Executivos do setor imobiliário reforçam aposta em limite maior do FGTS

Magnitude do plano de R$ 34 bilhões surpreende empresas e reitera construção civil como prioridade do Governo

Publicidade

SÃO PAULO – Com grande expectativa, mas com algumas dúvidas. Foi assim que Emílio Fugazza, diretor financeiro e de Relações com Investidores da EzTec (EZTC3), que tem um foco específico na classe média, digeriu o programa habitacional lançado pelo Governo na quarta-feira (25). Ele não é o único dentre os executivos do setor imobiliário contatados pela InfoMoney.

Porém prevalece um consenso mais positivo, em se tratando de investimentos da ordem de R$ 34 bilhões – divididos entre os recursos da União e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A título de comparação as incorporadoras de capital aberto lançaram algo perto de R$ 30 bilhões em unidades no ano passado.

“As medidas anunciadas até o momento demonstram que a habitação popular é, de fato, uma prioridade de Governo, e reconhece a importância da atividade imobiliária no Brasil, por sua contribuição à geração de empregos e pelo incremento na cadeia produtiva da construção civil”, comentou Marcelo Bonanata, diretor de Vendas da Helbor (HBOR3).

Dúvidas

Por outro lado, alguns questionamentos foram citados por executivos. Como, por exemplo, a velocidade do agente mais forte atuando na área de habitação de baixa renda, a CEF (Caixa Econômica Federal), em repassar o dinheiro numa velocidade para gerar empreendimentos.

Para o executivo da EzTec, um milhão de unidades de baixa renda naturalmente pedirá o desenvolvimento de empreendimentos de 5 mil unidades, 10 mil unidades, necessitando de uma convergência das prefeituras em aprovação de projetos, infraestrutura urbana e, por sua vez, do agente financeiro que está aprovando o risco e fazendo a análise de crédito, numa mesma velocidade.

“Pessoalmente entendo o programa, mas não entendo operacionalmente como isso vai funcionar”, aponta Fugazza, que, do ponto de vista EzTec, adianta ter interesse em ver o programa na prática para investigar oportunidades. “Quando vemos redução [do Regime Especial Tributário, que caiu de 7% para 1%] em um determinado segmento é algo considerável”, ressalta, assim como a garantia de pagamento de prestações, que dá uma segurança para quem está desenvolvendo.

Continua depois da publicidade

Limite do FGTS

Se ainda pode levar um tempo de aplicação o plano deste tamanho para moradias populares, a medida de aumentar de R$ 350 mil para R$ 500 mil o limite do valor do imóvel que pode ser financiado pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação), destinado a famílias de classe média, que deve
ser anunciada na quinta-feira é “muito mais fácil”.

Isso porque o sistema financeiro já está acostumado a trabalhar nessas linhas. Para o diretor de Vendas da Helbor, a medida beneficiaria diretamente os potenciais clientes das incorporadoras e construtoras, que têm produtos voltados à classe média.

“Essa medida poderá beneficiar, ainda, projetos imobiliários de melhor padrão nas cidades em que a Helbor atua fora do eixo da Grande São Paulo, onde o valor por metro quadrado é menor do que o praticado na cidade de São Paulo”, afirma Bonanata.