, citou que essas variáveis – como os estoques e o aumento do IOF – possuem impacto nos valores finais, mas deve ser levado em consideração que uma diminuição na carga tributária deve ser repassada ao consumidor.