EUA aplicam tarifas a barras de ouro suíças e futuros do metal batem novo recorde

Medida afeta principal formato negociado na Comex e ameaça fluxo global de ouro refinado

Paulo Barros

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Os Estados Unidos passaram a aplicar tarifas de importação sobre barras de ouro de 1 kg e de 100 onças, medida que ameaça o papel da Suíça como maior centro mundial de refino do metal, revelou o Financial Times nesta sexta-feira (8), impulsionando o mercado futuro do metal para uma máxima histórica intradiária.

Uma carta de 31 de julho da agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) determinou que esses formatos de ouro devem ser classificados sob o código 7108.13.5500, sujeito a tarifas, e não no 7108.12.10, único isento de taxas. A mudança contraria a expectativa do setor, que considerava esses produtos livres das tarifas nacionais impostas pelo governo Trump.

As barras de 1 kg são o formato mais comum na Comex, principal mercado futuro de ouro do mundo, e representam a maior parte das exportações suíças do metal para os EUA. Após a divulgação da decisão, os contratos futuros de ouro para dezembro atingiram, no início do pregão de sexta-feira, o recorde de US$ 3.534,20 por onça-troy, recuando depois para US$ 3.490,80, alta de 1,1% no dia.

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O anúncio ocorre após Washington impor, na semana passada, tarifa de 39% sobre importações da Suíça. Segundo dados alfandegários, o país europeu exportou US$ 61,5 bilhões em ouro para os EUA nos 12 meses até junho, volume que agora estaria sujeito a US$ 24 bilhões adicionais em tarifas.

Ao FT, o presidente da Associação Suíça de Fabricantes e Comerciantes de Metais Preciosos, Christoph Wild, avaliou a medida como “mais um golpe” para o comércio de ouro suíço com os EUA, dificultando o atendimento à demanda americana. Algumas refinarias do país já reduziram ou suspenderam embarques, diante da incerteza sobre quais produtos podem se enquadrar em isenções.

O fluxo global de ouro costuma ser triangular, com barras de 400 onças circulando entre Londres e Nova York via Suíça, onde são recortadas em tamanhos diferentes. O formato de 1 kg, do tamanho aproximado de um smartphone, é o preferido no mercado americano.

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O ouro acumula alta de 27% desde o fim de 2024, impulsionado por temores de inflação, preocupações com a dívida pública americana, a perda de força do dólar como moeda de reserva. Mais recentemente, via um alívio diante de expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)