EUA em foco: agenda econômica auxiliará ajuste de expectativas pós Fed

Dados que serão reportados na quinta-feira permitirão avaliação mais precisa dos efeitos da crise sobre a atividade econômica

Por  Juliana Pall Farias -

SÃO PAULO – Um dia depois do anúncio do patamar da Fed Funds Rate, os investidores novamente enfrentarão agenda econômica cheia, que, junto à decisão do Fed e o teor de seu comunicado, servirão de referência para uma melhor avaliação do panorama da economia dos EUA e para a formação das expectativas futuras dos mercados.

Entre os principais números que serão reportados na quinta-feira (1), estão os dados de renda e gasto da população norte-americana, PCE, ISM Index e Pending Home Sales, todos relativos a setembro.

Para a Sul América Investimentos, “a agenda econômica americana desta semana permitirá uma avaliação mais precisa dos efeitos da crise financeira sobre a atividade econômica, ressaltando a importância dos novos dados para a formação das expectativas dos agentes”.

Dilema: combater a inflação ou o desaquecimento?

A começar pelo PCE, um dos índices inflacionários mais acompanhados pelo Federal Reserve, as projeções do mercado apontam para uma leve aceleração da inflação mensurada (0,2%) pelo indicador frente ao resultado de agosto (0,1%).

Dado que o dilema que a autoridade monetária dos EUA enfrenta é, de um lado a mitigação dos riscos de maior desaquecimento ou recessão econômica, e do outro o combate às pressões inflacionárias, sobretudo via ajuste de juro, o PCE auxiliará o mercado a ajustar perspectivas sobre a margem que o Fed terá para arrefecer, ou não, o aperto implementado pela política monetária norte-americana.

Termômetro da economia

Os investidores também estarão atentos à divulgação do Personal Income e do Personal Spending, avaliando possíveis marcas negativas da crise no setor global de crédito sobre a renda e o consumo dos norte-americanos.

As perspectivas são de que o primeiro indique um avanço de 0,4% na renda, resultado ligeiramente acima do reportado em agosto (+0,3%). Já os gastos, com projeção de crescimento de 0,4% em setembro, devem ficar em patamar inferior ao apurado na medição anterior (+0,6%).

Para a Tendências Consultoria, a confirmação destas projeções teria viés positivo, “tendo em vista a importância que o consumo interno tem para sustentar a atividade dos EUA”.

Indústria e mercado imobiliário

Também merece atenção o ISM Index, que pelas projeções deve manter em setembro o mesmo patamar mensurado um mês antes. Os investidores buscarão no indicador um diagnóstico dos efeitos da crise no mercado de crédito sobre a atividade industrial dos EUA.

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Por fim, o Pending Home Sales deve trazer novos dados para uma melhor avaliação de como se comportou o fragilizado mercado imobiliário do país no último mês. A Sul América Investimentos não vê sinais de esmorecimento no setor, “condições de crédito mais severas e um consumidor acuado reduzem as chances de alguma reação das vendas em futuro imediato”.

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