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SÃO PAULO – Fatores internos e externos devem pressionar os preços ao consumidor em 2011, o que poderá forçar o Banco Central a elevar o juro no curto prazo.
De acordo com o Relatório Trimestral da Inflação, divulgado nesta quarta-feira (22), a inflação deve ser de 5% no próximo ano, ante 5,9% em 2010.
“A visão é que o balanço de riscos para o cenário prospectivo piorou e se manifesta nas projeções de inflação”, afirmou o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo.
Fatores
De acordo com ele, existem riscos do lado externo para a inflação, como os associados ao comportamento dos preços das commodities, por exemplo.
“Do lado interno, também vimos riscos para o cenário inflacionário, como o descompasso da taxa de crescimento da demanda doméstica e da oferta, baixa ociosidade dos fatores de produção e os aumentos recentes dos preços no atacado”, afirmou.
Ainda de acordo com Araújo, no regime de metas da inflação, desvios em relação à meta sugerem necessidade de implementação no curto prazo de ajustes na taxa básica de juro.
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“Esse ajuste se destinaria a conter o descompasso da demanda doméstica e capacidade produtiva da economia e reforçar a ancoragem das expectativas da inflação”, ponderou.
Cenário externo
O cenário externo, segundo Araújo, é de recuperação, liderado pelas economias emergentes, mas em grande parte dos países o problema passa a ser essencialmente a inflação.
“O processo inflacionário é influenciado pelas commodities”, disse Araújo, complementando que as as agrícolas tiveram alta especial. “Em economias em desenvolvimento, os alimentos têm peso maior no orçamento das famílias do que nas industriais”.
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No ano, as commodities agrícolas tiveram aumento de 28,6% nos preços, ante 10,9% das metálicas e de 8,2% nas energéticas.