Tarifas pegam países de surpresa: Suíça “em choque”; Mianmar, em guerra, fica com 40%

Suíça, Canadá, Myanmar e Tailândia estão entre os países que receberam taxas acima do previsto; medidas entram em vigor em 7 de agosto para a maioria dos destinos

Paulo Barros

Soldados do Exército da Independência de Kachin mantêm suas posições na linha de frente perto de Mai Ja Yang, no estado de Kachin, em 22 de janeiro de 2013. REUTERS/Kaung Htet/Foto de arquivo
Soldados do Exército da Independência de Kachin mantêm suas posições na linha de frente perto de Mai Ja Yang, no estado de Kachin, em 22 de janeiro de 2013. REUTERS/Kaung Htet/Foto de arquivo

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As novas tarifas de importação anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreenderam diversos países e devem provocar ajustes urgentes nas relações comerciais. Embora as taxas mais altas já tenham entrado em vigor para o Canadá, a maioria das alterações passará a valer em 7 de agosto, com exceção para cargas embarcadas antes dessa data e recebidas nos EUA até 5 de outubro.

O Canadá, que não conseguiu fechar um acordo até o prazo final de 1º de agosto, passou a enfrentar uma tarifa de 35% sobre produtos não cobertos pelo tratado Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Segundo o governo canadense, cerca de 90% das exportações seguem isentas devido ao acordo, mas setores como laticínios, madeira e couro poderão ser afetados.

No Sudeste Asiático, Mianmar figura em situação mais crítica. Passando por um longo período de guerras, o país foi alvo de uma tarifa de 40%, golpeando seu setor têxtil, responsável por mais da metade dos empregos industriais do país. A medida deve levar empresas estrangeiras a deslocarem encomendas para outros mercados.

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Já a Tailândia obteve um alívio parcial: sua tarifa caiu para 19%, frente aos 36% inicialmente esperados. Ainda assim, fabricantes locais afirmam que não podem planejar investimentos até que sejam esclarecidas regras sobre produtos com insumos chineses, que podem ser taxados com valores mais altos.

A Suíça também recebeu um aumento significativo, com tarifas de 39% sobre exportações aos EUA, valor considerado muito acima do que havia sido negociado nas tratativas bilaterais concluídas em julho. O governo suíço afirmou que ficou “em choque” com a notícia, e que vai “analisar a nova situação e decidir próximos passos”, mantendo a busca por uma solução negociada.

(com BBC)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)