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SÃO PAULO – A elevação dos preços dos alimentos pode ser a principal responsável por futura desaceleração no crescimento de alguns setores do comércio varejista, segundo projeções da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), baseadas nos resultados acumulados até maio deste ano na Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV).
O setor de vestuário, tecidos e calçados, por exemplo, ainda mantém desempenho favorável, devido a facilidades no parcelamento, concessão de descontos e o tímido aumento do rendimento médio real dos trabalhadores. Além disso, o inverno colabora para que as vendas permaneçam em ascensão.
O setor de vestuário, tecidos e calçados, por exemplo: embora ainda mantenha desempenho favorável, por conta da facilidade de parcelamento, concessão de descontos e do próprio inverno, deve sofrer certo arrefecimento nas vendas nos próximos meses, atribuído ao elevado grau de endividamento da população e da necessidade de deslocamento da renda para a compra de produtos alimentícios, cujos preços estão em alta.
Restrição ao crédito
Ainda segundo a Fecomercio, a principal estratégia do Banco Central do Brasil para conter a inflação tem sido a elevação da taxa de juros. Através dessa medida, o acesso ao crédito é dificultado, pois o valor das parcelas em financiamentos tende a aumentar. Essa restrição do crédito freia o consumo. E a queda da demanda, finalmente, leva à diminuição dos preços.
Essa redução do consumo por meio do crédito representa um risco para setores como as lojas de móveis e decorações e as lojas de materiais de construção. No primeiro caso, a possibilidade de arrefecimento não é iminente, pois, segundo aponta o estudo da Fecomercio, a oferta de crédito ainda é razoável, e a renda na Região Metropolitana de São Paulo tem aumentado. Esses fatores ainda garantem às lojas de móveis e decorações um período de crescimento.
Já o setor de varejo de materiais para construção deve ficar atento a dois fatores, conforme a pesquisa. O primeiro deles é, novamente, a inflação, pois o elevado nível de endividamento compromete sobretudo a renda do cidadão de menor poder aquisitivo, impactando negativamente nas vendas desses produtos. O segundo ponto é a restrição da circulação de caminhões na cidade de São Paulo, que afetará diretamente a entrega de produtos.
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Desempenho
A Fecomercio aponta em seu relatório que o comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo deve fechar o primeiro semestre com alta de 5% no faturamento.
Já na comparação com maio deste ano, o mês de junho deve registrar queda de 7% nas vendas reais.