FGC cobra balanço do BRB para seguir com análise de empréstimo para salvar banco

Fundo ainda rebate afirmação de que teria sinalizado concordância com acordo do STF para tentar viabilizar operação de crédito

Sede do BRB em Brasília (Foto: Bloomberg)
Sede do BRB em Brasília (Foto: Bloomberg)

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O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) destacou, em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a análise de um empréstimo para salvar o BRB depende do envio do balanço atualizado do banco. Os documentos já foram cobrados à instituição e ao controlador, o governo do Distrito Federal, mas ainda não foram enviados ao fundo.

A manifestação do FGC foi apresentada em resposta à petição do governo local ao STF, que critica o suposto “silêncio” do FGC sobre a deliberação da operação de crédito.

Segundo a manifestação, desde março, quando o DF solicitou o empréstimo de R$ 6,6 bilhões, o FGC vem cobrando do BRB, associado do fundo, a documentação necessária para avaliação de sua situação econômica-financeira, com destaque para o balanço auditado de 2025 e do primeiro semestre de 2026. O último resultado que o banco publicou é da primeira metade do ano passado. Até o momento, no entanto, o FGC disse que a “totalidade das informações” não foi recebida.

“Faltam, com destaque, as demonstrações financeiras auditadas referentes ao exercício de 2025 e as demonstrações financeiras auditadas do primeiro semestre de 2026, conforme consignado no item 2 do Ofício FGC-260697, ora juntado”, afirmou.

O fundo argumenta que a documentação não é “mera exigência formal”, mas é essencial para análise das condições financeiras do BRB e, por consequência, à “adequada apreciação” do pedido de empréstimo do DF.

“Sem que a análise possa ser concluída, o Fundo fica impedido de atestar a suficiência do montante requerido para assegurar a viabilidade econômico-financeira da operação, o que encontra óbice estatutário.”

A manifestação do FGC ocorre após o fundo ser intimado a comparecer em audiência de conciliação marcada pelo ministro Luiz Fux, do STF, para esta quinta-feira com o objetivo de tratar de acordo firmado em maio a fim de tentar viabilizar o empréstimo para salvar o BRB. O banco corre contra o tempo para fechar o buraco gerado pelos ativos herdados de operações com o Banco Master e evitar uma intervenção do Banco Central.

Em maio, ficou acertado que a União não daria o aval, mas flexibilizaria o limite de crédito para operações sem garantia do Tesouro. A ideia é que a fiança fosse concedida por sindicato de bancos, com contragarantia das verbas do DF relativas aos Fundos de Participações dos Municípios e dos Estados. Mas o acordo travou nas negociações com as instituições financeiras, que questionam a constitucionalidade das contragarantias e a capacidade de o BRB se manter vivo mesmo após eventual empréstimo. Participam das discussões todos os principais bancos do país: Itaú, Caixa, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BTG Pactual.

Nesse sentido, o governo do Distrito Federal fez novo pedido ao STF para “saneamento da execução” do acordo, em que criticou a União e o FGC de inércia.

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No documento, o governo de Celina Leão (PP) ainda pediu que, alternativamente, houvesse a “intimação do FGC para que, em prazo a ser fixado, conclua a operação de empréstimo”.

Na sua manifestação, o fundo disse que a solicitação do governo local parte de “um equívoco”, uma vez que o FGC nem sequer é parte do acordo celebrado no STF e nem deu sinalização positiva ao arranjo.

“Em sua manifestação, o GDF alude a uma suposta ‘sinalização positiva’ aos termos do acordo celebrado entre o GDF e a União Federal, para extinguir a ACO 3755, que teria sido manifestada por parte do FGC e de sindicato de bancos, conforme se fez consignar em ata da audiência, à revelia do FGC e dos bancos, que não subscrevem à ata.”