FDIC prega reforma do sistema financeiro e de regulamentação

Para Sheila C. Bair, perdas não devem ser assumidas pelos contribuintes, mas sim por acionistas e credores

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SÃO PAULO – Em audiência perante comitê do Congresso norte-americano, Sheila C. Bair, presidente da FDIC (Federal Desposity Insurance Company), defendeu mudanças no sistema financeiro e de regulamentação dos Estados Unidos e o fim das práticas que culminaram com colapso do setor imobiliário.

Segundo Bair, o desenvolvimento da crise deixou clara a presença de gaps no setor bancário. Diferenças na fiscalização dos níveis de capital, alavancagem, proteção dos consumidores e instrumentos financeiros complexos criaram um ambiente propício para turbulências.

Essa crise se proliferou mesmo em um contexto no qual havia certa regulação, o que foi o bastante para ensinar uma importante lição, afirmou a executiva: a regulamentação e supervisão sozinhas não são suficientes para controlar a tomada de risco em um sistema dinâmico e complexo como o atual.

Fim dos invencíveis

Nesse sentido novas medidas devem ser tomadas para impor uma disciplina maior em relação às instituições ativas no mercado. Em uma economia padrão, sempre existirão vencedores e perdedores, ressalta Bair, e quando essas empresas se mostram imprudentes e não são mais viáveis, elas devem fechar.

“Ações que impedem companhias de falir distorcem os mecanismos de mercado”, alertou a presidente do FDIC. Portanto a solução deve envolver mecanismos confiáveis para a resolução ordenada desse tipo de problema, acabando assim com o modelo de empresa considerado grande demais para falir.

Peso sobre acionistas e credores

Além disso, afirma Bair, o peso dessa imprudência não deve recair sobre os ombros dos contribuintes, mas em primeiro lugar sobre seus acionistas e também os seus credores, fazendo com que o seu corpo administrativo seja completamente mudado na reestruturação.

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Por fim, a credibilidade desses mecanismos de controle seria também beneficiada por um requerimento que obrigaria cada instituição detentora de subsidiárias envolvidas em atividades financeiras não ligadas ao setor bancário a formular anualmente planos de solução para uma eventual crise.