Facilitações no crédito imobiliário não beneficiam classes mais baixas

Creci-SP e Secovi-SP afirmam, de qualquer maneira, que os avanços sentidos na carteira de crédito são o início do processo

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – As facilitações para liberação do crédito imobiliário lançadas recentemente – como o prazo de pagamento para 30 anos e a ampliação da faixa de renda – ainda não atingem efetivamente aqueles que mais precisam de um financiamento para conseguir comprar uma casa. O consenso é de especialistas do setor, que concordam, de qualquer maneira, que os avanços sentidos na carteira de crédito são o início do processo.

Pesquisa do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo) mostrou que, ao menos na capital paulista, 55% das imobiliárias sentiram aumento na procura por imóveis após a ampliação para 30 anos do prazo para financiamento pela Caixa Econômica Federal e a redução nos juros de algumas linhas de crédito.

Porém, a falta de propriedades adequadas e a insuficiência de renda das famílias foram apontados, respectivamente, por 32% e 25% dos entrevistados como os principais empecilhos à compra da casa. Foram ouvidos, em setembro, mais de 400 imobiliárias.

Negócios firmados

“Mais da metade dos negócios firmados no mercado de usados em setembro, 52% deles, foi para imóveis de até R$ 100 mil. Houve uma diminuição de 3% na comparação com o mesmo período do ano passado”, afirmou o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana. “Mesmo com febre de financiamentos, para essa faixa de renda a modificação é quase imperceptível”, contou.

Na média geral, entre 50% e 60% das casas e apartamentos vendidos mensalmente estão situados na faixa de valor de até R$ 100 mil. Por faixa de preço, a que tem maior volume de vendas – 19% a 20% – é a dos que são vendidos por valores entre R$ 61 mil e R$ 80 mil, caso típico do dois dormitórios, nas zonas C e D, classe média-baixa e classe baixa-alta.

Na avaliação de Viana, é mais rentável para as construtoras apostar em imóveis de alto padrão do que naqueles para a baixa renda. “Embora individualmente os lançamentos de dois dormitórios predominem, a maioria se concentra ainda naqueles com três e quatro dormitórios.”

Fundo das aplicações

Diretor-executivo do Sindicato da Habitação, Celso Petrucci explicou que, desde 2003, o Brasil sai do “fundo do poço” das aplicações para a caderneta de poupança, fonte para o crédito imobiliário dentro do Sistema Brasileiro de Pagamento e Empréstimo. De qualquer maneira, o avanço foi grande, desde então: de 30 mil financiamentos em 2002 para algo em torno de 180 mil neste ano.

“O banco era muito elitizado. Então, se a liberação era elitizada, era voltada para imóveis com três e quatro dormitórios. A partir de 2006, percebemos uma tendência do retorno do produto de dois quartos pra a cidade de São Paulo”, disse. O Secovi avalia o mercado de imóveis novos.

Petrucci acredita que toda a situação atual, apesar de não ser a ideal para consumidores de baixa renda, colabora para maior facilitação da liberação de dinheiro para a compra da casa. “Bancos que operavam a carteira para aqueles com renda acima de dez salários mínimos, hoje já oferecem para quem ganha até cinco mínimos”, afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No bolso

De setembro do ano passado ao mesmo período deste ano, imóveis usados destinados às classes C e D ficaram até 13% mais caros, enquanto construções novas tiveram valorização de 5% a 10%.

O motivo apresentado tanto pelo Secovi-SP quanto pelo Creci-SP é o aumento do custo das obras e a facilidade em liberação do empréstimo para a compra de casas, que aquece o mercado e eleva valores.

Compartilhe